O ano aproxima-se do fim. Um fim previsível e visível, próximo da funesta realidade da fome extrema, planificada pela política económica do regime. O Presidente da República, João Lourenço, reconheceu sem ressentimento ter sido, 2025, um ano mau… Com omissão… Não disse para quem… Seguramente, não se referia aos 20 milhões de pretos pobres… Mas das bolsas partidárias dos CAP’s não abastecidas com os milhões das adjudicações financeiras desviadas dos cofres públicos.
Por William Tonet
Mas como existe congresso do MPLA, em 2026 e, “bicefalicamente”, existe possibilidade de “nomeação”, e, daí novo desvio de petróleo para distribuição aos outros ricos- camaradas.
E eles acreditam, piamente, no chefe, por ter força, dinheiro e criado uma sociedade de famintos…
Em 2026, antes das eleições gerais, o MPLA avesso à alternância democrática, proclamara, na lógica da batata na lei da batota a República da ditadura e dos escravos, onde os autóctones angolanos, são vendidos, a baixo custo, aos novos colonizadores, chineses, especuladores ocidentais e fundamentalistas islâmicos.
E nesta estratégia anti- país, João Lourenço adopta a Síndrome de Estocolmo de fazer com que os milhões chicoteados, na pirâmide da fome, batam palmas as suas migalhas e bagos de milho. A miséria absoluta, coberta com analfabetismo, facilita a submissão… Mas este não é um estágio permanente, porque os exércitos da fome, criam muitas vezes, intelectuais formados na “universidade da vida”.
Por tudo isso, nunca os do andar de baixo olharam para os governantes com a convicção de estarem diante de uma corte imperial, insensível, a dor da maioria e submissa ao capital estrangeiro.
João Lourenço não apresentou contas onde privilegiasse os pobres, pelo contrário, vez mais exaltou os especuladores estrangeiros e as máfias que transformam Angola na maior lavandaria de dinheiro sujo do mundo.
Mandou as calendas do Lobito a Educação, apostando no incremento de armas de fogo, como garante do seu poder e regime…
Um país não é rico pelas suas riquezas naturais e forças armadas, mas pela capacidade do seu sistema de ensino e educação tem de formar quadros técnicos angolanos, com ambição obsessiva de transformar, localmente, por empresas angolanas e de angolanos, as matérias primas, gerando riqueza, desenvolvimento industrial, agropecuário, financeiro em benefício da colectividade.
Uma riqueza “made in Angola” tendo uma liderança comprometida em dar; pão, água, caderno, lápis, comprimido e vacina para todos, durante 365 dias.
Infelizmente, este sonho é, todos os dias, ao longo de 50 anos, amarfanhado, assassinado, pelo regime do MPLA…
Por esta razão, em 2025, de forma impotente, Angola e os angolanos, com os altos índices de miséria vai (vão) dobrar o cabo das tormentas, assistindo, pelas televisões, a nova corte imperial, com fatos e adereços ocidentais, desfilar ante o “rei”, fazendo-lhe juras de fidelidade canina, rindo-se, masoquistamente, no sumptuoso banquete palaciano, quando os vizinhos do Presidente da Chicala e Coreia, definham a fome e nem conseguem do lixo, uma espinha sequer para palitar.
É a prossecução do mal… dos senhores do palácio e mansões imperiais, indiferentes as sirenes da miséria e os choros de milhões de crianças, paridas com fome, crescidas à fome, com previsão de morrerem à fome.
PAÍS VENDIDO, PAÍS SAQUEADO
Os gritos, hoje, 2025, continuamente, desprezados, ignorados por uma elite insensível e antinacionalista que “vendeu”, colonialmente, o país aos especuladores ocidentais, asiáticos e fundamentalistas islâmicos, podem um dia, invadir as ruelas e avenidas de todo o país, em nome da libertação do novo jugo colonial.
Uma colonização que tem o domínio e controlo de 99,5% da soberania económica de Angola.
Noutro extremo, a adopção, não por ingenuidade ou cegueira, mas por opção mercantilista da elite, face às políticas severas do FMI, Banco Mundial, organizações criadas para o desenvolvimento da Europa e nunca de África, constitui, por parte dos dirigentes angolanos, um crime contra a humanidade.
A entrega das terras aráveis e raras, a chineses, ocidentais especuladores, o comércio e finanças, a fundamentalistas islâmicos, as padarias, água, transportes a grupos mafiosos, numa total e completa privatização do Estado, que cega responsabilidades aos sectores sociais e aos mais vulneráveis, constitui um verdadeiro genocídio, ao sonho de independência, que milhões acreditaram, ter chegado com a partida dos colonos…
Este crime é imprescritível é insusceptível de amnistia, logo os traidores, vendilhões do país, um dia, terão de pagar os danos causados aos milhões de autóctones.
Autóctones remetidos à miséria extrema, com falta de tudo, até mesmo dos direitos fundamentais da dignidade de cidadania.
O MPLA apresenta, em todos momentos, horas e anos, balanços cacofónicos contra os desgraçados, que se alimentam, diariamente, nos contentores e monturos de lixo, onde recolhem sobejos, dos que ainda têm refeições ao dia e restos para deitar.
Um balanço e linguagem excelente para os corruptos, corrupção e máfias de lavagem de dinheiro e exploração mineral e sexual.
O Presidente da República, João Lourenço, em cada discurso, no último de 2025, não se deu conta ou fê-lo, propositadamente, afastou a empatia, que um dirigente deve ter, em determinadas ocasiões, se não o fizer o tempo todo, com a maioria dos sofridos miseráveis, expressamente, excluídos da Constituição e do Orçamento, ao não lhes dirigir, sequer uma palavra de alento… Em relação ao emprego, a baixa dos preços da cesta básica, a gratuitidade do ensino primário ao universitário.
Na ausência destes planos macros foi também, insensível ao não baixar, sequer em homenagem aos 50 anos de independência do MPLA, o preço do pão à 50 kwanzas, passando as padarias para domínio e controlo de angolanos.
João Lourenço na rota da destruição do país e MPLA opta pela fórmula “Zero” contra os milhões de pobres, defendendo os milhões de dólares de uns poucos dirigentes. Uma tese assassina e perversa, capaz de ressuscitar por saturação, um novo eclodir da guerra.
ELEIÇÕES CAPAZES DE ESTIMULAR GUERRA
Ninguém acredita na capacidade do regime inverter o quadro dantesco, actual face a descrença dos eleitores, nas estruturas com viés de democraticidade, por estarem minadas pela batota, corrupção e fraude.
Num cenário onde falece a força do voto, enquanto expressão da soberania popular, tantas e tantas vezes traída, pelo regime, face à saturação do exército eleitor-juvenil, poderá eclodir um levante massivo dos indignados.
Manuel da Silva Manico “, presidente da CNE (Comissão Nacional Eleitoral), não tem um décimo de credibilidade, por ser visto como a expressão-mor da batota e da corrupção eleitoral, a insistência na sua manutenção, pelo MPLA poderá estimular uma guerra, pós-eleitoral em 2027.
Mas tudo pode ainda ser diferente, se antes das Calemas, se levantarem ondas da intelectualidade patriótica, para, com pragmatismo pátrio, aderir a um “Pacto de Regime” capaz de afastar as “naves mentais da violência”, aproximando todas as correntes diferentes, para à projeção de um originário “Poder Constituinte”, capaz de eleger uma verdadeira Assembleia Constituinte, para traçar as novas normas jurídico-constitucionais, para a elaboração e aprovação de uma Constituição democrática, onde os sentires, gemeres, línguas, culturas e tradições dos vários povos e micro-nações, que compõem o mosaico da actual Angola, estejam expressamente incluídos.
Mas como o Presidente da República não fala, nem falou, mais do que a sua legítima pretensão de perpetuação no poder, tudo continuará em regime de tensão.
Mas seria prudente que o MPLA se distanciasse do sentimento de arrogância, petulância e impunidade, para se unir, ainda, a uma franja dos povos saturados com a governação.
Não é líquido que vingará, por muito tempo, a pretensão de João Lourenço continuar, na liderança de qualquer órgão de poder: partidário (MPLA) ou estatal (República), isso por ser acusado, por muitos, interna e externamente, de ao longo dos mais de oito (8) anos de poder ter privilegiado mais para satisfação das vaidades umbilicais, do que a resolução das ingentes necessidades da maioria dos 20 milhões de pobres, expressamente excluídos do mapa da comida.

