Em 2017, mais de 56 mil pessoas tiveram tuberculose e 1.300 acabaram por morrer. A doença é considerada pelas autoridades um caso sério de saúde pública. De quem estamos a falar? É claro. Daquele país que é líder na mortalidade infantil, na corrupção e na criação de pobres. Ou seja, de Angola.

Angola registou 56.598 casos de tuberculose, que resultaram em 1.373 mortes, doença considerada pelas autoridades sanitárias angolanas um caso sério de saúde pública, revela um documento do Ministério da Saúde.

Os dados provisórios, por ausência ainda de informação das províncias do Cuando Cubango e Lunda Norte, dão conta que do total de casos registados, 5.989 foram tratados, e destes a maioria tinha tuberculose pulmonar.

Recentemente, a ministra da Saúde angolana, Sílvia Lutucuta, disse que a tuberculose é uma patologia com alta taxa de mortalidade e a sua incidência tem vindo a aumentar desde 2012, com cerca de 60 mil pessoas infectadas pela doença.

A estatística revela que o número de casos, nos últimos cinco anos, varia entre os 50 mil e 60 mil. Em 2012 foram registados 53.560 casos, que aumentaram em 2013 para 60.807 casos, em 2014 voltaram a diminuir para 56.716, e voltando a subir em 2015 (61.060) e em 2016 (60.049), tendo-se fixado em 2017 nos 56.598 casos.

Também nos últimos cinco anos, nos 47.126 novos casos de tuberculose, registados em 2012, os menores de 15 anos contabilizados eram 11.189, enquanto que dos 50.609 novos casos, registados em 2017, o mesmo escalão etário registou 6.670.

No que é mau… somos mesmo bons

A unidade especializada de tratamento da tuberculose em Luanda estava em Março de 2017 a registar mais de 500 novos casos da doença por mês, números que preocupavam a direcção do Hospital Sanatório da capital angolana.

Num país rico que tem 20 milhões de pobres é apenas mais uma das suas bandeiras. É isso não é, senhores ex-presidente José Eduardo dos Santos e presidente João Lourenço?

Os números foram divulgados nessa altura pelo director clínico daquela unidade hospitalar, João Chiwana, em alusão ao dia mundial de luta contra a tuberculose.

De acordo com o responsável, as novas infecções são maioritariamente pulmonares e tendem a crescer significativamente, devido à ineficácia dos programas de combate à tuberculose desenvolvidos e à procura tardia pelos doentes de tratamento.

“A não procura dos cuidados médicos durante o aparecimento dos primeiros sintomas pode levar a uma infecção dos membros da família, colegas de escola e vizinhos próximos”, referiu João Chiwana.

O responsável salientou que são mais afectados jovens e o insucesso nos programas de combate à doença deve-se sobretudo ao abandono do tratamento pelos pacientes, bem como ao consumo exagerado de bebidas alcoólicas, drogas e tabaco.

Na sua mensagem para assinalar, em 2017, o dia mundial de luta contra a tuberculose, a directora regional da Organização Mundial de Saúde (OMS) para África, Matshidiso Moeti, disse que a tuberculose continua a ser uma das dez principais causas de morte no mundo e que cada um em quatro novos casos de infecção ocorre em África, que conta também com 16 dos 30 países que têm o fardo mais elevado da doença.

Segundo Matshidiso Moeti, embora o número de casos de tuberculose a nível mundial esteja a diminuir, houve uns estarrecedores 10,4 milhões de novos casos estimados da doença em 2015.

“Mais de um terço destes continuam por diagnosticar e tratar, ou encontram-se diagnosticados, mas não estão registados nos programas nacionais de luta contra a tuberculose”, salientou.

Moçambique, Angola e Brasil estão entre os 20 países com maior incidência de tuberculose no mundo. A OMS estima que tenham surgido 10,4 milhões de novos casos de tuberculose no mundo e alerta que, embora a incidência e a mortalidade estejam a cair, é preciso acelerar o ritmo para se alcançarem os objectivos da estratégia para a eliminação da doença.

Com base em dados recolhidos junto de 202 países e territórios, que representam mais de 99% da população mundial e dos casos globais de tuberculose, a OMS destaca os 20 países com maior número absoluto de novos casos, a que junta os dez países que, não estando na lista anterior, têm maior proporção de novos casos na sua população.

Entre os 20 primeiros surgem Moçambique, com 154 mil novos casos em 2015, Angola, com 93 mil novos casos, e o Brasil, com 84 mil novos casos.

A taxa de incidência, o número de novos casos em relação ao tamanho da população, é muito variável entre países, indo desde menos de 10 novos casos em cada 100 mil habitantes até mais de 500. Entre os países com maior taxa de incidência está Moçambique, com 551 novos casos em cada 100 mil habitantes, taxa só superada pela Coreia do Norte, com 561 novos casos por 100 mil habitantes, o Lesoto, com 788, e a África do Sul, com 834.

Os dados da OMS cruzam a lista dos 30 países com alta incidência de tuberculose com duas outras listas: a dos 30 países com mais novos casos de tuberculose multirresistente e a dos 30 países com mais novos casos de tuberculose associada ao HIV/Sida.

Há 48 países que estão pelo menos numa das três listas e 14 países que surgem nas três listas, dois dos quais são de língua portuguesa: Moçambique e Angola.

O Brasil está em duas – grande incidência de tuberculose e grande incidência associada ao HIV – e há ainda outro lusófono que surge apenas na lista dos países com mais tuberculose ligada ao VIH: a Guiné-Bissau.

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