A presidente da Amnistia Internacional Portugal, Teresa Pina, congratulou-se hoje com o anúncio do fim da greve de fome do activista angolano Luaty Beirão, que considerou ter sido “um ato de bravura e coragem”.

L uaty Beirão, que está internado sob detenção numa clínica de Luanda, terminou a greve de fome de protesto contra a sua prisão preventiva ao fim de 36 dias. Por sinal, foi um dia por cada ano que José Eduardo dos Santos está no poder, sem nunca ter sido eleito.

A responsável da Amnistia Internacional Portugal classificou o fim da greve de fome como uma “boa notícia”, pois não houve “perda de vida humana”.

“É um acto de enorme coragem e de grande bravura por parte de Luaty, que decidiu que deveria terminar a greve de fome por entender que deve entrar noutra fase para enfrentar a questão”, disse.

Teresa Pina salientou que a “AI respeita as vontades individuais e não se intromete neste tipo de decisões”.

No entender da presidente da AI Portugal, com o fim da greve de fome evitou-se a deterioração da situação.

“Quero dizer também que a nossa expectativa mantém-se agora reforçada. Esperemos que se abra um novo capítulo no caso, designadamente que se olhe para o que está em cima da mesa: acusações num processo que envolve prisioneiros de consciência e que o julgamento não tenha lugar, que sejam retiradas acusações e as pessoas libertadas”, sublinhou.

Teresa Pina adiantou que, na quarta-feira, a organização vai ser recebida na embaixada de Angola em Lisboa, onde irá apresentar as suas mesmas preocupações e entregar uma petição, com cerca de 40 mil assinaturas, para a libertação dos activistas angolanos detidos.

“A embaixada de Angola respondeu ao nosso pedido de audiência [efectuado na semana passada]. Vamos ser recebidos amanhã [quarta-feira]. Esperamos, já num ambiente de menor tensão, ter a oportunidade de abordar a questão dos direitos humanos”, concluiu.

O advogado de Luaty Beirão confirmou o fim da greve de fome e remeteu mais informações para a família. “Ele quando falou comigo, na segunda-feira, já encarava essa possibilidade, de terminar a greve de fome. Era mais do que provável, de certo modo rendia-se aos apelos dos colegas e nomeadamente o último, que foi feito pela esposa, por causa da filha”, disse o advogado Luís Nascimento.

Até segunda-feira, Luaty Beirão cumpriu 36 dias em greve de fome, protestando contra o que dizia ser o excesso da prisão preventiva e exigindo aguardar julgamento em liberdade, como prevê a lei angolana.

O músico e activista, que também tem nacionalidade portuguesa, é um dos 15 activistas angolanos em prisão preventiva desde Junho, sob acusação de supostos actos preparatórios para uma rebelião em Angola e um atentado contra o Presidente da República.

O início do julgamento, que envolve outras duas arguidas em liberdade provisória, está agendado para 16 de Novembro, no Tribunal de Cacuaco, nos arredores de Luanda.

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