DITADURA DA COMIDA É MELHOR DO QUE A DEMOCRACIA DA FOME?

A pergunta inocente ou não, calcorreia nas avenidas mentais de muitos, que me indagam: como primeiro mediador angolano do processo de paz (Acordos de Cessar-Fogo, entre as Tropas da UNITA-FALA e do MPLA-FAPLA, aos 19 de Maio de 1991-Alto Cauango) como não foste condecorado? A resposta é simples.

Por William Tonet

Fui sim condecorado, não materialmente, por João Lourenço, mas pela memória dos povos, com a medalha da INDEPENDÊNCIA IMATERIAL. Uma bênção! Mais, tendo tribo, sendo assumidamente, preto, nascido e crescido na mata e no mato, com coluna vertebral erecta, que não vende os seus ideais…

Não bajula o regime, abomina envelopes e caixas refrigeradoras de dólares envenenados, nunca poderia ser opção de um regime, que condecora assassinos, genocidas, colonialistas e traidores do país. Fosse eu ocidental, mercenário, até nome de avenidas e instituições teria, com convites e lembranças em todas parangonas do regime e oposições… Estou por isso orgulhoso, pois tal como a água, os povos têm memória.

Os dirigentes do regime, irremediavelmente, perderam a bússola mental. O navio navega sem rumo e, com o actual comandante e tripulação, não ancorará, nunca, em porto seguro.

Há 50 anos no poder, o regime não consegue ser honesto consigo mesmo. Mente. Mente-se. Envergonha o todo africano e, angolano, quilometricamente.

Nesta altura, Outubro de 2025, o país conhece a mais alta taxa de crianças fora do sistema de ensino: 9 milhões, o cadastro vergonhoso de 12 mil árvores, como salas de aulas, 35 mil escolas sem carteiras (país com uma das maiores florestas tropicais), quadros, casas de banho, laboratórios, bibliotecas, ginásios e merenda escolar.

A mortalidade infantil e adulta, atinge números estratosféricos, face a má gestão dos ditos revolucionários, com o incremento de epidemias, antes “colonialmente”, debeladas.

No país governado por Angola, 15% das crianças sofrem de subnutrição aguda, com uma taxa de mortalidade infantil de 44 mortes em cada 1.000 nados-vivos.

Com cerca de 68 crianças em cada 1.000 morrem antes de completar os 5 anos de vida, muito por o anterior sistema primário de saúde público colonial, ter sido, “analfabrutamente” assassinado, onde a maioria dos postos médicos e dispensários, foi transformada em sedes partidárias.

Mas diante de todo este quadro dantesco, o regime do MPLA, numa atitude (neo)colonialista, complexada, mas de traição ao país e aos angolanos, convida a selecção da Argentina (país mais racista da América Latina, que exterminou os escravos e populações pretas, para se tornar num país exclusivamente branco), para uma partida de futebol.

O regime do MPLA atingiu o pico da desgovernação. Assusta a sua insensibilidade, pois ante a multiplicação dos pobres, obrigados a alimentar-se nos contentores e monturos de lixo, provocatória e desafiadoramente, aumenta os gastos públicos, as contratações simplificadas, as viagens presidenciais, as obras faraónicas, cúmplices da ladroagem institucional e crescimento da nova classe de corrupção.

Como um país africano, cuja independência se deveu a contribuição do MFA (Movimento das Forças Armadas- capitães de Abril de Portugal), países vizinhos: Zaire (actual RDC), Congo Brazzaville, Zâmbia, Tanzânia e aliados, como a Rússia, Cuba, Egipto, Kénia, Guiné Equatorial, Argélia, Jugoslávia e China, opte por convidar, milionariamente, um país distante, cuja relação, com Angola, foi sempre comercial.

Ademais, o Executivo diz por não haver dinheiro para recrutar jovens professores, enfermeiros e técnicos para a Função Pública, elevando para números indecifráveis o desemprego, fome, alta dos preços dos produtos da cesta básica e miséria.

Não fosse suficiente esta maldade, aumentam-na, ao decidir salvar os argentinos, cuja federação e país estão na bancarrota, pagando-lhes a ofensiva e criminosa quantia de mais de 18 milhões de dólares, para um jogo de 90 minutos.

Considero um crime contra a humanidade.

A humanidade dos autóctones, excluídos, discriminados, na própria terra, por políticos, assimilados, com mente colonial, fortes limitações de gestão e má administração da “rés publica”.

Só dirigentes negros, deste país plantado na África Austral, sem vergonha, assume, orgulhosamente, a agenda de especuladores ocidentais, asiáticos e fundamentalistas islâmicos, entregando-lhes a soberania nacional.

O Executivo, na sua política de raiva e ódio, enforcou os empreendedores e a pequena burguesia emergente, entregando património público a máfias estrangeiras, cuja agenda é a contínua exploração das nossas matérias primas, terras raras e aráveis e mares.

Hoje quem desfila por Luanda e demais províncias indigna-se com o poderio económico dos estrangeiros, incluindo na zunga, hoje temos mulheres estrangeiras.

É a decadência total do país.

Os dirigentes mostram-se insensíveis, indiferentes, quais masoquistas, ao sofrimento dos governados.

Falam em democracia, mas estendem a bandeja da fome absoluta.

Masturbam-se, mentalmente, abrindo os cordões à bolsa (dinheiro que negam aos indígenas) para ver Messi e companhia em final de carreira.

O jogo Angola vs Argentina não vai melhorar a vida dos pobres, pelo contrário, vai aumentar a indignação, a revolta contra o MPLA e o Presidente da República, podendo dar azo ao nascimento de um ou vários movimentos extremistas.

Estes, no actual cenário, de divisão interna insanável no MPLA, têm as condições objectivas e subjectivas para a implantação de uma ditadura militar ou ideológica.

Se implantada, poderão, como estratégia repristinar a lógica do mau-bom, na lógica de ser má uma democracia que multiplica a fome, miséria e injustiça, ante uma ditadura, que dá comida, colocando o pobre no centro do orçamento, permitindo-lhe fazer três refeições ao dia, tornar gratuito o ensino e ordenar o fim das propinas especuladoras nos colégios dos dirigentes.

Por tudo isso, desafio os autóctones angolanos com higiene intelectual a não participarem no regabofe do jogo entre os Palancas Negras (Angola) e a Azul Celeste (Argentina).

Eu, revolucionariamente, com sentido patriota e nacionalista, não vou participar na fanfarra, no dia 14 de Novembro de 2025, no estádio 11 de Novembro, em Luanda.

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