O porta-voz da UNITA, Alcides Sakala, considera que a prisão de activistas angolanos revela a “intolerância política” do governo de José Eduardo dos Santos, que “traiu” os ideais dos três movimentos que lutaram pela independência.

“A pós 40 anos de independência, continua-se a trair os grandes ideais dos três movimentos que lutaram por essa grande conquista (UNITA, MPLA e FNLA)”, acusa Alcides Sakala.

Em declarações em Lisboa, o dirigente do Galo Negro criticou também o regime “ditatorial” angolano, em particular no caso dos 15 activistas detidos em Junho último, entre eles Luaty Beirão.

Em trânsito em Lisboa, após representar a UNITA no Congresso do Partido Popular Europeu (PPE), que decorreu em Madrid a 21 e 22 deste mês, Alcides Sakala defendeu que a “ditadura” do regime de Eduardo dos Santos “continua insensível”, numa altura em que se aproxima o “fim do ciclo” de poder do MPLA, com as eleições de 2017.

“É uma direcção insensível, que viola os direitos humanos”, afirmou o também secretário para as Relações Internacionais da UNITA, garantindo que o partido está a preparar-se para as eleições gerais e que tudo fará para que a transição em Angola vá “ao encontro da democracia participativa”.

Questionado sobre a possibilidade de Eduardo dos Santos, no poder há 36 anos sem nunca ter sido nominalmente eleito, se recandidatar, Alcides Sakala afirmou ser “ainda cedo” para avaliar a hipótese, indicando que caberá ao MPLA decidir.

“Mas, seja como for, José Eduardo dos Santos vai fechar um ciclo como ditador. Não soube dialogar (com os partidos e com a sociedade civil)”, sustentou o ainda presidente da Comissão Eleitoral do 12.º Congresso da UNITA, marcado para 3 a 5 de Dezembro, em Luanda.

Nessa qualidade, e sobre as eleições no partido, Alcides Sakala destacou que as três candidaturas previstas – Isaías Samakuva (que se candidata a um quarto mandato), Paulo Lukamba “Gato” e Abílio Kamalata Numa (que ainda só manifestou intenção) -, demonstram a “vitalidade” da UNITA, que em 2016 celebra 50 anos (fundada em 1966).

“Os três mostram a vitalidade de um grande partido e constituem também uma forma de honrar Jonas Savimbi”, fundador e líder incontestado da UNITA morto em combate em 2002, na véspera de o partido comemorar 50 anos, justificou, afirmando desconhecer se, até domingo, último dia para entregar candidaturas, serão apresentados mais nomes à votação.

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