As receitas da exportação de petróleo da estatal Sonangol deverão cair cerca de 50% este ano face a 2014, tendo em conta a evolução das contas até Outubro.

D e acordo com um relatório mensal do Ministério das Finanças, citado pela agência Lusa, a Sonangol registou lucros de 819 mil milhões de kwanzas (5,7 mil milhões de euros) entre Janeiro e Outubro, com a exportação de petróleo.

Recorde-se que Angola vive um ano marcado pela forte crise financeira e económica, decorrente da quebra na cotação internacional do barril de crude, principal pilar da produção de riqueza do país.

Este registo para dez meses fica já acima da previsão incluída no Orçamento Geral do Estado para este ano, que apontava para lucros da concessionária estatal na ordem dos 800 mil milhões de kwanzas (5,6 milhões de euros) em todo o ano. Ainda assim, muito abaixo do que previam as contas públicas de 2014, então fixadas em 1,99 biliões de kwanzas (14 mil milhões de euros).

Em Outubro, no discurso anual do chefe de Estado, na Assembleia Nacional, sobre o Estado da Nação – lido pelo vice-Presidente Manuel Vicente devido a uma “indisposição” de José Eduardo dos Santos – foi anunciada uma reestruturação do grupo Sonangol, que em Portugal tem participações directas e indirectas no Millennium BCP e na Galp.

“O Executivo criou também uma Comissão de Avaliação para estudar a situação da Sonangol e do sector dos petróleos e propor as bases da sua reestruturação e um modelo de gestão mais eficaz e eficiente”, disse Manuel Vicente, que foi precisamente Presidente do Conselho de Administração da Sonangol.

Em conferência de imprensa realizada a 13 de Julho em Luanda, o actual presidente do Conselho de Administração da Sonangol, Francisco de Lemos José Maria, negou notícias de então, que apontavam para a falência da petrolífera estatal.

“Qualquer estado de falência ou de bancarrota teria que implicar que, num só ano, a Sonangol registasse prejuízo de 22 mil milhões de dólares, o que é virtualmente impossível de acontecer. Num só ano, mesmo num período de quatro ou cinco anos”, afirmou Francisco de Lemos José Maria, acrescentando, para justificar a “estabilidade” e “robustez operacional” da empresa, que a Sonangol possuía, à data, um nível geral de endividamento actual de 13.786 milhões de dólares, contra um património superior a 21.988 milhões de dólares, conferindo uma alavancagem “suficientemente estável” e superior a 63%.

Além disso, a Sonangol registou a 31 de Dezembro de 2014 lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA – Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization) superior em 1.650 milhões de dólares à sua dívida líquida, revelando “a sustentabilidade operacional do endividamento e a preservação de liquidez suficiente para as adversidades conjunturais”, nomeadamente a baixa da cotação internacional o crude.

O que é o EBITDA

O EBITDA é um indicador financeiro e representa quanto uma empresa gera de recursos através de suas actividades operacionais, sem contar impostos e outros efeitos financeiros.

O EBITDA é importante para os empresários e administradores de empresas, pois dá a possibilidade deles não analisarem apenas o resultado final da organização, e sim o processo com um todo, e esse indicador é bastante utilizado no mercado de acções.

O EBITDA é utilizado essencialmente para analisar o desempenho das organizações, pois ele é capaz de medir a produtividade e a eficiência da empresa, um ponto que é essencial para o empresário que pretende investir. O termo é bastante utilizado por analistas financeiros em análise de balanços de contabilidade de empresas de capital aberto.

Para calcular o EBITDA é necessário primeiro calcular o lucro operacional, que é a subtracção, a partir da receita líquida, do custo dos produtos vendidos (CPV), das despesas operacionais e das despesas financeiras líquidas (despesas menos receitas com juros e outros itens financeiros).

Depois, é só somar ao lucro operacional os juros, a depreciação e amortização que estão incluídas no CPV e nas despesas operacionais.

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