Recentemente, Maria Luísa Abrantes “Milucha” colocou um dado novo, na peregrinação sobre a barbárie do 27 de Maio de 77, neste caso chamando ao epicentro da questão a jubilada juíza Luzia Sebastião, “Gi”. “Não tive nada a ver com o 27 de Maio! Nunca incriminei ninguém, tão pouco a senhora que me acusa”, foi a reacção de “Gi”, acrescentado: “também fui uma vítima, pois perdi entes queridos”.

“M ilucha” afirmou: «Em primeiro lugar, para que a alma do “Tilu” e de tantos outros mártires do 27 de Maio, fruto da ambição desmedida de alguns e da carnificina de outros, descanse em paz, teriam de entregar os corpos aos familiares e lhes honrar com um funeral condigno.

O “Tilu” era um jovem médico cirurgião de 28 anos, que completaria 29 anos no dia 28 de Outubro de 1977 e Professor Universitário, desde o Hospital de Santa Maria em Lisboa, onde iniciou essa função como monitor, porque terminou o seu curso aos 22 anos com notas brilhantes.

Em segundo lugar, não podem misturar os dois acontecimentos do dia 27 de Maio, com os assassinatos perpetrados pela UNITA, ou pela FNLA na sua agressão ao Estado Soberano de Angola independente.

Em terceiro lugar, eu nunca aceitarei qualquer reconciliação, nem poderá existir reconciliação sem que os generais Ludy, Onambwe, o General Toka , os Sr. Carlos Jorge, o Sr. Veloso, o Sr. Carmelino, o Sr. Kifofo, a Sra. Luzia Sebastião, a Deputada Ruth Mendes, a Sra. Xinda Dias da Silva, o Sr. Geitoeira, o Sr. Job, secretário do falecido Lúcio Lara, etc., que ainda estão vivos, expliquem o que se passou e onde foram enterrar os corpos.

Em que rios ou mar foram atirar os corpos. Em que barranco foram atirar os corpos. Em que local foram queimar os corpos.

Eu quero ver a coragem e a boca da Gi, que gritou para mim no corredor do Ministério da Defesa quando me fui entregar: “Fui eu que te mandei buscar!”.

Como é que uma directora das Escolas primárias, que não era militar, mas professora primária no tal “maqui” tinha poder para mandar prender?

Mas mandou! Eu fui uma delas. Por isso, mesmo não sendo militar, ofereceram-lhe uma patente militar e ela exigiu outra mais elevada e assim foi feito?

Esta falsa vontade de reconciliação é fictícia e visa apenas criar um ambiente mais favorável ao MPLA para as próximas eleições autárquicas, porquanto se o actual PR e o ex-PR não pretendem reconciliar-se, que moral existe para nos pregarem um fictícia reconciliação?

A semelhança da pregação de uma fictícia luta contra a corrupção, com o Eng. Manuel Vicente, generais Dino e Kopelipa e seus associados, Carlos Silva, Edeltrudes, ex-amigos de facção Kundy Payama, Tulumba, etc. etc.?»

“GI” DESVENDA ENIGMA MILUCHA

A juíza conselheira jubilada, Luzia Sebastião, decidiu não entrar em confronto verbal e judicial, pelo menos numa primeira fase, com Maria Luísa Abrantes “Milucha” por entender não ser prudente a “proximidade”, em homenagem ao distanciamento social, recomendado pela OMS e Executivo angolano face à pandemia do COVID-19, garantiu ao Folha 8, fonte que lhe é próxima.

“Não tive nada a ver com o 27 de Maio! Nunca incriminei ninguém, tão pouco a senhora que me acusa”, foi a reacção no seio de pessoas do círculo mais próximo, onde teria acrescentado: “também fui uma vítima, pois perdi entes queridos”.

A reacção da magistrada tem a ver com acusações, segundo as quais a mesma teria tido um papel activo nos ilícitos praticados por Agostinho Neto e a sua clique, nos massacres de 27 de Maio de 1977, onde foram assassinados 80 mil cidadãos inocentes.

A magistrada com uma carreira fulgurante a nível do Direito, tanto como advogada e juíza jubilada pelo Tribunal Constitucional, diz não entender a tentativa de um assassínio da sua reputação e imagem.

“Considera despropositada, intemporal e eivada de má-fé a acusação de Milucha contra si ao acusá-la de a ter mandado prender no 27 de Maio de 1977, porquanto não só não tinha condições físicas, como morais, porquanto estava de parto recente; nascimento do primeiro filho e, ainda, a perca de um cunhado”.

O cunhado referenciado é o comandante Bula, irmão de Magalhães Paiva Nvunda, marido de Luzia Sebastião, Gi.

Conta a nossa fonte que ela foi ao Estado-Maior das FAPLA, no Ministério da Defesa, não como operacional mas sim como “uma espécie de refugiada, depois de ter sido transportada num blindado, a mando de Lúcio Lara, que estranhou ela estar em casa, sozinha, com um recém-nascido, com os incidentes que estavam a ocorrer, muito perto do Alvalade, local onde morava”.

O encontro com o então segundo homem de Neto deu-se porque Gi, ao ouvir movimentos de populares em correria e tiros, saiu à rua, uma vez, também, o marido não estar em casa e foi aí que o ex-dirigente do MPLA, Lúcio Lara, vendo o seu desespero a mandou subir com a criança no blindado e levá-la para um lugar seguro.

Portanto, chegada ao Ministério da Defesa estavam lá muitas outras pessoas, tentando procurar parentes e, ela, obviamente, o marido, que era oficial militar, Magalhães Paiva Nvunda, e foi aí, que ficou a saber do ocorrido com o cunhado Bula (irmão do marido), barbaramente assassinado e, “as primeiras informações que recebemos foi de terem sido os fraccionistas a fazê-lo. Não vejo como uma mulher com parto fresco, com a perda do cunhado e ausência do marido, naquele momento, poderia estar fardada com arma a tiracolo e a dar ordens ou ameaçar outras pessoas”, terá avançado, para de seguida questionar: “Como poderia apontar, ameaçar ou mandar buscar a camarada Milucha, para a prender se, não sendo minha amiga, também, nunca tive nenhuma desavença que fosse merecedora de rancor e ódio? Só pode mesmo ser um mal-entendido e tentativa de colocar em cheque o meu bom nome e honra, porque quem me conhece, pese a irreverência, é a minha forma de ser, sabe que nunca mandaria fazer mal a alguém, sem nenhum propósito e justificação”, assegura a fonte familiar.

Finalmente, a mesma fonte explica que, estando muita mais gente quando, na altura, “chegou a camarada Milucha, nenhuma confirma este episódio, o que parece estranho, nesta altura surgir essa situação. A família pensa que poderá estar ligado à presença do Presidente João Lourenço no 80º aniversário de Magalhães Paiva Nvunda, marido da magistrada jubilada, numa tentativa de o (a) aliar à “cabala de perseguição que o novo líder do MPLA faz aos filhos e ao antigo Presidente da República, José Eduardo dos Santos”.

Certa ou errada a justificativa parece incontornável. João Lourenço quer apagar todas as marcas de Eduardo dos Santos no MPLA esquecendo-se que nessa aventura de raiva, ódio e ingratidão, vai – como no passado – “plantando” outras vítimas e destapando os podres de uma organização partidária que ao longo dos 45 anos, (des)governa o país como se fosse (se calhar é) uma propriedade dos senhores ditadores que lideram o país.

“Definitivamente, num estado físico debilitado, face à maternidade, não poderia a camarada Gi nem ordenar prisões, tão pouco comandar operações, pelo que estamos na presença de um equívoco”, garante o familiar.

Mesmo dando credibilidade à tese de que se tratou de um “equívoco”, uma realidade é inquestionável; João Lourenço está a conseguir mostrar ser o MPLA um autêntico saco de gatos, em que só no documentário toda a sua história, líderes e dirigentes anteriores, que não agradam o novo chefe, se arranham, não imaginemos como se assassinarão, num futuro, que se aproxima vertiginosamente, quando o filme começar.