A Conferência Internacional do Audiovisual na CPLP, que começa a 9 de Novembro, em Lisboa, pretende criar condições para reforçar a coprodução e a circulação de filmes entre os países de língua portuguesa. Apesar da dimensão do mercado potencial, a circulação de obras continua reduzida e faltam dados sobre a actividade económica do sector.
A língua portuguesa aproxima cerca de 300 milhões de pessoas, mas essa dimensão ainda não se traduz numa circulação regular de filmes e conteúdos audiovisuais entre os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). A falta de informação sobre os mercados nacionais, as diferenças nos sistemas de financiamento e os obstáculos à distribuição continuam a limitar as oportunidades de desenvolvimento de uma indústria audiovisual à escala lusófona.
É neste contexto que Lisboa recebe, de 9 a 13 de Novembro, a Conferência Internacional do Audiovisual na CPLP, na Universidade Lusófona. O encontro reúne responsáveis pelas políticas audiovisuais dos Estados-membros, operadores públicos de televisão, produtores e organismos internacionais de financiamento e cooperação, com o objetivo de identificar condições para desenvolver projetos conjuntos e aproximar os diferentes mercados.
«Ainda é muito baixa a circulação das obras lusófonas junto das nossas audiências», reconhece Mário Borgneth, coordenador executivo do Programa CPLP Audiovisual (PAV III). O responsável considera que a dimensão potencial do mercado — cerca de 300 milhões de pessoas — representa uma oportunidade, mas sublinha que o seu desenvolvimento depende de condições políticas e estruturais, de dados mais consistentes e de mecanismos que assegurem a produção e a distribuição de conteúdos.
Uma das mudanças que o programa procura estimular é a passagem da cooperação para a coprodução. Se a primeira tem assentado sobretudo no intercâmbio cultural e institucional, a segunda pressupõe a associação de produtores e entidades em torno de projetos comuns, integrando também financiamento, investimento e relações económicas.
A conferência vai colocar em discussão os sistemas de apoio à produção, os enquadramentos legais, os mecanismos de financiamento, a formação de profissionais e as possibilidades de circulação através das televisões públicas, das salas de cinema e das plataformas de streaming. Estarão presentes organismos como a UNESCO, a Organização de Estados Ibero-americanos, a Eurimages, a Ibermedia, o Centre National du Cinéma francês e vários fundos internacionais.
A iniciativa integra a terceira edição do Programa CPLP Audiovisual, criado em 2015, e assinala uma década de cooperação entre os sectores audiovisuais dos países da comunidade. Para além da conferência, a Universidade Lusófona acolhe, entre 9 e 13 de Novembro, a mostra «Imaginários da Lusofonia», com filmes produzidos no âmbito da edição inaugural do programa.
