O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, admitiu hoje em Luanda que o país deve seguir o exemplo de Angola, sobre o desarmamento dos movimentos de guerrilha transformados em partidos políticos, numa alusão ao clima de insegurança vivido em Moçambique com a Renamo.

O chefe de Estado moçambicano discursava na Assembleia Nacional angolana, no âmbito da visita que está a realizar a Angola, conjuntamente com deputados eleitos à Assembleia da República de Moçambique, durante a sessão solene que lhe foi dedicada por aquele órgão de soberania.

“O povo angolano encontrou a forma certa para a coexistência pacífica entre as várias formações políticas. Uma fórmula que consegue manter as formações politica não-armadas. Acreditamos que essa experiência será explorada pelos nossos deputados”, disse Filipe Nyusi, ao intervir na Assembleia Nacional, em Luanda.

Os acordos de paz em Angola, assinados com a UNITA em 2002, integraram militares daquele movimento nas Forças Armadas Angolanas, permitindo o seu desarmamento e a consolidação de forças armadas únicas.

Moçambique vive momentos de incerteza política, provocada pela recusa da Renamo, principal partido da oposição, em reconhecer os resultados das eleições gerais de 15 de Outubro do ano passado e pela sua proposta de governar nas seis províncias onde reclama vitória, sob ameaça de tomar o poder pela força.

O Governo tem em curso uma operação de recolha de armas em posse da Renamo, cujo líder, Afonso Dhlakama, não é visto em público há um mês.

As últimas semanas têm sido marcadas por confrontos entre as partes, estando a decorrer uma operação policial de recolha de armas da Renamo em vários pontos do país, num dos momentos de maior tensão política e militar desde o Acordo Geral de Paz, que selou, em 1992 em Roma, 16 anos da guerra civil, então sob mediação da organização católica Comunidade de Santo Egídio.

“Admirámos a vossa coexistência política, que se resume no confronto de ideias e na competição nos actos e pleitos eleitorais. Constatámos com agrado que Angola acatou o silêncio das armas e respeita a vida humana e os bens dos cidadãos”, disse ainda Filipe Nyusi, perante os deputados angolanos.

Nesta sessão na Assembleia Nacional, que se seguiu à recepção pelo Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, o chefe de Estado moçambicano sublinhou que a situação política e social em Moçambique “é estável” e que as instituições do Estado estão “em pleno funcionamento”.

“Todavia, temos ainda alguns desafios decorrentes da compreensão dos fundamentos da democracia. Estes desafios obrigam-nos a redobrar esforços para garantir a unidade nacional, a paz e a estabilidade e concórdia, condições imprescindíveis para o combate ao nosso inimigo comum [Moçambique e Angola] que é a pobreza”, apontou Nyusi.

O Presidente moçambicano recordou que se faz acompanhar nesta visita oficial a Angola, que se insere nas comemorações dos 40 anos da independência angolana, por representantes dos 250 deputados eleitos à Assembleia da República, para garantir a “troca de experiências” com os colegas angolanos.

“Viemos pois colher essa experiência em alguns domínios do interesse mútuo”, enfatizou.

Na resposta, o presidente da Assembleia Nacional angolana, Fernando da Piedade Dias dos Santos (MPLA), afirmou que o Governo moçambicano “está no bom caminho” para garantir a paz total no país.

Filipe Nyusi iniciou no domingo uma visita de Estado de três dias a Angola, a sua primeira visita ao país enquanto Presidente de Moçambique.

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