ANGOLA. O Instituto Nacional de Educação Especial (INEE) de Angola indicou hoje que perto de 30 mil crianças, entre cegas, surdas e mudas, têm necessidades educativas especiais, apontando também “carências de especialistas” na área. Ninguém escapa à (des)governação do MPLA…

Em entrevista publicada na edição de hoje do Jornal de Angola, o director geral do INEE, Lucas Luciano, deu conta que o órgão controla “29.572 crianças com necessidades educativas especiais matriculadas nas escolas do país”.

Segundo o responsável, está em implementação a Política Nacional de Educação Especial que, numa primeira fase, abrangeu já as províncias do Uíge, Namibe, Huíla, Benguela e Malange, um trabalho em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

“Eles (Unicef) escolherem estas províncias e nós abraçámos a causa. Em princípio, estas cinco localidades foram integradas na primeira fase. Agora, em 2019, serão seleccionadas outras oito províncias e depois as demais regiões para cobrir todo o país”, disse.

Adiantou também que com excepção das províncias de Cabinda e Malange, onde as crianças com necessidades educativas especiais são atendidas nas escolas do ensino geral, as restantes 16 províncias têm escolas de ensino especial.

De acordo com Lucas Luciano, as actuais escolas especiais estão a ser “redimensionadas em núcleos de apoio para inclusão, como laboratório de educação especial”, acções que decorrem no âmbito da Política Nacional de Educação Especial.

“Isto quer dizer que as escolas normais, que albergarem alunos com alguma deficiência e, num certo momento, depararem-se com dificuldade para o seu atendimento, terão a escola especial como laboratório, a fim de receberem treinamento adequado”, explicou.

A falta de especialistas para o ensino especial no país foi também apontada pelo director-geral do INEE, referindo que a “maior parte” dos docentes que lecciona crianças com necessidades educativas especiais “não tem formação no ramo”.

“Os que estão formados em Educação Especial com grau de licenciados, cerca de 100, cursaram no exterior do país, sendo em número ínfimo, tendo em conta a realidade de Angola”, afirmou.

Para colmatar a carência de especialistas nesse domínio, fez saber que está prevista a inclusão no ensino superior de uma cadeira que fale sobre a Educação Especial, realçando que “é hora de o país ter cursos de educação especial a nível superior como especialidade”.

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