O país não aguenta mais a continuidade deste circo de faz de conta, girando e patinando com carretos partidos, que não o tiram do mesmo sítio, em função da aselhice, quer dos mecânicos assucatados quer dos condutores que confundem a gestão da coisa pública com o ego umbilical dos palhaços, trapezistas no… solo. É hora de acabar com a pirotecnia, arregaçar as mangas e trabalhar, criando a unidade na diversidade (veja a análise de William Tonet).

A estratégia do Presidente da República, João Lourenço, de imitar o Ocidente no combate aos crimes de corrupção eclipsou-se, por falta de um conhecimento realista sobre a realidade do país a viver uma profunda e talvez insanável crise económica, social e política, agravada com a crise mundial, que atinge duramente o principal produto de exportação: o petróleo.

Hoje já estamos na era do petróleo artificial, logo o de Angola poderá ser descartado e ficar nos porões dos navios, razão pela qual os Estados Unidos, depois da visita de Mike Pompeo se negaram a investir na indústria petrolífera angolana cada vez mais com os dias, que mais parecem noites tenebrosas, contados.

Daí esta hora ser a hora da inteligência, não do autoritarismo, que redunda numa montanha de nada, melhor, miséria popular, em função do desemprego galopante e da incapacidade de criação de empregos.

Neste quesito, o governo eleito de 2017, tal como os anteriores é mau, com uma equipa económica incompetente, sem capacidade de gizar um programa realista, de acordo com as possibilidades e recursos financeiros e humanos do país.

Do ponto de vista político, a estratégia de nada mudar, salvo a retórica de condenar e apunhalar camaradas do passado, tem acirrado as divisões e a paralisia de agentes partidários colocados na Administração Pública, com prejuízos incalculáveis para o país que, apesar de tudo, não vê com bons olhos, um critico, por melhor que sejam as suas promessas, a não abdicar dos super-poderes, herdados de quem cataloga de “marimbondo-mor”, maior corrupto, maior gatuno e outros epítetos que envergonham igualmente quem os emite.

Combater os crimes de corrupção é tarefa de nobreza, ética, moral e exemplo de boa gestão da coisa pública. Quem não tiver estes pergaminhos e ousar, apenas organizar olimpíadas para correr individualmente, terá sempre como vencedor o próprio umbigo, principalmente, quando o epicentro do flagelo está clonado ao partido que foi único e com o advento da pseudo-democracia se tornou em único partido, logo, responsável pelo descalabro do país.

Ora, houvesse higiene intelectual, seguramente nunca seria adoptada a lógica de encontrar batatas boas, num saco de podres. É e será sempre um exercício inglório.

Uma víbora por ser despelada, não deixa de ser venenosa…

Por esta razão, com o país pior, até que no tempo da Guerra, com populações a morrer de fome, desemprego galopante, encerramento de empresas, é hora de dizer chega. De dizer, basta!

O gráfico mental dos cidadãos está a subir em espiral, porque a vaidade barroca e matumba dos dirigentes prenderem alguns, deles mesmo, não garante, por incapacidade de gestão, comida, emprego, escola e saúde, descredibilizando cada vez mais o Titular do Poder Executivo, que todos os dias mete no seu pote, adversários de todos os quadrantes da sociedade, convicto de estar imune à indignação.

É hora de ver a realidade, pois quando a fome aperta, diz a ciência política, o estômago passa a controlar ou descontrolar a mente, para acções de implosão, principalmente, se aos civis se aliarem militares e oficiais generais, humilhados.

A prudência, seriedade e o compromisso com os cidadãos impõe aos novos actores alavancar a âncora da humildade, conclamando todas as inteligências do país, principalmente, as despartidarizadas, para um ajuste de contas, contra o “eumismo” partidocrata, que coloniza, com resultados desastrosos, Angola desde 1975.

Seria, houvesse humildade, o primeiro passo de bom senso, para audição, à volta de uma embala ou mulemba, todas as forças políticas e profissionais, convergentes e divergentes, para se unirem num mesmo propósito; o estabelecimento de um Pacto de Regime visando o bem comum dos autóctones que, ao se de todos, seria de cada um.

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