O arcebispo do Huambo, D. José Queirós Alves, apelou hoje, domingo, nesta cidade, à juventude católica de Angola para permanecer firme na fé e com esse espírito de humildade, contribuindo para o bem-estar das comunidades.

Por Orlando Castro

O prelado católico fez esse pronunciamento durante a missa solene que marcou a abertura do jubileu dos 75 anos da missão católica de Santa Cruz do Canhe, onde 165 jovens receberam o sacramento da confirmação que os torna adultos na fé e 53 adolescentes renovaram as suas promessas baptismais.

D. José de Queirós Alves habituou-nos a dizer o que pensa ser a verdade, o que aliás corresponde aos mais altos desígnios da Igreja Católica. Em Julho de 2012, por exemplo, apelou à população da comuna de Chilata, município do Longonjo, para transformar o período eleitoral num ambiente de liberdade e de alegria.

O prelado, que fez esse apelo durante a celebração de uma missa, referiu que o povo angolano tem muitas soluções para construir uma sociedade feliz e criar um ambiente de liberdade onde cada um vai escolher quem entender.

“Temos de humanizar este tempo das eleições, onde cada um apresenta as suas ideias. Temos de mostrar que somos um povo rico, com muitas soluções para a construção de uma sociedade feliz, criar um ambiente de liberdade. É tempo de riqueza e não de luta ou de murros”, frisou.

D. José de Queirós Alves pediu aos crentes e à população em geral para pacificarem os espíritos, amor ao próximo e o perdão para a construção de famílias e sociedades fortes e firmes.

”Em Angola, a administração da justiça é muito lenta e os mais pobres continuam a ser os que menos acesso têm aos tribunais”, afirmou em 2009 (nada de substancial mudou até agora), no mais elementar cumprimento do seu dever, D. José de Queirós Alves, em conversa com o Procurador-Geral da República de Angola, João Maria Moreira de Sousa.

D. José de Queirós Alves admitia também (tudo continua na mesma) que ainda subsiste no país uma mentalidade em que o poder económico se sobrepõe à justiça.

O arcebispo pediu maior esforço dos órgãos de justiça no sentido das pessoas se sentirem cada vez mais defendidas e seguras: “O vosso trabalho é difícil, precisam ter atenção muito grande na solução dos vários problemas de pessoas sem força, mas com razão”.

Importa ainda recordar, a bem dos que não têm força mas têm razão, que numa entrevista ao jornal português “O Diabo”, em 21 de Março de 2006 (dez anos depois tudo continua na mesma), D. José de Queirós Alves disse que “o povo vive miseravelmente enquanto o grupo ligado ao poder vive muito, muito bem”.

Nessa mesma entrevista ao Jornalista João Naia, o arcebispo do Huambo considerou a má distribuição das receitas públicas como uma das causas da “situação social muito vulnerável” que se vive Angola.

D. Queirós Alves disse então que, “falta transparência aos políticos na gestão dos fundos” e denunciou que “os que têm contacto com o poder e com os grandes negócios vivem bem”, enquanto a grande massa populacional faz parte da “classe dos miseráveis”.

E, já agora, citemos Frei João Domingos que afirmou que em Angola “muitos governantes têm grandes carros, numerosas amantes, muita riqueza roubada ao povo, são aparentemente reluzentes mas estão podres por dentro”.

Ou ainda Mia Couto quando diz que “a maior desgraça de uma nação pobre é que em vez de produzir riqueza, produz ricos”, ou quando, a propósito de Carlos Cardoso, escrevia que “liquidaram um defensor da fronteira que nos separa do crime, dos negócios sujos, dos que vendem a pátria e a consciência”.

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