O ex-Presidente português António Ramalho Eanes chega terça-feira a Luanda para participar nas comemorações dos 40 anos da independência de Angola, convidado pelo Presidente angolano, José Eduardo dos Santos.

A informação foi confirmada hoje à agência Lusa, em Luanda, por fontes diplomáticas e do Governo angolano, que acrescentaram tratar-se de uma visita a título pessoal e que a representação oficial do Estado português nestas comemorações, na quarta-feira, será feita pelo secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Luís Campos Ferreira.

Ramalho Eanes era Presidente em Portugal quando José Eduardo dos Santos subiu ao poder em Angola, em 21 de Setembro de 1979, as mesmas funções que mantém há 36 anos, sem nunca ter sido nominalmente eleito.

Ramalho Eanes ao aceitar o convite cauciona um regime que, para além de ditatorial, é dos mais corruptos do mundo. É claro que até a verticalidade do ex-Presidente da República tem limites. É claro que o respeito pela dignidade de um Povo que, ao fim de 40 anos, continua a ser gerado com fome, a nascer com fome e a morrer com fome… tem limites.

O desfile civil e militar com exibição das Forças Armadas Angolanas, integrando 10.000 participantes, é um dos pontos altos destas comemorações em Luanda, no dia 11 de Novembro. Os milhões de angolanos que vivem na miséria comemoram, longe da face A do regime, eventualmente com uns copos de cachipembe, panos ruins, peixe podre, fuba podre, 30 angolares e porrada se refilarem.

No dia anterior acontece a inauguração oficial do novo edifício-sede da Assembleia Nacional de Angola, construído em Luanda pela empresa portuguesa Teixeira Duarte e que representou um investimento público superior a 185 milhões de dólares (167 milhões de euros).

Fonte da embaixada do Brasil em Luanda informou que a representação do país nestas comemorações será feita pelo vice-Presidente brasileiro, Michel Temer.

Também estão confirmadas as presenças em Luanda, para as comemorações da independência, dos presidentes de São Tomé e Príncipe, Manuel Pinto da Costa, e de Moçambique, Filipe Nyusi, este último em visita oficial a Angola desde domingo.

Uma comissão interministerial angolana está a preparar há vários meses as comemorações de 2015, prevendo, segundo o programa provisório que assistam ao desfile civil e militar, em Luanda, 7.000 convidados, entre populares e VIP, e uma centena de convidados “presidenciais”, em representação de vários países.

Ainda no dia 11 de Novembro está programado um almoço presidencial, na baía de Luanda, com 3.000 convidados.

Entre os dias 10 e 11 de Novembro decorrerá na capital o Festival da Liberdade, que envolve concertos ao vivo igualmente na baía da capital, protagonizados por 50 músicos para mais de 50.000 convidados.

Angola foi colonizada por Portugal durante cerca de 500 anos, tendo alcançado a independência em 1975, na sequência da luta armada levada a cabo pelos movimentos de libertação, MPLA, FNLA e UNITA.

A independência foi proclamada em Luanda por António Agostinho Neto, líder do MPLA, e no Huambo por Holden Roberto (FNLA) e Jonas Savimbi (UNITA).

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