A renúncia do presidente do Supremo angolano mostra crise no sistema judicial, afirma UNITA. Para o presidente Adalberto da Costa Júnior é igualmente “anormal” que haja concursos para novos juízes conselheiros do Supremo, cujos processos foram analisados e aprovados pelo juiz presidente do Tribunal Supremo.
O presidente da UNITA, na oposição, disse esta sexta-feira que a renúncia do presidente do Tribunal Supremo (TS) de Angola é sintomática de “crise no sistema judicial, considerando “anormal” as últimas alterações neste sistema.
“Fiquei surpreendido não por esta demissão apenas, mas pelo conjunto de alterações no sistema judicial que, sendo estratégico todo ele, não é normal que num mesmo período haja alterações no Tribunal Supremo, haja eventuais alterações na liderança da Comissão Nacional Eleitoral (CNE)”, afirmou Adalberto da Costa Júnior quando questionado pela Lusa.
Segundo o presidente da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA, maior partido na oposição) é igualmente “anormal” que haja concursos para novos juízes conselheiros do TS, cujos processos foram analisados e aprovados pelo juiz presidente do TS, Joel Leonardo.
“Então, é todo um quadro que a cidadania deveria acompanhar, as instituições deveriam acompanhar com a moralização necessária de um sector estratégico como é o da justiça, é sintomático de crise, naturalmente”, salientou.
Adalberto da Costa Júnior, que falava à margem do Angola Economic Fórum (AEF2025), que termina esta sexta-feira em Luanda, lamentou ainda o actual quadro social e económico do país, tendo referido que Angola “tem problemas gravíssimos de reforma generalizada, problemas sociais, económicos, políticos, institucionais”.
“Num quadro tão difícil”, é preciso encontrar soluções, “porque não somos seres passivos – e elas não são complexas, elas vêem de nós e dependem de diálogo, organização estrutural, de visão estratégica e de disponibilidade para fazer as reformas que o país precisa”, afirmou o político.