A revista norte-americana “Time” elegeu o Papa Francisco como Personalidade do Ano em 2013 “por arrancar o papado do palácio e o levar para as ruas”. Por Angola, em 2018, João Lourenço andou perto. “Arrancou” os jornalistas das ruas e levou-os, duas vezes num só ano (Janeiro e Dezembro), para o Palácio.

Por Orlando Castro

Esperamos que rapidamente aquele conceituada revista oiça quem sabe da matéria, e não tenha dúvidas em colocar no primeiro lugar do pódio, pelo menos em 2019, o mais merecedor dessa designação: João Lourenço.

Como aperitivo, registe-se que Presidente da República (provavelmente também o Presidente do MPLA e o Titular do Poer Executivo), João Lourenço, é uma das dez personalidades africanas de 2018 escolhidas pelo jornal espanhol “El País”, a par de Winnie Mandela, Yacouba Sawadogo, Denis Mukwege, Al Sisi, Laeila Adjovi, Lupita Nyong’o, Murielle Ahouré, Sahle-Work Zewde e Felwine Sarr.

Aliás, os argumentos para a escolha do Papa nesse ano podem ser os mesmos para reconhecer, esperamos que em breve, João Lourenço. Nós ajudamos. Desde que assumiu funções, o Presidente ocupou exactamente o centro das conversas fulcrais dos nossos tempos: sobre a riqueza e a pobreza, a equidade e a justiça, a transparência, a modernidade, a globalização, o papel das mulheres (…) as tentações do poder.

Todos, angolanos e cidadãos do mundo (da Coreia do Norte à Guiné-Equatorial) desejam que em 2019 todos se lembrem de uma personalidade como João Lourenço que, há décadas nos bastidores e agora na ribalta, tem sido o timoneiro de todas as qualidades e intervenções que devem ser atribuídas a um estadista de craveira Internacional.

No âmbito religioso talvez não tenha o mesmo destaque porque José Eduardo dos Santos foi considerado “o escolhido de Deus”. No entanto, talvez João Lourença consiga em breve ser qualificado não como o “escolhido” mas como sendo o próprio… “Deus”.

Antevemos que, após o anúncio dessa inevitável escolha, o porta-voz do regime, João Melo, afirme – citando José Ribeiro – que escolha “não surpreende, tendo em conta a ressonância e a grande atenção que a presidência de João Lourenço desperta em todo o mundo, e arredores”.

Dirá então a “Time” que “o líder do MPLA, do Governo e Presidente da República, tornou-se a voz da consciência, com a atenção centrada na compaixão”, apresentando João Lourenço como “o Pai do Povo”.

Na sua declaração, João Melo considerará “um sinal positivo que um dos reconhecimentos mais prestigiosos no âmbito da imprensa internacional seja atribuído a quem anuncia no mundo valores espirituais, religiosos, morais, éticos e sociais eficazmente a favor da paz e de uma maior justiça.”

Por seu lado, antevemos, João Lourenço explicará que não procura fama nem sucesso, que faz simplesmente o seu trabalho de anúncio do Evangelho do amor que nutre por todos. Se isto atrai milhões de angolanas e de angolanos o Presidente sente-se feliz. Se esta escolha “da Figura do Ano” significa que muitos compreenderam – pelo menos implicitamente – esta mensagem, com certeza que isto o fará sentir-se feliz, concluirá o porta-voz do regime.

E todos ficaremos francamente felizes. Distinguir João Lourenço será uma forma de mostrar ao mundo quanto ele é superior a dirigentes como N’Krumahn, Nasser, Amílcar Cabral, Senghor, Boigny, Hassan II ou Nelson Mandela.

De facto, não fosse a “visão estratégica” do Presidente João Lourenço e, reconheça-se, a democracia, a reconciliação, a igualdade, a liberdade, a equidade social, os direitos humanos, já há muito tinham colapsado.

O mundo tem ainda de perceber, de uma vez por todas, que também na economia, tal como em todas as outras vertentes da vida, e da morte, dos angolanos, Deus tem agora em João Lourenço o seu escolhido.

Capitaneados pela mais alta personalidade mundial de todos os tempos, alguns angolanos continuarão a ser cada vez mais ricos e outros, pouco relevantes para o caso, continuarão a ser cada vez mais pobres. Embora seja assim há 43 anos, certo é que, como tudo na vida, não há bem que sempre dure nem mal que nunca acabe.

Como dizia Teta Lando, eventualmente num poema – quem sabe? – da autoria de João Lourenço, “se tu és branco isso não interessa a ninguém, se tu és mulato isso não interessa a ninguém, se tu és negro isso não interessa a ninguém. O que interessa é a tua vontade de fazer uma Angola melhor. Uma Angola verdadeiramente livre, uma Angola independente.”

Até agora o líder do MPLA (partido que governa Angola desde 1975), presidente da República não eleito nominalmente e chefe do Governo, João Lourenço, mostra que não brinca em serviço e que não descansará enquanto não for escolhido como personalidade mundial e, é claro, não conquistar um mais do que merecido Prémio Nobel.

Em abono do apoio que aqui manifestamos a João Lourenço, lembramos que, de quando em vez, o Presidente revela um humor inaudito, visível quando exorta os seus súbditos a, nem mais nem menos, “não pactuar com a corrupção e com a apropriação de meios do erário público ou do partido”.

Ainda no âmbito da sua veia humorística, nem sempre compreendida pelos jornalistas, João Lourenço também diz que o MPLA pugna desde 1975 “pela defesa das liberdades direitos e garantias dos cidadãos”.

O auge desse humor, dir-se-ia que é quase um orgasmo, regista-se quando o Presidente evoca como a causa de todos os males a “pesada herança do colonialismo”.