O Governo angolano (do MPLA há 50 anos) defendeu hoje que os Estados africanos devem acelerar a implementação do Mercado Único Africano de Transporte Aéreo para facilitar a mobilidade no continente e dinamizar a ligação entre os países.
O secretário de Estado para os Transportes Terrestres de Angola, Jorge Bengue, afirma: “Precisamos continuar a construir uma África cada vez mais conectada. Uma África com reguladores e companhias aéreas efectivamente fortes, uma África, acima de tudo, interligada, onde a mobilidade entre os nossos países deixa de ser um desejo e passa a ser uma realidade efectiva”.
Em declarações na abertura da 57ª Cimeira da Associação Africana das Companhias Aéreas (AFRAA, na sigla inglesa), que decorreu em Luanda, o governante angolano disse que “nenhum africano se orgulha” com o facto de algumas viagens intercontinentais ainda dependerem de ligações com a Europa.
De acordo com Jorge Bengue, os governos africanos devem continuar a trabalhar todos os dias, visando criar o ambiente de negócio necessário e favorável para que o mercado da aviação civil no continente africano permita a criação de transportadoras aéreas “mais robustas”.
“Os nossos Estados devem acelerar a implementação do Mercado Único Africano de Transporte Aéreo para facilitar a mobilidade no continente e dinamizar a rede de ligação entre os nossos países”, referiu.
Para o governante, o futuro do sector da aviação civil na região será definido pela capacidade colectiva de transformar desafios complexos em oportunidades de crescimento partilhado.
Na sua intervenção, Jorge Bengue destacou também algumas ações e resultados da aposta do Governo de Angola no sector da aviação civil, salientando que, nos últimos anos, foi assumida uma estratégia de reconstruir, consolidar e modernizar todo o sistema de aviação civil.
“Estas reformas não foram circunstanciais, foram e são estruturais”, salientou, argumentando que estas envolveram políticas de céus abertos, a reorganização institucional do sector dos transportes, o reforço regulatório da Autoridade Nacional da Aviação Civil, investimento em capital humano especializado e construção e operacionalização de infra-estruturas.
Jorge Bengue assinalou igualmente a inauguração e as operações do Aeroporto Internacional António Agostinho Neto, em Novembro de 2023, dando nota que nos próximos dias será conhecido o vencedor do concurso internacional para a gestão da nova infra-estrutura aeroportuária.
As acções em curso no sector da aviação civil visam ainda “procurar garantir a eficiência, a rentabilidade e a atracção de novos investimentos, reforçando a posição de Angola como um efectivo “hub” regional”, adiantou o secretário de Estado, destacando ainda os investimentos no aumento da frota da TAAG e a construção, reabilitação e certificação de infraestruturas aeroportuárias a nível do país.
A 57ª cimeira da AFRAA, subordinada ao tema “Céus Sustentáveis, África Conectada”, é uma organização da transportadora aérea angolana – TAAG e reúne líderes governamentais e do sector empresarial, parceiros institucionais e operadores do sector da aviação provenientes de África e de várias partes do mundo.
Entretanto, a TAAG celebrou com a South African Airways (SAA) um acordo de cooperação comercial, para ligar a rede de destinos de ambas as companhias aéreas, através de um acordo de ‘codeshare’.
Num comunicado de imprensa, a companhia aérea angolana referiu que Luanda (Angola), Joanesburgo e Cidade do Cabo (África do Sul) vão tornar-se ‘hubs’ de ligação para os voos de escala, a nível regional e intercontinental.
“Através deste acordo de ‘codeshare’ (código compartilhado), a TAAG reforça a sua conectividade na região da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), com a retoma das ligações para Harare, capital do Zimbabué, e Lusaka, na Zâmbia, através de voos com escala em Joanesburgo ou Cidade do Cabo, com o último troço da viagem a ser realizado pelo parceiro South African Airways”, refere-se no comunicado.
Este acordo de cooperação comercial, adicionalmente vai permitir também a expansão da TAAG e a mobilidade dos seus passageiros, aos destinos da rede da South African Airways (SAA), nomeadamente rotas de elevada procura e atractividade, como Durban e Porth Elizabeth, na África do Sul, Ilhas Maurícias, Victoria Falls, ou Dar El Salaam, no continente africano.
A novidade vai permitir também atingir destinos intercontinentais, como a cidade de Perth, na Austrália, entre as demais possibilidades da rede da SAA.
“O acordo de ‘codeshare’ permite à TAAG e SAA comercializarem bilhetes de passagem, incluindo os destinos do parceiro, aumentar a cobertura de rede e colaborar na força de vendas”, destaca-se no documento.
A TAAG vinca ainda que o regime de ‘codeshare’ “traz um conjunto de vantagens para os passageiros, como mais opções de tarifas à sua escolha, aquisição de um bilhete único em moeda local (para itinerário de viagem em ambas as companhias), garantia de protecção nos voos de ligação, facilidade na reserva de voo, check-in e despacho de bagagem (em trânsito), além de o passageiro usufruir de mais destinos, com a rede TAAG e SAA combinadas.

