O que está a acontecer em Ponta Negra é obra do Governo do MPLA, que já há algum tempo tem infiltrado, nessa região um efectivo de 200 homens das forças de segurança.

T rata-se de uma infiltração secreta, dos serviços secretos de José Eduardo dos Santos, mais exactamente na cidade portuária de Ponta Negra, Região de Kouilou.

A FLEC/FAC duvida que essa presença tenha apenas a ver com a perseguição dos seus homens. “Do nosso ponto de vista, há qualquer outra coisa que está na cabeça de José Eduardo dos Santos”, diz fonte da FLEC, acrescentando que “presume-se que ele quer resolver contas antigas”.

O alibi será o de está a perseguir membros da FLEC/FAC o que, recorde-se, é também contrário às normas internacionais. Não seria, aliás, a primeira vez que o fazia. Fontes locais admitem, contudo, que esta presença cheira a petróleo.

No que à guerra contra FLEC respeita, os raptos e assassinatos continuam. Recentemente um jovem cabinda foi raptado num hospital de Ponta Negra, levado para a zona fronteiriça e assassinado.

O esquadrão da morte do regime angolano foi comandado por Pedro Toco, conhecido por “Íman” e que foi guerrilheiro da FLEC/FAC. Agora com a patente de major, recebeu essa missão de vasculhar a cidade de Ponta Negra, para prender e sequestrar militantes e guerrilheiros da FLEC/FAC.

As ordens de Luanda são no sentido de prender Alexandre Tati Builo e todo seu “staff”. Uma das últimas tentativas foi abortada pela polícia congolesa que, inclusive, prendeu os operacionais angolanos. A prisão foi de pouca dura porque, de imediato, chegaram a Ponta Negra carregamentos de dólares que limparam o incidente.

Depois de concluída a soltura dos agentes secretos de Angola, pela polícia congolesa, o major Pedro Toco regressou à cidade de Cabinda, onde, dias depois, teve um acidente mortal.

O MPLA continua a esforçar-se para decapitar a Resistência Cabinda através de todos os métodos possíveis e imaginários. Uma coisa é certa, os dólares que circulam têm origem no mesmo saco que também os leva para Portugal.

“Nós, representantes legítimos de Cabinda, esperamos que o Governo do MPLA pudesse compreender o nosso bom senso, pois entendemos que a vida humana vale muito mais que os dólares. Mas, hoje, compreendemos que o Governo do MPLA não quer deixar sair o Povo Cabinda do seu Egipto”, diz o representante da FLEC/FAC, referindo que “não lhe basta o petróleo de que se vangloria há 40 anos, e continua nessa atitude belicista, de sequestrar e assassinar os cabindenses”.

“O Governo de Angola rejeita uma emancipação de Cabinda. E assim sendo, ao Povo Cabinda não lhe resta outra alternativa, senão a de levar a cabo esta resistência secular”, afirma FLEC/FAC, acrescentando que “não há bem que sempre durará para o MPLA, nem mal que não acabará para Cabinda e para o seu povo, ainda que o regime de José Eduardo dos Santos tenha extraído todo o petróleo do Cabinda”.

Partilhe este Artigo