Os políticos são uma tribo que emerge da sociedade, com o propósito de a servir, na base da voluntariedade, entrega e abnegação. Devem, quando hasteiam a bandeira partidocrata ser os melhores e os mais competentes, para liderar as ondas sonhadoras dos seguidores e dos “projectos-país”.

Por William Tonet

Uns são homens e mulheres honestos, aglutinadores, reconciliadores e eticamente correctos, outros o espelho da vergonha, da mentira, da vigarice e a cabeça da víbora, que fabrica e alimenta a corrupção institucional, que, infelizmente, rasga os oceanos políticos do mundo.

E, o mais grave, é quando esta escória política, lança âncora no poder, nunca mais o quer largar, chegando mesmo a subverter o sistema eleitoral, de textualmente democrata, para ditatorial institucional.

Para melhor atender este desejo macabro, que mata o sonho dos povos e a democracia, institucionalizam, em primeiro plano, uma máquina bélica de terror, para reprimir, atemorizar, impor a política do medo e dos assassinatos selectivos.

Em África, infelizmente, depois das independências, muitos líderes déspotas, com linguagem populista estão à frente dos destinos dos países, com uma governação, muitas vezes pior que a do período colonial.

Estes negros complexados e aculturados, renegam a cultura, as tradições e as línguas dos povos, elegendo a cultura e língua da ex-potência colonial, como a melhor, calcando os valores da maioria preta.

Esta lógica sustenta a tese de “colono negro ser pior que colono branco”, pois os primeiros dificilmente cumprem a constituição e a lei e não adoptam uma gestão económica e financeira transparente.

Exemplos para quê? Eles estão à mão de semear!

Angola, nosso torrão identitário sofre um colonialismo, que impede a materialização das liberdades, que discrimina e mata, os opositores e todos quanto se lhe opõem, pela força das suas ideias.

A constituição e a lei de Angola são pisoteadas, por quem a deveria cumprir e fazer cumprir…

Quem, ingenuamente, como muitos políticos da oposição e membros da sociedade civil acredita, ser possível uma alternância pacífica do poder, através das eleições e da força dos votos, não tem noção da realidade.

O eticamente correcto é uma miragem. A libertinagem, a ladroagem, a discriminação, a fraude, as injustiças, as prisões arbitrárias, os assassinatos e a corrupção são as bandeiras de um regime, calcinado no poder, faz 40 anos.

Os discursos são muitos, mas o conteúdo vazio é maior e é esta falta de compromisso que leva o cidadão a duvidar da seriedade dos políticos.

Quando, em 2014, ouvi o Titular do Poder Executivo, José Eduardo dos Santos, há 36 anos no poder sem nunca ter sido nominalmente eleito, defender uma separação entre o Estado e o seu partido, dei-lhe o benefício da dúvida, mas passados pouco menos de 18 meses (22 de Setembro de 2014), ele mostra ser o reflexo do incumprimento, logo quem o rodeia, não se pode inspirar em sentido contrário.

“Na realidade, a cidade de Luanda está a crescer muito rápido e os seus problemas são cada vez maiores e mais complexos. Nesta provincia, quem dirige tem de estar â frente dos acontecimentos. Tem de estar completamente disponível, ter grande capacidade e, mesmo, qualidades especiais, para saber prever a situação da evolução e saber orientar os subordinados e saber tomar medidas pertinentes. Por isso, decidimos fazer cessar a acumulação do cargo de governador provincial com o de primeiro secretário do comité provincial do MPLA. O nosso grande desafio é pôr a funcionar o aparelho da administração provincial e das administrações municipais em pleno, para superarmos o atraso em que nos encontramos e ajustar o passo da governação ao crescimento da procura dos serviços públicos”. José Eduardo dos Santos, 22 de Setembro de 2014.

Um líder deve ser escravo das suas palavras, para não se descredibilizar e ser considerado MENTIROSO.

O leitor, o cidadão tem de acertar a bússola e tirar as devidas ilações, para não ser cúmplice do desmoronamento do país.

NOTAS FINAIS:

1- Morreu Lúcio Lara, um dos fundadores e ideólogos do MPLA. Paulo Lara fez um elogio emotivo, de filho, que palmilhou os húmus libertários, logo tinha pelo pai o seu herói. Legítimo e bonito de ver. No plano político, uns consideraram-no como grande dirigente, vertical e incorruptível, deixando saudades. Legítimo.

Outros, como eu e muitos, Lúcio Lara foi, num dado momento, da história da Angola independente, um carrasco, que nos fez palmilhar nas fedorentas masmorras do regime em 1977, sem culpa formada. Fomos, enquanto jovens, acusados de tentativa de golpe de Estado e julgados sem julgamento justo. Erámos jovens entusiastas, que acreditávamos na pureza da revolução socialista. Ledo engano! Agostinho Neto e a sua direcção, não queriam um projecto-país, mas um projecto-poder e o descalabro desta discriminadora política capitaneada por Lara, está à vista na balbúrdia em que se encontra o país.

2 – Manuel Vicente, enquanto cidadão e trabalhador tem o direito, com dinheiro honesto, de comprar casa onde melhor lhe convier. Mas, enquanto PCA da SONANGOL (empresa pública de petróleos), ao investir, em zona nobre de Lisboa, quatro milhões e meio de Euros (Eur$: 4.500.000,00), por um apartamento, destapa a suspeição sobre a origem duvidosa destes valores, tanto que, na investigação, que está a ser levada a cabo, em Portugal, um procurador do DCIAP, Orlando Figueira é acusado de corrupção activa e passiva, de branqueamento de capitais e ocultação de material informático, por receber dinheiro de empresas ligadas a Manuel Vicente, para abafar o processo.

Pessoalmente, por alguns exemplos duvido da inocência do vice-presidente de Angola, porquanto foi através de métodos pouco claros, envolvendo e corrompendo, alegadamente, membros da magistratura judicial, que uma das suas empresas, se apossou de um terreno na Avenida 21 de Janeiro em Luanda, objecto de partilha de herdeiros, na 1.ª Secção do Cível e Administrativo do Tribunal de Luanda, através do processo de inventário n.º 391/E-2007, sendo procuradora a Dra. Patrícia e o juiz da causa, Inácio Paixão, acusados de estarem com medidas dilatórias a adiar a partilha de herdeiros, ao ponto de terem permitido que a ZAHARA, SA, empresa ligada a Manuel Vicente, Manuel Helder Kopelipa e C.ª, adquirisse, terreno de herança em litígio e lá implantassem o actual Supermercado Kero, localizado na Avenida 21 de Janeiro.

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