Eis um dos poucos meios da comunicação social angolana que soube afirmar-se desde o seu nascimento perante a necessidade de se informar com verdade e isenção. Assim mandam as regras e a ética deontológica. Nesta sua peregrinação diária em prol das liberdades e da democracia, o jornal “Folha 8” é, para mim, uma das conquistas em Angola por uma imprensa livre e independente, fazedora e promotora do direito à opinião.

Por João Carlos
Jornalista

Quer queiramos ou não, este projecto lançado por William Tonet – que tem sabido dirigir uma equipa de bons profissionais –, merece este reconhecimento e louvor, quanto mais não seja para sublinhar que a democracia necessita de instrumentos como este, que ao longo destes anos tem sabido conquistar o seu espaço próprio.

Há anos que tenho seguido as pisadas do “Folha 8”, as cavalgadas onerosas para a sua sobrevivência e existência, enfrentando bloqueios e actos de clara censura que o anterior regime exercia sobre aqueles órgãos de informação críticos, considerados opositores ao sistema então vigente. Contra as marés turbulentas, a equipa do jornal soube posicionar-se face a tantos obstáculos, tudo fazendo com que este projecto útil à sociedade e à democracia não morresse.

Angola vive hoje outros tempos, mas não fica tão longínquo assim aquele período negro em que o regime antecessor ao do Presidente João Lourenço sancionava e sufocava de várias formas as publicações de posicionamento crítico. Estava em causa o futuro de uma imprensa livre e da liberdade de expressão, de opinião e de manifestação em Angola.

O chamado quarto poder vivia tempos turbulentos. As liberdades eram coarctadas. Havia censura. Exercia-se intimidação sobre os jornalistas; ainda me lembro na imprensa pública (estatal) de casos de jornalistas despedidos por terem opinião contrária. Não se faziam debates nem havia confronto de ideias. A prática de recurso ao contraditório era nula. Também havia bloqueios no acesso ao crédito bancário e, sobretudo, jornais privados houve forçados a fecharem as portas porque não tinham aval para impressão em gráficas controladas pelo poder.

Os tempos mudaram. Estão a mudar paulatinamente. Pelo menos, parece haver uma “lufada de ar fresco” quanto ao exercício das liberdades fundamentais, ainda que se registem casos merecedores de denúncia e crítica no que toca à justiça, tal é o exemplo dos jovens detidos e condenados, em Julho passado, por se terem manifestado publicamente contra a falta de água no município do Lobito. A imprensa privada e a sociedade civil (organizada) devem estar atentas a atropelos do género, denunciando-os.

Se Angola vive hoje uma suposta e desejada “nova era”, acredito que o “Folha 8” também saberá acompanhar os ventos da mudança que se operam em Angola, assumindo com firmeza o papel que sempre soube assumir de instrumento a favor do bem-estar social dos angolanos. Creio que o jornal continuará o seu caminho militante, contribuindo igualmente com determinação para dar voz aos que (ainda) não têm voz; assim como deve continuar a ser persistente e coerente no combate à corrupção, considerado um dos males que levou à delapidação da economia angolana. Porque, como dizia um político angolano, «não bastam as palavras».

Nesse combate, em relação ao qual o “Folha 8” tem uma palavra a dizer, serão necessários resultados palpáveis e impacto na melhoria da qualidade de vida dos angolanos desfavorecidos. Certamente, os angolanos jamais quererão viver numa Angola da utopia, que frustre as suas novas expectativas por um futuro melhor.

Esta é e deve ser, no meu entender, uma das razões existenciais do projecto “Folha 8”, que, certamente, tem pela frente novos desafios nesta era de mutação constante imposta pelas novas tecnologias de informação. Adiante! São os meus votos.

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