O representante do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Angola, Marcos Rietti Souto, disse hoje que as reformas em curso no país “são do Governo angolano e não da instituição financeira”, defendendo que “apesar de difíceis”, estas trarão “resultados positivos”. Por outros palavras, como faziam os coloniais maus “chefes de posto”, a culpa do que eles mandavam fazer era sempre dos sipaios.

“Reconhecemos que muitas dessas reformas, essas medidas, não são medidas fáceis, elas são para a economia e para a população, mas elas são reformas do Governo angolano, não são medidas do FMI, nós estamos aqui, simplesmente, para darmos o nosso contributo do ponto de vista da experiência”, afirmou hoje Marcos Rietti Souto, passando aos angolanos um enorme atestado de menoridade intelectual e de matumbez.

Segundo o responsável, o FMI vai continuar a dar o suporte técnico ao Governo angolano para implementar essas reformas “que na nossa visão pensamos que no médio e longo prazo terão resultados bastantes positivos para a economia angolana”.

O FMI aprovou, na última semana, o pagamento de 247 milhões de dólares (2,47 milhões de euros) a Angola, no âmbito da aprovação da segunda avaliação do programa de ajustamento financeiro, aprovado em Dezembro de 2018, num total de 3,7 mil milhões de dólares (3,3 mil milhões de euros), por um período de três anos.

No âmbito deste programa, uma série de reformas no domínio económico, financeiro e fiscal estão em curso em Angola (por ordem directa e sine qua non do FMI) com vista à estabilidade macroeconómica e da gestão das finanças públicas.

“Todas essas medidas, elas vêm sendo discutidas dentro do contexto desse programa de assistência ao Governo angolano que já vem inclusive sendo apresentado nos relatórios anteriores”, recordou o represente do FMI, em declarações aos jornalistas.

O responsável falava na sede do Ministério das Finanças, em Luanda, no final de cerimónia de assinatura do Projecto de Apoio à Gestão das Finanças Públicas de Angola entre o Governo angolano, a União Europeia e o departamento de Assuntos Fiscais do FMI.

Questionado sobre a resposta que recebe do Governo angolano sobre a possibilidade da eliminação dos subsídios aos combustíveis, justificou a sua necessidade, considerando que os mesmos “tendem a beneficiar outros segmentos da economia que não precisam desses benefícios”.

“Existe realmente uma parte da população que vai ter um impacto e, por isso, nós estamos realmente enfatizando a necessidade de se ter redes de assistência de protecção social para minimizar o custo ou o impacto negativo que isto eventualmente possa ter na parcela mais vulnerável da população”, argumentou.

Mas, notou, “efectivamente é algo que tem que ser levado dentro de um contexto muito mais abrangente que é o de buscar uma solidez fiscal do Governo e de uma empresa importante que é a Sonangol”.

“Existem algumas iniciativas em curso, inclusive as transferências monetárias para as populações mais carentes é uma iniciativa em coordenação com o Banco Mundial e a intenção é que este mecanismo esteja disponível antes de se começar qualquer remoção de subsídios do petróleo”, explicou.

Em relação à recente aprovação da revisão da Lei de Branqueamento de Capitais e Financiamento ao Terrorismo, com observações sobre pessoas politicamente expostas, o representante do FMI classificou com um “passo importante”, aguardando pela sua efectivação.

“Esperamos pela efectivação da aplicação da lei, e da nossa parte o que vemos é que há um compromisso muito forte por parte das autoridades angolanas e enfatizo que essa como tantas outras são iniciativas do Governo angolano”, concluiu.

A raposa está apenas a engordar as galinhas

O representante da raposa que o Governo colocou dentro do galinheiro angolano, e que se chama Fundo Monetário Internacional (FMI), Marcos Souto (chegado ao país em Agosto mas já se assumindo como o “chefe do posto” do terreiro), desvalorizou no passado dia 5 de Novembro, em Luanda, a diferença nas perspectivas de crescimento do país para 2020, de 1,2% para a organização financeira internacional e de 1,8% do Governo angolano, entre outras que são bem piores ou, melhor, mais realistas.

Marcos Souto, que foi nesse dia apresentador do tema “Navegação pela Incerteza”, no acto de divulgação do Relatório do FMI sobre as suas Perspectivas Económicas Regionais da África Subsaariana, considerou normal a disparidade numérica percentual. Bem normal, acrescente-se. Sobretudo para os que têm (pelo menos) três refeições por dia. Para os que nem sabem bem o que é isso de refeições, a situação é anormal. Mas esses, entende o FMI e o Governo, não contam.

“Isso é normal, porque depende muito das hipóteses que as pessoas têm dos seus modelos. Acho que não me focaria nesse momento em um nível específico de crescimento, o que importa aqui mais é a tendência que demonstra a economia angolana”, referiu Marcos Souto em declarações à imprensa à margem do evento, reflectindo um auto-elogio ao FMI e um atestado de matumbez ao Governo.

Segundo o representante residente do FMI em Angola, a economia angolana está a enfrentar os seus desafios, “mas vem numa trajectória de recuperação”, num olhar sobre os últimos quatro anos. Isto, é claro, por contar com o filosofal saber do FMI que, um pouco por todo o mundo, tem demonstrado que é perito em ensinar os povos que dele precisam a viver sem… comer.

“Embora haja aqui uma contracção da actividade económica, nós vemos que essa tendência tem sido de desaceleração dessa contracção e vemos uma possibilidade de crescimento no próximo ano já”, afirmou o representante daquele (o FMI) que é, na sombra, o verdadeiro Titular do Poder Executivo e que o povo considera, e bem, ser a raposa que está dentro do galinheiro a “guardar” as galinhas.

Relativamente à preocupação do Governo de Angola no que se refere à dívida pública, Marcos Souto considerou importante para qualquer país, não só Angola, que a mesma seja liquidada. E lá pagar, Angola vai pagar. Se não for a bem será com as suas riquezas que, é claro, não incluem a nossa maior riqueza: os angolanos.

“Porque se você não paga a sua dívida pública, você passa a ter dificuldades de se financiar, seja internamente, seja no exterior, e não é apenas isso, o custo de financiamento cresce. Para qualquer país, não apenas para Angola, é importante que se mantenha em dia com as suas obrigações, a fim de que tenha acesso ao financiamento e a um preço razoável”, defendeu. Bastaria dizer que os credores não trabalham de borla. Bastaria afirmar que, em troca, os autóctones podem sempre receber “fuba podre, peixe podre, panos ruins, cinquenta angolares e porrada se refilarem”.

O Governo angolano anunciou que mais de metade do Orçamento Geral do Estado (OGE) 2020 é para o pagamento da dívida pública, que representa actualmente um peso de mais de 100% do Produto Interno Bruto (PIB).

De acordo com o Governo, a prioridade para o OGE 2020 está virada para a consolidação fiscal, com particular realce para o controlo da dívida pública e ao relançamento da actividade económica.

Marcos Souto enalteceu o compromisso que Angola tem hoje em alcançar este desiderato, do qual “não se pode furtar de imediato”. “O que se está a fazer aqui é um conjunto de medidas de natureza macroeconómica, para trazer o equilíbrio dos principais indicadores da economia angolana, melhorar as finanças públicas e assim, gradativamente, fazer espaço para investimentos e o crescimento da economia”, salientou.

Recorde-se que a mesma faminta raposa (FMI) previu um crescimento económico negativo (recessão) de 0,3% do Produto Interno Bruto para Angola este ano, antecipando depois uma expansão de 1,2% em 2020 e uma aceleração para 3,8% em 2024. Como é óbvio, em dois anos o Presidente dos angolanos do MPLA, João Lourenço, não poderia fazer mais… Mandou vir a raposa, deu-lhe a chave dos galinheiros.

De acordo com o relatório sobre as Perspectivas Económicas Mundiais, divulgado no dia 15 de Outubro deste ano, em Washington, os peritos do patrão de Marcos Souto afirmam que “a economia de Angola, por causa do declínio na produção petrolífera, deve contrair-se este ano e recuperar apenas moderadamente no próximo”.

Por este andar em que o Governo não trabalha nem deixa trabalhar os que querem, para o ano o FMI fará novas revisões das suas perspectivas, em baixa, alertando João Lourenço que é mais rentável (e barato) acabar com os pobres do que acabar com a pobreza. E se houver alguma turbulência logo aparecerá o italo-brasileiro Marcos Souto (se ainda cá estiver) a pôr água na fervura.

Para o conjunto da região da África subsaariana, o FMI prevê um crescimento de 3,2% neste ano e de 3,6% em 2020, “o que é ligeiramente mais baixo, em ambos os anos, do que o previsto no relatório de Abril”. Aliás, sempre que o FMI faz previsões é certo que “dispara” para Cabinda e acerta no Namibe.

Nas previsões, o FMI antecipa que a inflação desça de 17,2% este ano para 15% em 2020 e que a balança corrente fique negativa em 2020, em 0,7% do PIB, depois de registar um valor positivo de 0,9% este ano.

Folha 8 com Lusa

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