Os candidatos derrotados nas eleições para a presidência da UNITA, Lukamba “Gato” (14,5%) e Kamalata Numa (1,7%), manifestaram a sua intenção de apoiar o reeleito presidente Isaías Samakuva que, no XII Congresso, arrecadou 83% dos votos dos 1.146 delegados.

“G ato” disse no final do conclave que Samakuva e a UNITA podem contar com “toda a minha lealdade e colaboração”, enquanto Numa disse ser sua intensão estar presente “nas batalhas de 2017” afirmando ainda que o congresso e a eleição foi “uma lição de democracia ao país”.

Numa fazia referência às eleições de 2017 que no seu discurso de encerramento do congresso o presidente da UNITA apontou como a principal batalha do seu partido para “fazer renascer a pátria angolana”.

“Fomos concorrentes durante uns dias, não deixamos de ser irmãos da mesma trincheira”, disse.

Samakuva referiu que a vitória nas eleições é o principal objectivo do seu partido e apelou à unidade do seu partido e da sociedade angolana para fazer “a mudança que produza o renascer da pátria angolana”.

O mandato de Samakuva como presidente da UNITA será no entanto de pouca duração não devendo prolongar-se para além de 2017, escreve a VoA.

O dirigente da UNITA disse recentemente no programa “Angola Fala Só” que quaisquer que sejamos resultados das próximas eleições abandonará o cargo de presidente do partido.

Se ganhar, disse, é sua intensão ser presidente de “todos os angolanos” pelo que deixará a presidência da UNITA e se perder fará o mesmo para dar a oportunidade de outros liderarem o partido.

Em declarações pouco antes da reeleição, Isaías Samakuva afirmou que está a chegar o “fim de uma era” em Angola, e a iniciar-se uma “fase de transição”, que passa por eleger em 2017 um Governo “que trabalhe para o povo”.

O líder do Galo Negro discursava em Luanda na abertura do XII Congresso que o reelegeu e, numa análise crítica à governação do MPLA, partido no poder desde a independência em 1975, TA afirmou que a nação angolana “atravessa um dos seus maus momentos desde que alcançou a paz” , em 2002.

“A crise económica estendeu-se para vários sectores da vida do país, o sistema financeiro não tem liquidez nem solidez para sustentar a economia, as empresas estão insolventes, os trabalhadores estão a ser despedidos todos os dias. Os que deviam utilizar os recursos públicos para servir os cidadãos demitiram-se das suas funções”, afirmou Samakuva numa severa crítica ao governo liderado por José Eduardo dos Santos.

Para Isaías Samakuva, Angola enfrenta a “incapacidade e insuficiência do poder central para os gerir os múltiplos problemas locais” e o Estado “não consegue assegurar, sem roturas, o essencial da prestação de serviços públicos e dos serviços sociais”.

“E está a planear agora suspender ou parar o pagamento das pensões dos ex-militares”, acusou Samakuva, acrescentando que “os angolanos estão convencidos que todos estes problemas só serão resolvidos com a mudança do regime político em Angola”.

Perspectivando que o país está a entrar “numa fase de transição para algo diferente”, Samakuva diz que “não há mais outro remédio”, perante o “fim de uma era” do que levar Angola querar entrar “numa fase de transição para algo diferente”.

“Angola quer um novo Governo para servir os angolanos. Um Governo que trabalhe para o povo, um Governo que sirva os angolanos e coloque o angolano em primeiro lugar na sua agenda política e social”, enfatizou o líder da UNITA.

Samakuva insistiu que a auscultação da população conclui que “todos os extractos sociais indicam que Angola quer a mudança” e que o país está “preparado”.

“Os angolanos perderam a confiança no sistema judicial, porque os assassinos estão a ser absolvidos e os inocentes é que estão a ser condenados. As pessoas estão a ser presas, perseguidas e mortas só por pensarem diferente e os juízes continuam a ditar as sentenças, cumprindo ordens superiores”, criticou Samakuva.

Enumerando várias medidas para “aprofundar a democracia em Angola”, começando por “libertar os órgãos de comunicação social públicos da tutela do partido-estado” ou estabelecer as autarquias locais no país e a “despartidarização do aparelho do Estado”, Samakuva apontou a que disse ser a mais “poderosa e eficaz” de todas: “mudar o regime nas próximas eleições gerais previstas para 2017″.

“Os angolanos já não querem ir atrás das promessas fáceis porque já estão cansados e não querem mais ser enganados”, concluiu Isaías Samakuva.

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