Quatro consórcios de empresas, envolvendo a estatal angolana Endiama e privados, vão investir 36 milhões de euros na prospecção de jazigos secundários de diamantes em Angola, ao longo de quase 9.500 quilómetros quadrados.

Em causa estão investimentos aprovados por quatro despachos assinados pelo ministro da Geologia e Minas, Francisco Queiroz, do final de Janeiro, aos quais a Lusa teve hoje acesso.

Têm a particularidade de avançar com a prospecção fora das zonas que concentra a produção angolana de diamantes, no interior norte no país.

Este alargamento leva em conta a “redução das receitas do Estado como consequência da deterioração das condições internacionais do principal produto de exportação do país [petróleo]” e que “implicam que o sector mineiro não petrolífero acelere o surgimento de novas minas com base na informação geológica já conhecida”, lê-se nos despachos.

O primeiro aprova o contrato de investimento mineiro, inicialmente de cinco anos, com a atribuição de direitos mineiros de prospecção e avaliação de jazigos secundários de diamantes na província do Bié, numa área de concessão de 2.700 quilómetros quadrados.

Para o efeito é constituída a associação entre as empresas Endiama Mining (30%), SINL (60%) e Gemston (10%), que prevêem investir, enquanto promotores, 20 milhões de dólares (18 milhões de euros).

Ainda no Bié o consórcio formado pela Endiama Mining (30%), Arpef (55%) e Gemston (15%) vai investir 10 milhões de dólares (nove milhões de euros) na prospecção de jazigos secundários de diamantes numa área de 772,2 quilómetros quadrados, através de um contrato com duração inicial de cinco anos.

Na província do Huambo avança a prospecção numa área de 3.000 quilómetros quadrados, num contrato com duração inicial de cinco anos e um investimento de cinco milhões de dólares (4,5 milhões de euros) a realizar pelo consórcio formado pela Endiama Mining (40%) e Chifil (60%).

O quarto contrato de investimento mineiro envolve a Endiama Mining (30%), Global Gems (45%), Cimader (9%), Gemston (8%) e Lumege (8%), que vão investir cinco milhões de dólares (4,5 milhões de euros) na prospecção ao longo de uma área com 3.000 quilómetros quadrados na província da Lunda Sul, num contrato inicial de um ano.

O administrador da concessionária diamantífera Empresa Nacional de Diamantes de Angola (Endiama), Carlos Sumbula, assumiu em Janeiro de 2015 que pode estar para breve a descoberta de uma nova mina de diamantes de grande dimensão no país, face aos estudos que têm vindo a ser realizados.

“Podemos dizer que os indícios que estamos a encontrar indicam que acabaremos por descobrir uma mina importante”, explicou Sumbula.

Depois do petróleo, os diamantes são a principal fonte de receita angolana, país que está entre os cinco maiores produtores mundiais.

De acordo com Carlos Sumbula, os estudos já realizados, em conjunto com parceiros da Endiama, concluíram que os kimberlitos mineralizados e os diamantes explorados ao longo dos últimos cem anos – a exploração iniciou-se ainda no período colonial português – representam apenas uma pequena parte do potencial do país.

“A certeza de descobrir uma mina importante é cada vez maior”, disse o administrador.

Fonte: Lusa

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