EM NOME DO POVO, MPLA ROUBA E UNITA CRITICA

A UNITA considerou hoje “inaceitável” que em Angola, “país tão rico em recursos” se normalize a sobrevivência como modo de vida e criticou os “discursos optimistas” do executivo que “chocam” com a extrema vulnerabilidade das famílias. Ou seja, diz o que o Folha 8 tem escrito há mais de… 30 anos.

De acordo com o grupo parlamentar da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA, maior partido na oposição que, a muito custo, o MPLA ainda permite), o executivo angolano (do MPLA há 50 anos), no plano económico, tem apresentado discursos optimistas que chocam com a realidade das famílias.

“Os preços da cesta básica continuam a aumentar. Os salários perdem o poder de compra. O desemprego cresce, sobretudo entre os jovens. A economia continua dependente do petróleo. A agricultura, a indústria transformadora e as pequenas e médias empresas continuam sem financiamento”, disse hoje a deputada Albertina Ngolo.

Na sua declaração política trimestral, na abertura da oitava reunião plenária ordinária que decorre na Assembleia Nacional, a presidente do grupo parlamentar da UNITA lamentou também a situação de “grande vulnerabilidade” em que se encontram “milhões” de angolanos.

Disse a deputada que “persistem”, no país, a precariedade dos serviços de saúde, as limitações no acesso à educação de qualidade, a falta de água potável, saneamento básico e a “inconsistência das políticas de combate à pobreza”.

“As desigualdades sociais e regionais continuam a ameaçar a coesão nacional. É inaceitável que, num país tão rico em recursos, se normalize a sobrevivência como modo de vida”, criticou.

Relativamente aos 24 anos de paz e reconciliação assinalados em 4 de Abril, a deputada considerou que a situação política, económica e social do país “continua marcada por problemas estruturais graves, que exigem reformas profundas e uma governação centrada no cidadão”.

A deputada da UNITA enalteceu, por outro lado, a visita do Papa Leão XIV a Angola, que decorreu entre 18 e 21 de Abril, salientando que as suas intervenções apelaram às autoridades a colocarem o bem comum acima dos interesses particulares.

O Papa, “na sua sapiência e, certamente, atento ao processo político, foi mais incisivo ao dizer: sabei gerir conflitos, transformando-os em caminhos de renovação”, disse, defendendo um “trabalho conjunto” para a preservação da paz.

“Uma paz sem vencedores e vencidos, uma paz sem humilhação, sem recalcamentos e ressentimentos, uma paz que crie condições para uma reconciliação nacional genuína”, frisou.

A deputada entende que no plano político persistem em Angola sinais de enfraquecimento institucional e de redução do espaço democrático, “mantém-se a partidarização excessiva das instituições públicas, as limitações ao exercício das liberdades fundamentais e o desequilíbrio no funcionamento do Estado democrático de direito”.

Assinalou na sua intervenção que o Parlamento tem procurado ser espaço de diálogo e consenso, mas, realçou, “continua confrontado” com o desafio de se afirmar como verdadeiro órgão de fiscalização do executivo e como espaço de debate plural, “acima das conveniências partidárias, em defesa da separação de poderes”.

Albertina Ngolo considerou também que, nos primeiros três meses de 2026, se confirmou uma “tendência perigosa”: Angola “continua a ser governada por impulsos, propaganda e mecanismos de controlo, quando o país precisa de uma governação previsível”.

“Não estamos apenas perante erros administrativos. Estamos perante um padrão de governação desastrosa. O Orçamento não conversa com a realidade. As políticas económicas carecem de base produtiva”, apontou.

A presidente do grupo parlamentar da UNITA abordou também os ajustes directos autorizados pelo Presidente do MPLA e, por inerência, da República, general João Lourenço, e considerou que estes “continuam a tornar-se método normal de governação”. “O que devia ser excepção, tornou-se regra”, referiu.

No plano dos direitos, liberdades e garantias fundamentais dos cidadãos, a deputada criticou também a “criminalização da opinião” e denunciou a situação dos activistas Osvaldo Caholo e Serrote de Oliveira “General Nila” — presos na sequência dos protestos de Julho de 2025.

“Há presos políticos nas Lundas e no Moxico. Prisões sem fundamento substantivo, sem transparência processual”, lamentou ainda Albertina Ngolo.

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