A Entidade Reguladora da Comunicação Social do MPLA (ERCA) demarcou-se e condenou aquilo que diz serem (conforme ordens superiores) “as posições reiteradas de desprezo às normas de conduta” de um dos seus membros do Conselho Directivo. Ou seja, quem estiver contra tem estar caladinho e nem pecar em pensamento. Se se atrever a divulgar a sua discordância comete um crime contra a segurança do Estado.

Por Orlando Castro

Em causa está, segundo um comunicado da “coisa” com a qual o MPLA quer amordaçar a liberdade e formatar, castrando, os Jornalistas, o seu conselheiro Carlos Alberto, que tem divulgado assuntos internos (verdadeiros segredos do Estado, tanto quanto pensa Adelino de Almeida, o sipaio alcandorado a chefe de posto) através de “inverdades e de forma distorcida”, assim como tem exercido “activismo político” nas redes sociais e nos media.

No comunicado, o conselheiro Carlos Alberto é acusado, ainda, de destratar instituições do Estado e desqualificar colegas de ofício, numa perspectiva que contraria as regras de boa conduta, sentido de responsabilidade e decoro no desempenho de cargos públicos.

Provavelmente sob propostas de Adelino de Almeida, Carlos Alberto será voluntariamente obrigado a frequentar um curso intensivo de ”educação patriótica”, com estágio não remunerado num qualquer campo de reeducação.

A “coisa” a que deram o pomposo nome de ERCA reafirma a predisposição de continuar a colaborar e cooperar com todas as instituições públicas ou privadas, refutando a assumpção de responsabilidades alheias às suas atribuições e competências. Sendo que para ela é a mesma coisa dormir com o José Maria ou com a Maria José (desde que sejam do MPLA), não restam dúvidas quanto ao seu real e efectivo objectivo: decretar que só poderão ser jornalistas os profissionais afectos ao MPLA ou os que, não o sendo, se sujeitem à amputação testicular e à cirurgia de remoção da coluna vertebral.

A ERCA manifesta, ainda, a firme disposição de continuar a assegurar, através da regulação e supervisão da actividade da comunicação social, o exercício dos direitos, liberdades e garantias fundamentais dos cidadãos em termos de liberdade de imprensa e de expressão do pensamento… desde que essas garantias tenham a certificação de validade emitida pelo MPLA.

A título de balanço da sua actividade, a “coisa” dá a conhecer que efectuou missões de trabalho em Cabinda e Benguela, para a divulgação dos seus objectivos e equacionar a possibilidade de criação de representações provinciais. Bem que, atendendo à crise que o país atravessa, poderiam delegar essas representações aos comités locais do MPLA. Em português vernáculo, a merda seria a mesma e sempre se poupariam muitos kwanzas.

De igual modo, detalha o comunicado da “coisa”, a entidade realizou vários seminários e colóquios, voltados para regulação da comunicação social e o rigor da informação jornalística. Rigor que, segundo as teses do sipaio alcandorado a chefe de posto, passam por dizer apenas e só o que o patrão manda.

Ainda segundo a nota, a ERCA está a liderar o processo de institucionalização da Comissão da Carteira e Ética e a criar condições para a realização da Assembleia Geral de Jornalistas para aprovação do Código de Ética e Deontologia Profissional em colaboração com as associações da classe. É estranho. Como é que Adelino de Almeida e os seus muchachos conseguem falar, ou querer liderar, algo que não conhecem e a que são geneticamente alérgicos? Ou seja, ética e deontologia.

A “coisa”, que tem como presidente do seu Conselho Directivo o jornaleiro Adelino Marques de Almeida, foi institucionalizada pela Lei número 2/17, de 23 de Janeiro, com o objectivo partidário e censório de assegurar a regulação e supervisão da comunicação social, garantindo a submissão dos Jornalistas.

O Conselho Directivo é composto por 11 membros, dos quais cinco indicados pelo partido MPLA, um pelo Presidente da República do MPLA, três pelos partidos na oposição com assento no Parlamento e dois pelas associações de jornalistas.

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