ANGOLA. O principal partido da oposição angolana que o MPLA (ainda) permite que tenha assento parlamentar, a UNITA, considerou hoje que era “previsível” e “necessária” a revisão do Orçamento Geral de Estado (OGE) para 2019.

O Governo angolano submeteu hoje à Assembleia Nacional o OGE revisto para 2019, com o preço de referência “mais prudente” de 55 dólares o barril do petróleo, face aos 68 do orçamento ainda vigente.

Em declarações à agência Lusa, o porta-voz e deputado da UNITA, Alcides Sakala, disse que a revisão do orçamento era “previsível”, salientando que o seu partido já tinha alertado para a situação.

“Mas ninguém nos quis dar ouvidos, o que reflecte, por outro lado, também a fragilidade de uma economia nacional que depende do preço do petróleo”, disse Alcides Sakala.

Segundo o Governo, a volatilidade do preço do barril do petróleo no mercado internacional e a revisão em baixa da produção petrolífera estiveram na base da rectificação do orçamento para este ano económico.

Alcides Sakala frisou que as oscilações do preço do barril do petróleo têm bastante impacto negativo na economia angolana, defendendo que o actual quadro reflecte “o fracasso das políticas que se têm propalado nos últimos tempos sobre a diversificação da economia”, a que se junta os “níveis altos de corrupção”.

“Todo este quadro conduziu a esta crise actual que o país está a viver neste momento. O problema dos combustíveis, da água, da electricidade. A situação económica angolana está numa crise profunda com consequências sociais imprevisíveis”, destacou o deputado, alertando que, se as oscilações continuarem pela negativa, “vai haver um outro problema”.

“Aqui, o importante é a necessidade de se produzir outros bens que possam no futuro sustentar a economia do país, porque continuamos a depender [do petróleo]. Tudo isso tem afectado a vida de toda, a gente no geral”, concluiu.

Na entrega do OGE revisto para 2019 no parlamento, o ministro de Estado para o Desenvolvimento Económico e Social angolano, Manuel Nunes Júnior, disse que dois factores estiveram na base da revisão, nomeadamente o preço e a produção petrolífera em baixa.

Segundo o governante, o OGE revisto para 2019, com o valor global (receitas e despesas) de 10,3 biliões de kwanzas (30,64 mil milhões de euros), apresenta uma redução comparativamente ao orçamento em vigor de cerca de 9%, continuando a ser o maior beneficiado o sector social com a alocação de 33,5% da despesa total.

Manuel Nunes Júnior referiu que a proposta de 55 dólares por barril de petróleo, como preço de referência, no orçamento revisto, tem como base a expectativa da média de preço durante este ano, apontada por agências especializadas e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para cerca de 59 dólares.

No que diz respeito à produção petrolífera, Manuel Nunes Júnior disse que o orçamento actual previa a média anual de 1,57 milhões de barris de petróleo, mas devido à falta de investimentos na altura própria, a previsão baixou para a média anual de 1,434 milhões de barris.

Folha 8 com Lusa

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