Senhor Presidente,
Não consigo, em quarentena, deixar de manifestar a minha incontida tristeza por terem morrido, em dois dias (19 e 20 de Abril), em Luanda, mais angolanos pobres, pela chuva do que do coronavírus. O senhor, pela primeira vez não é culpado, faço-lhe a vénia.

Por William Tonet

A descarga vinda dos céus, de forma brutal, principalmente em Luanda, a capital, onde tem o Palácio Presidencial, ultrapassou todas as perspectivas.

Certo!

A culpa de muitos estragos é mesmo da chuva, que veio de forma desproporcional, pese a sua mais-valia, nos campos e arejamento ambiental.

Mas, senhor Presidente da República, pela primeira vez tive noção, ao presenciar o silêncio tumular de quem de direito, em relação à honestidade, sobre o significado da palavra, Marimbondos, aplicada aos seus camaradas, na capital da ex-Metrópole: Lisboa.

Afinal, com estas últimas chuvas, a sua legitimidade quis dizer: MPLA = (igual) Marimbondos!

MPLA = Quadrilha! MPLA=Incompetência!

Boa! Parabéns!

Agora, uma pergunta de coração: o Senhor quando diz querer mudar o passado, também o seu (logicamente), orgulha-se, de ainda fazer parte desta organização, com práticas criminosas?

Porque, desculpe a inocência e ingenuidade da minha parte, ao faltarem dois anos, de mandato, vinculado a tanta e tamanha incompetência, corre o risco de não ser reeleito e, depois, ser, eventualmente, perseguido, pior do que a caça feita a José Eduardo dos Santos, filhos e próximos?

Isso é prudente? Não!

Senhor Presidente,

Deus enviou-lhe esta chuva para o despertar do que deveria ou deve fazer, estando tudo tão degradado e não tendo elaborado, previamente, um plano B, caso falhasse, como falhou, o seu combate selectivo contra a corrupção, contra o MPLA.

A prudência aconselha-o, em termos de valores morais, a ser superior ao MPLA, desvinculando-se dele e, com isso, provocar uma verdadeira revolução, que atingiria a Assembleia Nacional e todos os outros órgãos de soberania.

Os deputados? Perguntar-se-á. Muito provavelmente, uma divisão será possível, salvaguardando desta forma o bolo financeiro, com a aprovação de um nova lei, tendo a garantia (mais do que provável), do presidente do legislativo, ficar do seu lado…

Senhor Presidente,

A chuva tem culpa, sim, mas a crónica incapacidade de, em três anos, enquanto Titular do Poder Executivo, ter aberto e construído mais “drenapolitis” (drenagens política) de um selectivo e parcial combate à corrupção e a prisões selectivas, ao invés das imprescindíveis valas de drenagens físicas, capazes de, nos momentos de grande enxurrada, escoarem as águas, salvarem vidas e pertences de milhares de cidadãos, alojados nas periferias e zonas urbanas, alguns com habitações precárias, nas zonas de drenagem ou rios secos.

Isto é responsabilidade social, o contrário é crime de responsabilidade.

Senhor Presidente,

Pense! Olhe à sua volta, sem complexos de superioridade, sem arrogância e pergunte, depois de ter investido tanto contra supostos inimigos (afinal todos do seu partido, incluindo o único que o indicou), o que ganhou, junto dos governados?

Algum cidadão pobre se empanturrou com a expressão marimbondo, que indica serem os dirigentes do MPLA todos gatunos, afinal com um ADN conquistado na guerrilha, vide obra de Deolinda Rodrigues?

Não. Apenas o ego de uns rejubilarem estarem agora a mandar e controlar tudo e todos…

Senhor Presidente,

Esta chuva não é uma garantia de incompetência, mas é uma demonstração de haver uma competência incompetente, que no pico da maturidade de tanta má gestão e roubalheira, ainda conseguem (os “news” marimbondos) continuar a governar Angola.

Porquê? Apenas pela fraude eleitoral e o pacifismo da maioria dos cidadãos? Não!

O OGE (Orçamento Geral do Estado), demonstra uma das razões, o permanente investimento na compra de armamento, para reprimir a maioria dos 20 milhões de pobres e famintos.

Senhor Presidente,

Reconheço-lhe o mérito de conseguir ter à sua volta uma legião de bajuladores, pseudo-intelectuais, um exército, uma polícia, uma comunicação social e tribunais, subservientes, sem independência mental e coluna vertebral erecta, que legitimam não só o mal como o absurdo… São “homens escravos”, robotizados, estupidificados, sem dignidade e orgulho, na defesa de um projecto de poder, violando a soberania cidadã, carente de um projecto de sociedade.

Senhor Presidente,

A chuva diz serem traidores em potência, habituados a apunhalar pelas costas, tal como fizeram a José Eduardo dos Santos, que os enriqueceu, o que farão a si, que só lhes garantiu o tacho, quando surgir outro senhor da vez?… O bastião bélico, não é eterno, por assentar o poder na força das baionetas e dos canhões (veja a actuação policial e militar contra os pobres) sempre na contramão da Constituição e da Lei.

Senhor Presidente,

Não deveria orgulhar-se em dormir descansado e sossegado (tem esse direito, também, constitucional), por contar, até hoje, com a protecção de brutamontes bélicos, quando a maioria dos pobres e desabrigados (muitos militares desmobilizados e polícias) dormem ao relento e sem casas, face à política económica neoliberal de desempregar cidadãos e encerrar empresas de “camaradas corruptos”, todos do seu partido, prejudicando terceiros de boa-fé, que foram procurar emprego, dinheiro para comprar, a cada final do mês, a vacina COMIDA, com o intuito de alimentar as famílias e, não procurar corruptos.

Senhor Presidente,

Quando numa reunião do Comité Central, referindo-se a José Filomeno dos Santos, veja-se a pessoalização do seu alegado combate à corrupção, disse não mais se nomear jovens com a responsabilidade de gerir milhões de todos, esqueceu-se de ter sido nomeado aos 29 anos (Zenu tinha mais), comissário provincial do Moxico e a sua actual ministra das Finanças, Vera Daves, ministra das Finanças, que gera biliões do país, ser jovem e não ter experiência profissional, salvo a de orar e mandar reprimir, aliás seu slogan?

Senhor Presidente,

As chuvas vieram agravar, para além da classe pobre, na intermédia, o descrédito nas suas políticas, pois as habitações de muitos, que o senhor mandou para o desemprego, por raiva de José Eduardo dos Santos (por coerência, porque não altera os estatutos do MPLA, para lhe retirar o título de presidente emérito, pois a sua actuação, pode ser enquadrada no capítulo da disciplina partidária, por vilipendiar, em praça pública, o presidente honorário da organização), foram destruídas pelas chuvas, ficando agora sem emprego, nem habitação, um desses absurdos foi o Banco Postal, que bem poderia continuar a funcionar, uma vez ter no pacote social uma empresa pública, os CTT, mas a opção foi o desemprego de pessoas de boa-fé.

Isso é maldade ou mera coincidência? Ou é uma política contra os pobres e inocentes? Reflicta, para os danos que está ou estão a criar, à sua imagem, cada vez mais distante de democrata e próxima de siamês de ditador…

Senhor Presidente,

Terá Deus enviado as chuvas torrenciais, principalmente as de 19 e 20 e Abril, como um severo alerta para, de uma vez por todas, abrir a mente e limpar o gabinete do sentimento de raiva, ódio e discriminação, implantada com autoritarismo, convertendo-o, em sentimento de bem, na rota visionária, exigível, em tempo de crises, a quem aceite, integrar o exército de pacificadores, liderado por homens de humildade cristã e elevada estatura reconciliadora, com a missão de bem gerir os recursos humanos e a rés pública do país?

Senhor Presidente,

Os próximos tempos dirão da real dimensão como político sério e candidato a líder mas, para isso, será necessário reconhecer, o seguinte:

a) Ter fracassado a “estratégia parcial” de combate selectivo à corrupção, direccionada contra José Eduardo dos Santos, próximos e filhos;
b) Ter apoiado a instrução ilegal e inconstitucional dos processos judiciais;
c) Não ter elaborado um plano B;
d) Não ter preparado uma “task-force” competente, rigorosa, disciplinada, descomprometida com a corrupção, ladroagem e, fundamentalmente, conhecedora das valências e potencialidades económicas de Angola.

Senhor Presidente,

Pese o estado de emergência, as chuvas vieram demonstrar o agravamento da crise sanitária do país.

O seu gabinete não tem uma política de saúde pública, nem condições para acudir aos cidadãos em casos de surto. A falta de condições, de material gastável, soro, sangue e, mais grave, salários dignos dos médicos, enfermeiros e pessoal de saúde, são um escândalo.

As chuvas vieram demonstrar não ser culpa do passado, a actual hecatombe, mas do programa do MPLA e dos meninos que gerem milhões, sem experiência (a citação é sua, numa reunião do Comité Central, do seu partido), que sem visão de país e instinto reconciliador, capaz de aglutinar competências apartidárias, comprometem-no, logo, comprometem a sobrevivência económica e social do país.

Senhor Presidente,

Aceite ganhar algumas batalhas, as últimas que lhe restam, ainda vai a tempo, se não tiver a obsessão de ser o maior, o melhor, apenas ancorado na lei da força, não aceite continuar num colete-de-forças de bajuladores que o vão imputar, na recta final, a responsabilidade criminal.

Senhor Presidente,

A crise económica mundial, a baixa do preço do petróleo, a crise interna e, até o coronavírus, terão de ser bastante para abrir a mente, as mentes, para um novo provir.

Tenha a argúcia de ir buscar e negociar dinheiro, lá onde for necessário, sem hipotecar ainda mais os pobres angolanos, para emprestar outro arejamento governativo.

É preciso que o seu gabinete, enquanto governo unipessoal, seja mais competente, pois brada aos seus a incompetência de não terem conseguido colocar, durante a quarentena, água 24/24 horas, nos hospitais em Luanda, pelo que incluir as zonas urbanas e periferias seria pedir demais a quem defende a perpetuação de partidocratas.

Senhor Presidente,

A política de exclusão promove muitos néscios, cujos actos são mais dolosos que danosos, ao ponto de sendo a água a base do combate ao coronavírus (lavar as mãos com água e sabão) a ausência dela, nas torneiras, de instituições importantes, para salvaguarda da vida humana, constituir um crime, por quem tem a obrigação de velar, pelo seu fornecimento. Ademais, o MPLA, partido dos marimbondos, na sua acepção é co-responsável, uma vez ter contribuído para a aprovação de milhões e milhões de dólares, ao longo de quatro (4) décadas (quarenta anos), em projectos, sendo o mais importante, o “Água para todos”, cujas verbas foram competentemente desviadas por camaradas do partido Marimbondos, logo, todos cúmplices dos criminosos por drenagem das verbas da água potável e incompetência da construção de valas de drenagem.

A lista de promessas é enorme, tal como a má gestão:

1 – Criação do IRSEA Instituto Regulador dos Serviços de Electricidade e do Abastecimento de Águas e Saneamento de Águas Residuais;
2 – Aprovado o Regulamento de Abastecimento Público de Água e de Saneamento de Águas Residuais;
3 – Criado o Conselho Nacional de Águas, como previsto no Regulamento de Utilização Geral de Recursos Hídricos;
4 – Aprovado o Plano Nacional da Água;
5 – Criação das Empresas Gestoras de Água e Saneamento de Benguela, Bengo, Bié, Cabinda, Cunene, Cuanza Norte, Cuanza Sul, Huambo, Huíla, Lobito, Luanda, Lunda Norte, Lunda Sul, Malange, Moxico, Namibe e Uíge;
6 – Construção do Centro de Formação Profissional de Água e Saneamento.

Estes pacotes consumiram mais de 800 milhões de dólares, prevendo, segundo o programa do MPLA e do Titular do Poder Executivo de 2013 a 2018, o fornecimento e acesso de água potável a 80% da população, mas, hoje, vimos os cidadãos estarem a ser socorridos, em Luanda, por cisternas, muitas delas de um general, na reforma, Bento Kangamba, que havia sido, raivosamente, preso. É uma vergonha, mas o executivo parece conviver bem com ela, na senda das injustiças.

Senhor Presidente,

Abrace a competência, una o país, expulse a raiva do coração, abrace, como chefe de Estado, todos os irmãos, são os votos de quem espera que o Senhor, Deus todo-poderoso, depois das chuvas, ilumine o seu caminho de liderança.

Estes são alguns conselhos avulsos, sem qualquer pretensão de cargo ministerial ou condecoração, mas de assistir a uma verdadeira reforma constitucional, liberdade de imprensa e expressão, democracia participativa, reconciliação, diminuição do desemprego, miséria, fome e injustiça, contra os pobres.

“Não tenho medo da democracia, mas receio a covardia da ditadura!” (in Chefe Indígena).

TAMOJUNTO, meu kamba!