Os eufemismos da comunicação social do Estado, propriedade do MPLA, são demasiadamente hipócritas, porque não acreditamos que seja ingénua, na tentativa de lavagem da imagem da polícia nacional da Re(i)pública da Angola do MPLA. Ela diz que o dever da polícia é “proteger e servir” os cidadãos. Quererá dizer que é proteger e servir os cidadãos que são dirigente do MPLA?

Por Domingos Kambunji

Os sobas da polícia, que transitaram da anterior gerência do país e ocupam posições de topo na actual gerência ficaram famosos a reprimir, espancar selvaticamente, prender e incriminar cidadãos que se manifestavam contra a corrupção e em defesa de valores democráticos. Algum desses kapangas foi condenado pelas arbitrariedades criminosas que praticou? Algum desses moços para todos os recados foi demitido ou castigado por obedecer às ordens superiores de um partido ditatorial e corrupto? Não! Foram promovidos, nomeados para outras posições de chefia ou transferidos para exercerem as mesmas ou outras funções noutras localidades do país.

Esses órgãos de comunicação, tentando “pintar e perfumar os beiços do porco” dizem que a função da polícia é proteger e servir o povo? A polícia nacional da Re(i)pública da Angola do MPLA, infelizmente, ficou famosa por, muitas vezes, não proteger mas sim servir-se do povo. Que em Angola não tem conhecimento de situações e informações de a polícia nacional da Re(i)pública da Angola do MPLA exigir o pagamento de gasosa a pessoas com limitados recursos económicos?

A polícia nacional da Re(i)pública da Angola do MPLA “levou tranquilidade às pessoas” quando espancou selvaticamente, numa esquadra de Luanda, a Laurinda Gouveia por se manifestar contra a corrupção e a ditadura do MPLA?

E quando matou zungueiras, estava a “levar tranquilidade às pessoas”? E quando, dentro do período de calamidade, assassinou várias pessoas, estava a “levar tranquilidade”? E quando permitiu que um médico morresse numa esquadra da polícia, porque não usava máscara dentro de um automóvel, estava a “levar tranquilidade”?

O número de casos de prepotência da polícia que obedece às ordens superiores do MPLA é demasiado elevado. O mais triste é que os que obedecem às ordens superiores, nalguns casos, são condenados pelo sistema judicial mas os instigadores, que promovem esses comportamentos selváticos, nunca são responsabilizados pela cultura sanguinária que impõem. Veja-se o caso do ministro dos “rebuçados e chocolates”… A incompetência e covardia da presidência são tão evidentes que ainda não o demitiram, ainda não o condenaram por ser tão estupidamente carrasco, incapaz de demonstrar o mínimo de civilidade e inteligência para o desempenho de um cargo ministerial.

A comunicação social do Estado, propriedade do MPLA, hipocritamente, condena as práticas de racismo da polícia de alguns estados norte-americanos contra negros. As imagens provenientes dos Estados Unidos mostram manifestações multirraciais contra essa arbitrariedade das forças policiais. Alguns comandantes da polícia pediram a demissão ou foram demitidos ao ser reconhecida injustiça e negligencia.

Na Re(i)pública da Angola do MPLA é impossível a realização de demonstrações de repulsa semelhantes, a nível nacional, devido à cultura do medo imposta pelos Josés Estalines africanos, Agostinho Neto, José Eduardo dos Santos e João Lourenço – os dois últimos formatados na União Soviética.

A verdade é que, especialmente durante o período da pandemia, os jovens angolanos que foram mortos pela polícia do MPLA não eram filhos de dirigentes do MPLA nem tinham dinheiro para estudar naquelas universidades muito caras do estrangeiro, como acontece com os filhos do presidente ou do ministro dos “rebuçados e chocolates”.

A comunicação social do Estado, propriedade do MPLA, hipocritamente, pede para não se estigmatizar a polícia nacional. Querem que se aplauda a estupidez, incivilidade e prepotência? Os agentes que andam no terreno são os menos responsáveis pela violência e selvajaria porque apenas cumprem as ordens superiores baixadas pelos cangaceiros do re(i)gime estalinista angolano.

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