O Jornal de Angola, o Pravda cá da banda, órgão oficial do MPLA, correia de transmissão do regime, atacou nos dias 18 e 19 de Novembro de… 2014, todos aqueles, nomeadamente portugueses, que não se curvavam perante o sumo pontífice do regime, o “escolhido de Deus”, José Eduardo dos Santos.

Por Orlando Castro

Nessa mesma altura, como antes e como depois, o pasquim então dirigido pela dupla de mercenários José Ribeiro e Artur Queiroz, ameaçou divulgar o que chamou, noutras alturas e tal como hoje, “as listas dos nomes dos quadrilheiros portugueses capturadas no bunker de Jonas Savimbi no Andulo”.

Até hoje nada. Qual será a melhor altura para divulgar essa lista? Já chega de silêncios. Por isso, com a coragem típica dos néscios, é altura de pôr tudo em pratos limpos.

Todos continuamos à espera das listas de quadrilheiros portugueses e angolanos, já agora, também da imensa listagem dos oficiais das FAPLA e depois das FAA que trabalhavam para Savimbi, assim como dos políticos do MPLA, alguns com altos cargos em diversos governos e que também eram assalariados do líder da UNITA, e ainda dos jornalistas (portugueses e angolanos), hoje rendidos aos encantos do MPLA, e que também eram amamentados por Savimbi.

“Basta de abusos e insultos”, advertia em Maio de 2008 o Pravda de Luanda na última linha de um Editorial, sem avançar quaisquer pormenores sobre as “listas de quadrilheiros portugueses”, inferindo-se que se tratava de aliados do ex-líder da UNITA, principal partido da oposição angolana, morto em combate em Fevereiro de 2002.

Na altura, de baterias apontadas ao jornal Público e ao programa “Eixo do Mal”, da SIC Notícias, o pasquim afirmava que os “idiotas úteis” que integram o programa e o diário português estavam ao serviço de “quadrilhas” que se serviram de “diamantes de sangue” em Angola.

Continuando os “diamantes de sangue” angolanos a circular pelos areópagos da alta finança mundial, embora com outro nome, assim como o “petróleo de sangue”, seria bom que se soubesse (santa ingenuidade a nossa!) a que “quadrilhas” servem agora.

Por tudo isto, força camaradas do MPLA, sejam do Governo ou das suas sucursais ou afins (ERCA, Jornal de Angola, RNA, TPA, Angop, Fundação Agostinho Neto). Se os tiverem no sítio (não têm, nunca tiveram e nunca terão, como é bom de ver) não devem esperar. Mandem cá para fora tudo o que têm. Tudo. Tudo. Tudo significa tudo. Percebem?

Sob a batuta do MPLA, estes escribas escolarizados há bem pouco tempo servem-se de todos os meios para publicarem o que nem eles sabem o quer dizer e, quem sabe, para esconderem “as listas dos nomes dos quadrilheiros capturadas no bunker de Jonas Savimbi no Andulo” onde se calhar figuram alguns deles.

Numa altura em que a Angola do MPLA tem um novo Presidente da República, seria com certeza salutar pôr tudo (mesmo tudo) em pratos limpos. Ou será que “das listas dos nomes dos quadrilheiros e assalariados” também consta um general chamado João Manuel Gonçalves Lourenço?

Até agora esses dossiers, que em parte foram mesmo encontrados no bunker de Jonas Savimbi no Andulo, continuam fechados a sete chaves por ordem, primeiro de José Eduardo dos Santos e agora de João Lourenço, e que pelo silêncio chantageia todos os que no MPLA (mas também na UNITA) tentam ser angolanos antes de serem camaradas.

Mas agora o Presidente da República é outro. Portanto… Portanto nada. É que, segundo cópias e originais desses documentos (muitos “estacionados” por homens de confiança de Jonas Savimbi em segurança em vários países da Europa), é verosímil que existam informações “úteis” e “escaldantes” também sobre o general João Lourenço.

É mentira, Presidente? Se é mande revelar publicamente esses documentos. Doa a quem doer. Será pedir muito? Acabe, definitivamente, com acusações nunca provadas, de gentalha menor e que tem o cérebro no intestino, de que são paradigmas José Ribeiro e Artur Queiroz.

Talvez esta questão explique que a UNITA/Savimbi seja uma espinha que João Lourenço tem atravessada na garganta, o que aliás motivou a sua agressividade eleitoral contra o Galo Negro. Observadores ligados aos tempos áureos da UNITA consideram que João Lourenço temia que esses documentos fossem em parte revelados durante estas eleições, razão pela qual jogou ao ataque.

Durante a campanha eleitoral, quem terá acalmado o ímpeto bélico de João Lourenço terá sido o próprio José Eduardo dos Santos, que lhe garantiu que ninguém da oposição iria falar do assunto. E não iria porque, tal como Jonas Savimbi tinha vastos dossiers sobre altos dignitários do MPLA, Dos Santos também os tinha (e tem) sobre dirigentes da UNITA.

Aliás, toda esta vasta enciclopédia de informações de “quadrilheiros e assalariados” (do MPLA a favor da UNITA e da UNITA a favor do MPLA) estão em boas mãos (núcleo duro, sobretudo mas não só familiar) do clã Eduardo dos Santos, qual bomba atómica contra todos aqueles que – eventualmente – queiram desonrar o legado do “querido líder”.

Repetimos. Continuamos, mesmo assim, à espera de um dia destes ver publicadas as listas de quadrilheiros (portugueses, angolanos, congoleses, brasileiros, cubanos, russos etc.) e, já agora, também da imensa listagem dos oficiais das FAPLA e depois das FAA que trabalhavam para Savimbi, assim como dos políticos do MPLA, alguns com altos cargos no Governo e que também eram assalariados do líder da UNITA, e ainda dos jornalistas (portugueses e angolanos), hoje rendidos aos encantos do MPLA, e que também eram muito bem amamentados por Savimbi.