ANGOLA. A dívida angolana à China, que ronda os 20 mil milhões de dólares (18 mil milhões de euros), tem “um peso elevado”, afirmou hoje em Macau Miguel Bartolomeu Miguel, membro do conselho de administração do Banco Nacional de Angola (BNA).

“Existe um peso elevado do ‘stock’ de dívida externa pertencente à China. Estamos a falar de cerca de 20 mil milhões de dólares”, precisou o administrador do BNA, Miguel Bartolomeu Miguel, numa conferência do 10.º Fórum Investimento e Construção de Infra-estruturas (IIICF, na sigla em inglês), que termina hoje em Macau.

O responsável sublinhou ainda que “a China não tem uma expressão acentuada na rubrica de investimento directo estrangeiro, mas [este] tem vindo a aumentar”.

Por outro lado, salientou, “a China é uma das principais origens de importações angolanas, sendo que em 2018 ficou em primeiro lugar, totalizando um valor 2,18 mil milhões de dólares”.

Quanto às exportações, nomeadamente de petróleo bruto, também em 2018 a China foi o principal destino, “totalizando um valor expressivo de 23,72 mil milhões de dólares”, referiu Miguel Bartolomeu Miguel.

“Dos membros da CPLP [Comunidade dos Países de Língua Portuguesa] só Portugal se encontra no ‘top 10′”, adiantou, frisando que no ano passado Angola “ocupou o terceiro lugar no top 10 dos países de origem de importação de petróleo bruto para a China”, atrás da Rússia e da Arábia Saudita.

Na terça-feira, o ministro das Finanças, Archer Mangueira, disse na Assembleia Nacional que a dívida pública subiu para 66,7 mil milhões de dólares (59,9 mil milhões de euros), o equivalente a 85% do Produto Interno Bruto, justificando a subida com os preços do petróleo.

Segundo Archer Mangueira, a dívida das empresas públicas, nomeadamente a Sonangol e a TAAG, representam 5% do PIB, enquanto a dívida emitida pelo Estado vale 80% da riqueza produzida no país.

Em Março, o Fundo Monetário Internacional tinha estimado que a dívida de Angola poderia chegar aos 90% do PIB no final deste ano, defendendo cautela na contratualização dos financiamentos, antes de aprovar um programa de apoio financeiro no valor de 3,7 mil milhões de dólares (3,3 mil milhões de euros).

Lusa

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