ANGOLA. A coligação angolana CASA-CE classifica como “uma mudança na continuidade” o anúncio da candidatura de João Lourenço, actual chefe de Estado, ao cargo de presidente do MPLA e a consequente saída do poder de José Eduardo dos Santos.

A propósito do anúncio da realização de um congresso extraordinário do MPLA, em Setembro, Manuel Fernandes, vice-presidente da CASA-CE, apontou que era expectativa daquela coligação que “João Lourenço fosse apenas o presidente de todos angolanos”.

“Ou seja, se ao longo de mais de 40 anos tivemos um modelo em que o presidente do partido é o mesmo Presidente da República, cujas consequências levaram o país para um caos total, era nosso entendimento de que poderia haver um equilíbrio”, sublinhou.

“De facto é uma mudança na continuidade e não é positivo, porquanto regista-se aqui a continuação do modelo anterior e o nosso entendimento não é positivo para democracia”, disse o vice-presidente da coligação, a segunda maior força da oposição angolana.

Acrescentou que o Presidente da República deveria “ser apenas a figura representativa de todos angolanos” e “um outro actor pudesse dirigir os destinos do MPLA”.

Manuel Fernandes apela ao futuro presidente do MPLA para “aproveitar esta oportunidade para cumprir todo o programa que remeteu aos angolanos nas eleições, que é o combate efectivo à corrupção e impunidade”.

“Como Presidente da República é o titular do poder executivo e como presidente do MPLA terá o controlo do grupo parlamentar, portanto terá toda a possibilidade de orientar o grupo parlamentar para aprovar as leis que vierem do executivo”, apontou.

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