O telefone tocou. Sem rosto. Sem identidade. Mas com voz macabra e grunhidos de assassino. O recado em “celofane” ditatorial, desembrulha-se: “pára de falar mal do camarada Presidente, porque graças a ele, seu cabrão de merda, ainda, estás vivo”!

Por William Tonet

O uvi, atónito, sereno e não optando pela Lei de Talião (olho por olho, dente por dente), retorqui: “o seu presidente, deveria coibir-se de continuar a fazer mal a muita gente, de perseguir-me em particular e mandar recados cobardes”!

– Quem achas que és seu filho da puta, para o presidente falar contigo?, acobardou-se, também, a espécie de homem, cujo argumento apenas reside na força e na ameaça.

A resposta foi óbvia: “sou angolano, com consciência de não vergar, nem ajoelhar diante de um homem marcadamente, maldoso, vingativo, ambicioso, sem noção da realidade angolana e dos respectivos povos, que acidentalmente governa de forma fraudulenta e ditatorial”.

O silêncio do lado da Segurança de Estado, termina com um grande; “bicho de merda deverias levar um par de tiros na cara, há muito tempo, seu lacaio dos americanos e europeus, que apenas sabes falar mal do governo e do camarada presidente. Nós estamos atentos e a te avisar”.

Não tive tempo de me despedir do assassino presidencial, na linha, mas aqui fica: “não me intimidam com estas ameaças assassinas. Continuarei a denunciar os abusos, a má governação, as injustiças e a corrupção institucional, promovidas, segundo denúncias de órgãos financeiros internacionais e nacionais, quase que exclusivamente, pelo presidente da República, José Eduardo dos Santos há 36 anos no poder sem nunca ter sido nominalmente eleito”.

A filha mais velha, Isabel dos Santos tornou-se bilionária e tem, actualmente, uma fortuna pessoal superior às reservas do país;

José Filomeno dos Santos (segundo filho), Zenu é milionário e preside ao Fundo Soberano de Petróleo;

Welwitcha dos Santos e Avelino dos Santos “Coreon Dú” (filhos), são milionários que receberam de bandeja o canal 2 e Internacional da Televisão Pública, controlam bancos e empresas de telecomunicações, tudo por tráfico de influência e não competência profissional;

Ana Paula dos Santos é accionista em várias empresas, estando também, pelo que movimenta, no rolo dos milionários; Manuel Vicente vice presidente da República e Manuel Helder Vieira Dias Kopelipa, chefe da Casa de Segurança da Presidência da República, são sócios em companhias de petróleo, diamantes, transportes e de uma rede de hipermercado que mais crescem, o Kero do Shopping Xiamy e a rede de bombas de combustível Pumangol, entre outros.

Ora, com esta pequena mostra, em momento de crise, em que morrem populares, devido a seca no Kunene, o crescimento do desemprego, a falta de divisas, nos bancos comerciais, para mobilizar a economia, seria sensato da parte do Titular do Poder Executivo, se fosse visionário, disponibilizar-se a encontrar consensos com todos os actores partidários e sociais, ao invés da adopção de uma política arrogante, de exclusão, discriminação, injustiças e violações constantes a Constituição, caricatamente, feita a sua imagem e semelhança.

Desta feita JES é hoje, um factor de instabilidade nacional, precisamente, por ser o primeiro violador da Magna Carta, pois tendo sido eleito, como cabeça de lista, em 2012, logo ao abrigo de um sistema parlamentar (art.º 109.ºCRA), até hoje ainda não suspendeu o mandato como deputado, para o qual foi eleito (n.º 3 do art.º114.ºCRA), para poder exercer “limpamente” as funções de Presidente da República.

Todas estas violações deixam indignados a maioria dos angolanos, onde me incluo, logo não posso deixar de denunciar, uma realidade latente. O país está a definhar fruto da má gestão e erros económicos graves, durante o consulado do presidente da República, podendo, se nada for feito, para abismo, face aos índices de enriquecimento ilícito dos filhos, familiares e séquito directo, que andam impunemente, no pedestal da corrupção, a transferir riqueza para o exterior. Mais, José Eduardo dos Santos perdeu a oportunidade de se converter em Presidente de todos angolanos, principalmente, depois de 2002, logo, será recordado, como o GRANDE DITADOR e não o bom patriota, tão pouco democrático, que gostaria”.

Por tudo isso, pela discriminação a milhões de angolanos que vegetam na indigência, não me calarei, por mais que me ameacem de morte. Não me calarei, por uma questão de honra e não for institucionalizado, pela ditadura, o “IMPOSTO DO AR” que respiramos.

Finalmente, não retiro que cheguei a ter uma certa admiração por Eduardo dos Santos, mas foi rapidamente desfeita pela aspereza com que trata, quem não lhe lambe as botas. Como líder do MPLA deve ser merecedor de redobrada preocupação dos verdadeiros e consequentes militantes do MPLA, para que a história deste partido não venha a sucumbir, nas mãos de um líder, que descaradamente afronta e deixou de ter respeito pela maioria dos angolanos autóctones.

Como entender, numa altura em que a Função Pública tem salários em atraso, a filha do Presidente da República, insensível ao drama das populações, tenha mais de dois milhões de dólares, para dar a cantora americana Nicki Minaj, que cantará pouco menos de 10 músicas. Mais omitir isso seria, de minha parte bater palmas a absolvição de assassinos e a prisão de inocentes, como Marcos Mavungo, José Kalupeteka, os 15 +2 e outros.

Por todos estes factos, fica impossível desviar-me para outra faceta que não a ditadura, da corrupção, da maldade e da má gestão económica e social de Angola.

Finalmente, não tenho dúvidas em assumir o ingresso no exército “antieduardista”, que cresce todos os dias pelo seu carácter ditatorial.

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