DURÃO BARROSO CONTINUA A SER FIXE PARA O MPLA

Durão Barroso, antigo presidente da Comissão Europeia, ex-primeiro-ministro de Portugal, ex-líder do PSD e velho e querido amigo do MPLA  disse hoje, em Luanda, acreditar no futuro de Angola desde que haja “a sabedoria” de manter a paz e estabilidade, pré-condição indispensável para o investimento em todos os sectores da economia.

José Manuel Durão Barroso foi hoje orador no primeiro Encontro Fora da Caixa em Angola, promovido pelo Banco Caixa Geral Angola, abordando o tema “Os Grandes Desafios Económicos e Geopolíticos da Actualidade”.

Descobrindo a pólvora, o ex-presidente da Comissão Europeia, disse que Angola tem recursos extraordinários, incluindo na área energética, actualmente um dos mais críticos, para ultrapassar as atuais tendências internacionais, que influenciam o ambiente económico mundial.

Apesar das dificuldades que Angola ainda enfrenta (o MPLA está no Poder há 50 anos), algumas delas estruturais, prosseguiu, o país tem condições para as ultrapassar, tendo paz e estabilidade.

Angola deve investir nos seus próprios recursos, não apenas naturais, mas humanos, considerou Durão Barroso, reiterando que acredita muito na capacidade africana, na energia, na resiliência do povo, na sua capacidade de sacrifício e dinamismo, com a vantagem de ser um dos continentes mais jovens do mundo.

“Acredito muito nessa possibilidade, abraçando as novas tecnologias”, disse, destacando a utilidade da Inteligência Artificial quando bem aproveitada.

Durão Barroso realçou a importância da colaboração entre os Estados-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), numa altura em que se assiste no mundo a uma grande fragmentação, em que “alguns procuram criar um conflito cada vez mais entre o norte global e o sul global”.

“Nós, países de Língua Portuguesa, estando no norte global, como é caso de Portugal, que faz parte da União Europeia, e Angola que faz parte da União Africana, e que temos uma certa cumplicidade cultural, linguística, podemos mostrar que, independentemente de ideologias, dos nossos interesses nacionais – que às vezes podem não coincidir -, [podemos] colaborar, isto é algo interessante, que a CPLP pode ser um exemplo de cumplicidade positiva num mundo cada vez mais dividido”, frisou.

Relativamente à tendência mundial, Durão Barroso disse que neste momento há imensos desafios geopolíticos, sendo o principal deles a incerteza que se vive face à competição entre as grandes potências, com questões energéticas e da transição climática.

“Tudo isso acrescentou incerteza a uma situação que já era muito complexa, e por isso se faz sentir hoje uma grande ansiedade na população a nível mundial e (…) há ainda mais preocupações sobre a economia”, enfatizou.

O risco geopolítico assumiu uma dimensão que antes não tinha e desafios, por exemplo, a nível energético estão a levar a mais inflação, aumento da dívida pública, sendo questões “que criam maior incerteza sobre a economia global”, afirmou.

Durão Barroso realçou que, face ao novo contexto mundial, num cenário de novos conflitos, a Europa está a fazer investimentos na área da defesa, procurando ligar esse investimento a uma nova política industrial e também à nova tecnologia.

“Porque a defesa também é uma parte da indústria e pode contribuir para o desenvolvimento industrial e para a inovação na área tecnológica, e a Europa, a meu ver, está a fazer e tem de fazê-lo pelas razões conhecidas”, acrescentou, defendendo que, “gostaria mais que esse dinheiro fosse para outras prioridades como a educação, habitação e saúde”.

“Mas sem segurança não se consegue nada e por isso a Europa, neste momento, perante as incertezas que foram criadas, sobretudo depois da invasão da Ucrânia, está de facto a investir mais na defesa”, sublinhou.

Recorde-se que 4 de Dezembro de 2019,  Durão Barroso, considerou “positivas” as reformas que estão a ser empreendidas em Angola, mas avisou que a economia do país “é um desafio permanente”. Em matéria de bajulação só mudou o destinatário. Antes chamava-se José Eduardo dos Santos e hoje chama-se João Lourenço.

Durão Barroso, que falava à Lusa à margem do II Colóquio Internacional sobre a História do MPLA (partido no Poder há 50  anos), afirmou que as reformas em curso em Angola são positivas, apesar de haver “muito trabalho a fazer”, pois a situação económica é “um desafio permanente”.

“Houve uma explosão demográfica, há que arranjar emprego para os milhares de jovens que todos os anos chegam ao mercado de trabalho”, apontou o antigo governante que liderava na altura o banco Goldman Sachs International.

Para Durão Barroso, “é uma situação muito difícil”, mas acreditava “que se estava a ir numa boa direcção”, vincou, destacando que essa era também a opinião das organizações internacionais e do Fundo Monetário Internacional (FMI) que estava então a implementar um programa de assistência financeira no país.

Questionado sobre se a UNITA, principal partido da oposição que o MPLA ainda permite, sob a nova liderança de Adalberto da Costa Júnior poderia disputar o poder ao MPLA,  sublinhou que Angola é um sistema político multipartidário onde se espera que as eleições se realizem na normalidade democrática.

“Todo o compromisso do MPLA – público e penso que não público – é com a democracia e hoje vimos aqui isso na própria apresentação que o MPLA faz da sua história, que apresenta como positiva a transição para uma democracia multipartidária”, disse.

O antigo governante português realçou: “O MPLA tem uma posição dominante no sistema político angolano, mas isso não quer dizer que não haja eleições, espero eu, em perfeita democracia”.

Durão Barroso que esteve nesse dia no colóquio a falar sobre a experiência da diplomacia portuguesa no processo de paz em Angola, lembrou as dificuldades sentidas quando, em 1987, foram iniciados os esforços do governo português para “virar a página colonial” e procurar estabelecer relações de amizade com os novos países.

“Nunca são fáceis as relações entre a antiga potência colonial e os novos países”, afirmou, indicando sobretudo o caso de Angola por causa da forma traumática como decorreram os acordos de Alvor e a relação particularmente intensa entre os dois países.

O antigo primeiro-ministro sublinhou igualmente a contribuição de Angola para a independência da Namíbia, o fim do regime de “apartheid” e até o desanuviamento da tensão entre os dois blocos, o Ocidente e o Leste, então divididos pela Cortina de Ferro, considerando que “a queda do muro de Berlim começou em África”.

Durão Barroso afirmou que o objectivo de Portugal foi sempre alcançar a paz e democracia em Angola, sendo um mediador isento entre os dois movimentos em conflito — UNITA e MPLA — lembrando que foram os acordos de Bicesse, que permitiram a realização das primeiras eleições livres multipartidárias em 1992.

Sempre com e pelo MPLA

José Manuel Durão Barroso é, sempre foi, um camarada de primeira linha do MPLA e amigo íntimo do clã presidencial anterior, tal como continua a ser do clã actual. Em tempos defendeu em Lisboa que Portugal devia assumir uma relação “descomplexada” com Angola, frisando que eventuais “sobressaltos” são normais.

Os “sobressaltos são próprios das relações íntimas. A relação é boa mas não é perfeita, tem de ser descomplexada e mais assumida” e que venha a corresponder aos interesses dos dois países, disse Durão Barroso, que intervinha ( 2014) na conferência organizada pela Câmara de Comércio e Indústria Portugal-Angola, sem especificar casos.

Por outras palavras, o camarada Durão Barroso entende que – como sempre foi a sua tese – Portugal deverá continuar a política de bajulação, subserviência e sabujice política, pelo menos enquanto o MPLA estiver no poder o que, calcula-se, deverá acontecer nos próximos 50 anos.

“Em Portugal temos a tendência de ver Angola de uma perspectiva portuguesa, mas é interessante olhar para Angola de outra perspectiva. Olhar de fora”, sublinhou na altura Durão Barroso acrescentando que as relações conheceram uma evolução nas últimas duas décadas.

Ou seja, Portugal deve olhar para Angola na única perspectiva válida, a do MPLA, sabendo que esta é (falta saber se continuará a ser) a torneira que mais alimenta Lisboa, seja a nível das lavandarias ou de outras negociatas.

Para Durão Barroso, Angola é um “parceiro indispensável” da Europa nas questões do Golfo da Guiné e é essencial verificar que se trata de um país que “dá confiança” para conter a pirataria, o tráfico de droga e o terrorismo.

Mais. Dá confiança até para cortar cerce qualquer perspectiva de Primavera interna, o que é uma garantia férrea para os interesses de alguns portugueses, nomeadamente dos que vegetam na latrina do chamado arco do governo.

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