O embaixador da missão permanente de observação da União Africana junto da ONU, angolano Téte António, descobriu o pólvora para justificar a razão pela qual a economia angolana está dominada pelo petróleo.

D iz ele que pouco mais de uma década livre de guerras é pouco para um país como Angola se industrializar e diminuir a sua dependência do petróleo.

“Ninguém é condenado ao subdesenvolvimento. O subdesenvolvimento não é uma doença crónica. Todos nós vamos chegar ao desenvolvimento”, disse, em entrevista à Lusa, o embaixador angolano Téte António, em Nova Iorque.

Em 2014, um estudo em conjunto do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), Centro de Desenvolvimento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD), estimava um crescimento económico de Angola na ordem dos 8,8% em 2015.

Contudo, a quebra das receitas petrolíferas (uma situação previsível há décadas) tem afectado a situação económica no país, devido à baixa de preço do crude no mercado internacional. De tão previsível tornou-se banal. Aliás, o monopólio dos homens do regime em matéria económica seria difícil de manter se e economia fosse diversificada. Mantendo-se sobretudo em dois sectores, petróleo e diamantes, o controlo foi, é e será muito mais eficiente.

A economia angolana pode crescer menos de metade do que o previsto para este ano. Em Julho, o Banco Nacional de Angola já havia ajustado a sua previsão para um incremento de 4,4%.

O representante da UA defende que o país deve diversificar a sua economia, mas é preciso “dar tempo ao tempo”. Todos concordam. É certo que o MPLA está no poder há 40 anos e José Eduardo dos Santos é presidente da República há 36 anos. Mas a guerra justificou tudo até 2002. Desde esse ano que as desculpas passaram a ser outras.

“Não são com dez anos de paz que (Angola) terá uma indústria. Não é em pouco tempo que se poderá ter a diversificação da economia. Creio que as autoridades angolanas estão cientes disso”, disse Téte António, prevendo – o que é obra – que a dependência do país em relação ao petróleo deverá reduzir-se nas próximas décadas.

Além disso, o diplomata defende que é necessário corrigir as heranças históricas do colonialismo. Claro. Quarenta anos não foram suficientes expurgar as heranças do colonialismo. Se calhar, bem vistas as coisas, serão precisos aí mais 460 anos.

“Todos os dirigentes africanos estão cientes de que é preciso diversificar as economias. Nós tivemos séculos de monocultura. Continuam os resquícios do colonialismo, não podemos negar que o legado colonial ainda tem um grande peso nos nossos países”, disse.

É verdade que se não pode negar. Aliás, a linha de raciocínio de Téte António mostra exactamente isso…

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