Numa aldeia do Huambo, uma professora do ensino primário explicava aos alunos a importância das medidas anunciadas pelo Presidente do MPLA para combater esse grande mal da nossa sociedade e que se chama corrupção, aquilatando assim da simpatia popular do líder do MPLA.

A professora Luísa pediu que levantassem a mão todos aqueles que gostavam do Presidente do MPLA. Como esperado, todos os alunos, depois de olharem uns para os outros (até porque na sala estava também um senhor fardado a quem chamaram general) levantaram a mão, excepto um menino que estava sentado no fundo da sala.

A professora Luísa olhou para o menino com surpresa e perguntou-lhe:

– Joãozinho, por que não levantaste a mão?

– Por que não gosto do Presidente do MPLA, respondeu o puto.

A professora, céptica e visivelmente atrapalhada, perguntou de novo:

– Se não gostas de Sua Excelência o Senhor Presidente do MPLA, de quem gostas?

– Gosto muito do Presidente da UNITA, respondeu com orgulho o Joãozinho.

A professora, cujos ouvidos fanáticos não podiam dar crédito a algo assim, exclamou:

– Joãozinho, diz-me: porque é que gostas do Presidente da UNITA?

O menino muito tranquilo respondeu:

– A minha mãe gosta dele, o meu pai também, o meu irmão também, por isso eu também gosto.

– Bem, replicou a professora – mas isso não é um bom motivo. Tu não tens que gostar do Presidente da UNITA como os teus pais. Por exemplo, se a tua mãe fosse mentirosa, o teu irmão um ladrão e o teu pai um corrupto, com quem é que simpatizavas?

– Nesse caso, respondeu o Joãozinho, gostaria do Presidente do MPLA.

Nota. Texto de ficção. Qualquer semelhança com a verdade é mera coincidência. Ou não…

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