ANGOLA. Os angolanos que estavam ao relento há mais de um mês em Luanda foram realojados quarta-feira no município de Viana, mas denunciaram hoje que as residências, “sem água, não oferecem condições de comodidade”, acusações refutadas pelas autoridades.

Os cerca de 100 desalojados estavam desde 7 de Janeiro ao relento, depois de serem retirados de um edifício seiscentista, no largo do Baleizão, centro da cidade, devido às “inúmeras fissuras e risco de desabamento”, tendo o processo de realojamento decorrido com o apoio do Governo provincial de Luanda.

“Fomos, sim, realojados ontem [quarta-feira], mas em condições péssimas, o que contraria aquilo que nos prometeram. Neste momento, grande parte dos nossos haveres está ao relento porque as residências são muito pequenas”, disse hoje à Lusa Manuel Vieira, da comissão de moradores.

As famílias, agora realojadas em 16 casas, viviam há mais de três décadas no edifício onde funcionou o antigo Colégio Dom João II, na época do governo colonial português, catalogada como Património Histórico-Cultural desde Setembro de 1947, e que tem hoje grandes fissuras.

Devido ao risco de desabamento, as autoridades da província evacuaram o edifício a 7 de Janeiro, data a partir da qual os moradores “permaneceram ao relento”, até quarta-feira, recusando-se, anteriormente, a ser acomodados em tendas provisórias.

Hoje, Manuel Vieira deu conta que foram apenas realojadas, no Zango 4, em Viana, 16 famílias, e não as 24 anteriormente anunciadas.

“O curioso é que há casas com dois quartos onde foram realojadas duas famílias. São casas com dois quartos, casa de banho, uma sala e um lavatório que dizem ser a cozinha. Não foi isso que nos prometeram”, lamentou.

Em declarações hoje à rádio pública, o director do gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa da Comissão Administrativa da Cidade de Luanda (CACL), Francisco Alexandre, assegurou que as famílias foram realojadas em condições “perfeitamente normais”.

“Estão entregues as respectivas residências com todas as condições com água e energia eléctrica. O certo é que estas pessoas estão a viver em condições perfeitamente normais, já que antes estavam em condições sub-humanas”, afirmou Francisco Alexandre.

Contudo, Manuel Vieira contrariou a afirmação: “A informação de que temos aqui todas as condições de acomodação é pura mentira. Temos apenas energia eléctrica, não temos água”.

Em relação ao número de famílias realojadas, o responsável da CACL explicou que, das 24 que inicialmente diziam ser residentes no edifício, concluiu-se, “fruto de algumas triagens, que existiam apenas 16, confirmadas pelos próprios moradores”.

“O processo decorreu normalmente porque havia já sido feita esta catalogação inicial”, concluiu.

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