ÍNDIA OFERECE AO MPLA MEDICINA AYURVEDA PARA CURAR BITACAIAS

O Presidente do MPLA, usando – por inerência – o fato de Presidente de Angola, manifestou hoje o desejo de reforçar a cooperação com a Índia, sobretudo na área da saúde, incluindo a formação de especialistas, e convidou investidores indianos a abrirem fábricas no país. Ou seja, os indianos são convidados a fazer o que o MPLA não conseguiu a fazer em 50 anos – trabalhar.

O general João Lourenço falava aos jornalistas após receber a sua homóloga indiana Droupadi Murmu no Palácio Presidencial, naquela que é a primeira visita de um Presidente da Índia a Angola, seis meses depois da deslocação do chefe de Estado do MPLA a Nova Deli.

O igualmente chefe do executivo angolano destacou que Angola e a Índia mantêm “relações de amizade desde 1979” e sublinhou a necessidade de “reforçar as relações de cooperação entre os dois países”.

“Identificámos as áreas de interesse comum que devem ser desenvolvidas e precisamos, daqui para a frente, de colocar em funcionamento a Comissão Mista Bilateral e, a partir daí, fazer tudo para pôr em prática os entendimentos alcançados até à presente data”, afirmou, acrescentando: “Precisamos de fazer as coisas acontecerem.”

João Lourenço frisou que Angola está particularmente interessada em cooperar com a Índia no setor da saúde, sobretudo para que os especialistas angolanos possam beneficiar de formação nas universidades indianas. É, aliás, um “copy paste” regularmente usado pelo general dono do país sempre que recebe um alto dignitário estrangeiro.

“Queremos particularizar o caso da luta contra o cancro, uma das poucas doenças que ainda nos obriga a enviar para o exterior cidadãos angolanos acometidos por esta enfermidade”, referiu João Lourenço, manifestando o desejo de que os especialistas indianos acompanhem o evoluir das obras do novo hospital de oncologia e o tipo de equipamento que está a ser instalado.

Embora as bitacais não provoquem doenças graves, nem cancro, sempre que João Lourenço é atacado por este insecto díptero da família dos tungídeos, frequente em regiões quentes, que se pode introduzir na pele dos hospedeiros e provocar ulcerações, vai tratar-se na Europa ou nos EUA.

O Presidente do MPLA acrescentou que gostaria de ver investidores indianos a montar fábricas de produção de medicamentos e vacinas em Angola, lembrando que “a Índia é muito forte neste domínio, sobretudo na produção de genéricos, com os quais abastece praticamente todo o mundo”.

Além da saúde, João Lourenço destacou a cooperação nas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) e na indústria aeroespacial, referindo que Angola dispõe (embora esteja em parte incerta) actualmente de um satélite de telecomunicações e encomendou um segundo, de observação. “Gostaríamos que, também neste domínio, andássemos lado a lado com a Índia, que tem ciência muito avançada neste sector”, disse.

O sector da defesa foi outro ponto abordado. O chefe de Estado salientou que a Índia “deu saltos significativos no desenvolvimento de sistemas avançados, drones e outros equipamentos”, sublinhando o interesse de Angola em trabalhar com a Índia no sector de defesa e segurança, “não apenas para importar”, mas também para instalação de fábricas em território angolano, “de modo a haver transferência de conhecimento e Angola poder tornar-se produtora de armamento de última geração”.

A Presidente indiana felicitou Angola pelos 50 anos de independência (terá até tomado nota da tese de que o MPLA fez mais em 50 anos do que os portugueses em 500) e pela liderança na União Africana, recordando que, durante a visita de João Lourenço à Índia, foram revistos vários aspectos da cooperação bilateral e assinados memorandos, incluindo uma linha de crédito de 200 milhões de dólares para apoiar os sectores da defesa e acordos para o desenvolvimento da medicina ayurveda (terapia complementar milenar de origem indiana que utiliza técnicas de massagem, nutrição, aromaterapia e fitoterapia, por exemplo, como método de diagnóstico, prevenção e também cura, baseada nos estudos do corpo, alma e mente) e agricultura.

A dirigente destacou que a parceria entre a Índia e Angola “baseia-se em confiança mútua e numa visão de prosperidade para os nossos povos” e sublinhou que o encontro com João Lourenço permitiu “identificar novas formas de reforçar a cooperação e diversificar os laços”.

“Ambas as partes estão comprometidas e desejam trabalhar em conjunto para reforçar a nossa parceria e levar esses temas adiante”, afirmou.

Durante o encontro de hoje, delegações ministeriais de Angola e a Índia assinaram vários instrumentos jurídicos nos domínios das pescas, aquicultura e recursos marinhos, serviços aéreos, fauna e biocombustíveis.

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