A residência onde viveu o primeiro Presidente de Angola, o genocida António Agostinho Neto, na década de 40 do século passado, enquanto esteve na província a trabalhar como médico, vai ser transformada em local de interesse histórico e turístico (certamente da amplitude mundial e em breve considerada monumento histórico do zoológico do MPLA), anunciou hoje (sábado), o governador de Malanje, Norberto dos Santos “Kwata Kanawa”.

Em declarações à imprensa, à margem de uma palestra sobre “Vida e Obra de Agostinho Neto”, o governador disse estarem já em curso negociações com os proprietários para a compra da referida residência, localizada na Rua 15 de Agosto, arredores da cidade de Malanje, embora esteja arrendada nesta altura.

“Kwata Kanawa” lembrou que há muito que o governo vinha tentando adquirir a residência, mas os proprietários não manifestavam interesse, mas houve já um entendimento entre as partes, aguardando-se apenas pela concretização do compromisso.

O governador indicou que nos próximos meses será efectuada uma avaliação técnica na residência e a definição das transformações necessárias para torná-la no espaço turístico pretendido.

Por outro lado, o governador descreveu Agostinho Neto como um homem de elevada grandeza humana, cultural e política, que sempre se entregou à causa do povo angolano, não obstante as represálias que o seu espírito revolucionário lhe custava.

(Este texto segue dentro de momentos depois de os nossos leitores terem parado de tanto rir com esta anedota)

Prontos? Vamos lá. Por esse facto, defendeu “Kwata Kanawa”, a necessidade de registar mais em livro o percurso histórico de Agostinho Neto, com vista a perpetuar o seu legado e transmiti-los às gerações vindouras, tendo ainda salientado que não se pode falar do Fundador da Nação apenas nas vésperas do 17 de Setembro.

Tem toda a razão. O MPLA deveria decretar que todos os dias se fizesse uma hora de silêncio em memória de Agostinho Neto, que a Angola do MPLA se passasse a chamar “República Agostinho Neto” e, ainda, que todas as crianças que nascessem a partir da data da entrada em vigor do decreto deveria, obrigatoriamente, chamar-se António Agostinho.

É nesse sentido que este primata (já a seguir explicamos ao DIP do MPLA e ao Presidente da sua filial ERCA o significado de primata) que dá pelo nome de Norberto dos Santos “Kwata Kanawa”, entende ser imperioso abordar-se todos os dias as várias facetas que caracterizam Agostinho Neto e replicá-las em cada acto diário.

(Primata: Ordem de mamíferos que compreende todos os que mais se parecem com o homem)

A palestra sobre a “Vida e Obra de Agostinho Neto”, dissertada pelo historiador Bernardo Inácio, foi promovida pelo Comité Provincial do MPLA, no âmbito dos festejos do 17 de Setembro (Dia do Herói Nacional do MPLA).

Voltemos então ao… primata

Em Malanje, tirando o governador (ou chefe do posto) Norberto dos Santos “Kwata Kanawa” e o seu restrito grupo de acólitos sipaios (sempre disponíveis para elogiar quem estiver no Poder, seja quem for), ninguém está satisfeito com o seu desempenho. É mesmo caso para perguntar: Com um governador assim, como acreditar que o MPLA ganhou as eleições, nesta província?

O maior e melhor tribunal do mundo, clone do tempo: o Povo, está a desvendar a verdade, da trama eleitoral, antes mesmo de completar dois anos na administração pessoal que, como governador, deveria ser colectiva: a fraude.

Ninguém no seu juízo perfeito, mesmo o mais obcecado, pode dizer, que seja instigação da oposição. Não! O que está em jogo, aqui é a incompetência, pura, dura e genética, na gestão governativa, no caso, personificada por “Kwata Kanawa”, membro do Comité Central do partido que se assume, desde 1975, como dono de Angola, o MPLA.

É hora destes governantes terem um pouco de brio (vergonha não sabem o que significa), sabendo ler e interpretar o clamor popular, de rejeição, não arrastando na lama putrefacta o pouco que lhes resta (se é que resta) de dignidade, para não serem jogados, definitivamente, na sarjeta da história.

Norberto dos Santos “Kwata Kanawa”, que até já foi secretário para a Informação do MPLA (o que não é de estranhar, acrescente-se), devia avocar a sua sensibilidade informativa para se retirar, dizendo isso mesmo, às populações malanjinas: “Não consegui corresponder às vossas expectativas, pelo nível do vosso clamor, assim decidi, pedir ao Presidente da República, com efeitos imediatos, a minha exoneração das funções de governador provincial de Malanje”.

Seria uma bomba no charco do apego, patológico e materialista, ao poder. Devemos esperar que faça alguma coisa igual ou próxima? Não. Os primatas são bons “rapazes” mas não chegam lá.

De facto, os habitantes e políticos da oposição da província Malanje criticaram, aumentando cada vez mais os decibéis da contestação, a acção do Governo provincial que não consegue reverter a degradação social, económica e laboral.

Os problemas ligados ao fornecimento de energia eléctrica, água potável, saúde, emprego, subsistência e crianças fora do sistema de ensino, entre outros, de cariz social são as questões mais mencionadas como estando muito longe de serem resolvidos.

Em Janeiro, em declarações à VoA, José Massano, morador do bairro Canâmbua, afirmou que são várias as promessas não cumpridas e obras inacabadas.

“O governador também prometeu luz e água nos bairros da Maxinde, Canâmbua e Quizanga e até aqui nunca se viu nada”, disse, acrescentando que “nesta fase estamos agora a combater o que está mal e melhorar o que está bem, mas até agora não estamos a ver qual é programa da governação do senhor Kwata Kanawa”. “Nós queríamos até a destituição dele”, defendeu Massano.

Por sua vez o secretário provincial da UNITA, Mardanês Agostinho Calunga, afirmou que nos anos que se seguiram à paz, na cidade de Malanje foram construídas duas ruas, nomeadamente a circular que passa pelo bairro Carreira de Tiro e Ritondo.

“Se olharmos para as ruas da Canâmbua à esquadra policial da Canâmbua e a outro do Issenguel já lá vão dois ou três anos a mexerem ali, e acredito que vai aparecer novamente no orçamento de 2019”,acrescentou.

O político disse que em 2018 a província de Malanje continuou estagnada, e interrogou-se: “Malanje não deu nenhum passo, Malanje continua na cauda do desenvolvimento, e nós perguntamos o que é que se passa? O que é que é que se passa com os governos que são instituídos na província de Malanje?”

Por seu lado, o secretário provincial do Partido de Renovação Social (PRS), Marinho Baião, disse que vai continuar a pressionar o Governo local a cumprir com as suas obrigações, acrescentando que as opiniões dos partidos da oposição não são aceites pelos membros do partido no poder na província.

“Nós sabemos que na nossa província de Malanje, os sábios são os dirigentes do MPLA, os demais mesmo que falem (não são ouvidos), mas continuaremos”, disse.

Recorde-se que, já no dia 5 de Abril de 2018, dezenas de jovens exigiram, em Malanje, a saída de Norberto dos Santos “Kwata Kanawa” do cargo do governador daquela província, com relatos de apedrejamentos e intervenção policial.

O protesto contra o também primeiro secretário em Malanje do MPLA, partido no poder desde 1975, deu-se no dia em que a capital da província recebeu o acto central das comemorações do dia da Paz e da Reconciliação Nacional, com a presença do vice-Presidente da República, Bornito de Sousa.

Várias fontes relataram na altura casos de viaturas apedrejadas e vandalizadas na cidade de Malanje e jovens com cartazes dizendo “Nós não queremos este governador”, aproveitando para tal a presença do vice-Presidente, protesto que foi dispersado pela polícia.

Em causa estavam várias polémicas locais, desde logo concursos para a colocação de professores e a proibição de os jovens moto-taxistas circularem no centro da cidade, devido, alegadamente, ao alto índice de sinistralidade.

Antigo ministro de José Eduardo dos Santos, na Assistência e Reinserção Social e dos Assuntos Parlamentares, Norberto dos Santos “Kwata Kanawa”, foi colocado em 2012 como governador da província de Malanje e em Setembro de 2017 voltou a ser nomeado para o mesmo cargo pelo novo Presidente da República, João Lourenço.

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