Nós sabemos, há já muito tempo, que a comunicação social oficial da Re(i)pública da Angola do MPLA obedece a um “guião”. Esse “guião” elaborado pelo patrão, o MPLA, muda com demasiada frequência devido à inconstância e incoerência ideológica dos senhores que prosperaram à custa da guerra civil e das assimetrias sociais que, infelizmente, envergonham o nosso país.

Por Domingos Kambunji

Na semana passada ouvimos dizer que o Presidente da Re(i)pública do MPLA foi numa visita privada ao estrangeiro para receber assistência médica. A informação também diz que continuam a morrer pessoas devido à fome na Re(i)pública da Angola do MPLA…

Os órgãos oficiais de informação do Ministério da Propaganda e Educação Patriótica do MPLA ficam muito ofendidos quando são criticados pela falta de ética e de verticalidade.

Nós não exigimos ou sugerimos, no caso do Jornal da Angola do MPLA, que as “paLarvas” do Director sejam mais inteligentes e civilizadas, mais próximas dos conhecimentos sociais e económicos, mais inteligentes e avançados. Muitas vezes, o narcisismo matumbo dos “biautores” dessas “paLarvas” do Director até se transforma em comédia barata devido à elevada densidade de disparates para assim, os “biautores”, poderem justificar, perante os patrões, o salário que auferem.

Mas não percamos tempo e vamos directamente a factos. O governo da Re(i)pública da Angola do MPLA pode gabar-se de a liberdade de informação nos órgãos de comunicação social oficiais, com maior divulgação em todo o país, ser melhor do que na Coreia do Norte. Infelizmente o termo de comparação faz-se sempre com os piores e não com os melhores países. De acordo com uma classificação elaborada pelos Repórteres Sem Fronteiras, a Re(i)pública da Angola do MPLA está no lugar 121 em Liberdade de Informação, mais de uma centena de degraus abaixo da Noruega, Suécia, Holanda, Finlândia, Suíça…

É por isso que não aceitamos lições de ética e deontologia profissional provenientes de analfabetos sistémicos.

Nós sabemos que os “digerentes” da Re(i)pública da Angola do MPLA preferiram apostar mais na guerra civil que iniciaram, para combaterem uma ideologia que agora defendem, do que investirem na economia (141 a nível mundial), na qualidade da governação (142 a nível mundial), na educação (129 a nível mundial) ou na liberdade e direitos humanos (129 a nível mundial). É por isso que não deveremos esperar ideias inteligentes dos directores e directores-adjuntos dos órgãos oficiais de propaganda demagógica, fiéis servidores dos senhores da guerra.

“A opinião é, geralmente, aceite e a educação ensina a ouvi-la e a respeitá-la”. A verdadeira educação ensina que os disparates e as falácias, provenientes de pensadores que revelam um narcisismo tacanho, devem ser criticados e desmascarados. É este tipo de crítica que os órgãos oficiais de informação propagandística, parasitas do Orçamento Geral do Estado na Re(i)pública da Angola do MPLA, não gostam.

Vamos mostrar algumas notícias e opiniões informativas, ainda não arquivadas no esquecimento, publicadas, por exemplo, pelo jornal da Angola do MPLA:

– A Malária está em vias de extinção – continuam a morrer milhares de angolanos devido a essa epidemia;

– Angola tem as melhores e mais seguras estradas do mundo…

– O governo melhorou os investimentos na Saúde – os presidentes, esposas, filhos e outros dirigentes coniventes vão receber assistência médica no estrangeiro;

– O Hospital de Icolo e Bengo tem falta de medicamentos e cura os doentes com carinho e atenção dos enfermeiros…

– Durante a última crise económica mundial: Angola foi capaz de enfrentar a crise porque o governo diversificou atempadamente a economia…
– A Economia da Re(i)pública da Angola do MPLA está em recessão!

Donald Trump está a ser investigado por suspeitas de actividade criminal na campanha eleitoral e nos negócios que as suas empresas efectuaram. Os órgãos de comunicação social dos Estados Unidos estão muito activos nas actividades de jornalismo investigativo.

O presidente da Re(i)pública da Angola do MPLA, o que não se cansa de efectuar visitas privadas ao estrangeiro, dizem, é suspeito de ter colaborado em cambalachos de corrupção em Moçambique. A comunicação social oficial não investiga porque esse assunto faz parte do “segredo da injustiça” e não pode desobedecer às “ordens superiores”.

O JLo foi sócio do Zenú dos Santos. O Zenú está na cadeia e o JLo anda, muito satisfeito, a divertir-se nas visitas privadas ao estrangeiro.

Todos (ou quase) esperamos que o Presidente João Lourenço nos diga como conseguiu os aviários, as fazendas, as sociedades nos bancos, a mansão em Washington, cujo dinheiro para a compra de mais de três milhões não foi declarado na receita federal americana.

JLo também nos deve explicar a forma e a legitimidade que tinha para usar meios públicos para a sua campanha partidária, utilizando viaturas do ministério da Defesa e das Forças Armadas.

Deve-nos igualmente dizer se é, ou não, verdade que muitos membros da família Lourenço estão na Direcção de Tesouro do Ministério das Finanças, sem terem entrado por concurso público?

Também seria bom saber se é, ou não, verdade, que o seu ministro José Carvalho da Rocha nomeou como administradora Executiva, do INACOM (Instituto Angolano das Comunicações), Luísa de Freitas Bernardo Augusto, considerada filha do ministro, Leonel Inácio Augusto, administrador executivo, filho da irmã do ministro e António Moniz Gonçalves?

Na Re(i)pública da Angola do MPLA, a Procuradoria-Geral do MPLA investiga e acusa ladrões de galinhas. Os ladrões de galinheiros continuam a gozar de imunidade cleptocrática. Um dos principais advogados destas práticas é o Ministro da Propaganda e Educação Patriótica, João Melo, advogado na defesa do Manuel Vicente e outros senhores destas guerras que contribuíram e contribuem para a existência de 20 milhões de pobres no nosso país.

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