O embaixador da União Europeia (UE) em Luanda disse hoje que aquela representação diplomática mantém um “diálogo aberto” e “regular” com o Governo angolano, mas sem comentar os efeitos da resolução do parlamento europeu sobre violação das liberdades.

G ordon Kricke falava aos jornalistas à margem da cerimónia oficial de comemoração dos 40 anos da independência de Angola.

“A mensagem da União Europeia é que estamos juntos com Angola neste caminho, cooperámos há 30 anos e vamos continuar. O grande objectivo da União Europeia com os seus projectos aqui é a luta contra a pobreza. Ainda temos este problema e vamos trabalhar em conjunto com o Governo, as autoridades angolanas e a sociedade civil para o eliminar”, disse o embaixador.

A Assembleia Nacional de Angola agendou para 18 de Novembro a discussão de uma posição sobre a resolução do Parlamento Europeu que em Setembro apontou limitações a várias liberdades e direitos pelas autoridades angolanas.

Esta resolução tem sido duramente criticada pelo Governo angolano e por dirigentes do MPLA, partido no poder deste 1975, que negam o conteúdo da declaração europeia, apelidada de ingerência.

A resolução sobre as “tentativas incessantes” das autoridades angolanas para limitar as liberdades de expressão, de imprensa e de reunião pacífica e de associação foi aprovada no Parlamento Europeu a 10 de Setembro.

Além de destacar as limitações de liberdades, notou o nível de corrupção e as deficiências no sistema anti-branqueamento de capitais em Angola.

“O Parlamento Europeu é uma instituição independente. Eu, como embaixador da União Europeia, não vou comentar a resolução do parlamento. Nós temos um diálogo aberto e de respeito com o Governo, ao nível dos ministros, e podemos abordar também assuntos difíceis, de interesse comum. Fazemos isso regularmente”, afirmou Gordon Kricke.

Por outro lado, o embaixador garantiu que a União Europeia “está a trabalhar em conjunto o Governo angolano, a sociedade civil e os empresários para ainda atrair mais investimentos” para o país.

“Mas é necessário ter um bom clima de negócios. E nós estamos dispostos a cooperar com o Governo para criar essas condições”, disse ainda o diplomata, sublinhando que também as relações económicas entre os países europeus e Angola “são muito intensas”.

O novo ano Parlamentar em Angola só arrancou a 15 de Outubro, com a preparação das discussões sobre o Orçamento Geral do Estado para 2016, estando agora agendada para 18 de Novembro – após conferência de líderes realizada na passada sexta-feira – a discussão de uma posição, cujo teor ainda é desconhecido, sobre as medidas constantes na resolução adoptada pelo Parlamento Europeu.

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