ÁFRICA DO SUL. Winnie Mandela, ex-mulher do antigo presidente sul-africano Nelson Mandela, morreu hoje com 81 anos num hospital de Joanesburgo, após “doença prolongada”, anunciou o seu porta-voz.

“É com grande tristeza que informamos o público de que a senhora Winnie Madikizela Mandela morreu no hospital de Milkpark de Joanesburgo segunda-feira 2 de Abril”, anunciou Victor Dlamini num comunicado.

“Morreu após uma longa doença, pela qual foi hospitalizada várias vezes desde o princípio do ano. Morreu pacificamente às primeiras horas da tarde de segunda-feira, rodeada da família e dos entes queridos”, acrescentou o porta-voz.

“Lutou corajosamente contra o ‘apartheid’ e sacrificou a sua vida pela liberdade do país. Manteve viva a memória do marido, Nelson Mandela, enquanto esteve preso em Robben Island e ajudou a dar à luta pela justiça na África do Sul uma das suas faces mais reconhecíveis”, afirmou.

Nomzamo Winifred Zanyiwe Madizikela, conhecida como Winnie, foi uma das figuras destacadas do ativismo anti-apartheid após a prisão do então marido Nelson Madela, mas caiu em desgraça após o fim do regime, com acusações de tortura e um processo por fraude.

O percurso de Winnie é indissociável do de Nelson Mandela, com quem esteve casada 38 anos, entre os quais os 27 que ele passou na prisão.

A imagem dos dois, caminhando de mãos dadas no dia da libertação do herói sul-africano em 1990, correu mundo, mas o casal não voltou a estar junto e acabou por se divorciar em 1996, no final de um longo processo de revelação de infidelidades de Winnie.

Nascida a 26 de Setembro de 1936 na província do Cabo Oriental (sul), obteve aos 19 anos um diploma como assistente social, uma excepção para uma mulher negra na altura.

Casou-se com Nelson Mandela em Junho de 1958, ela com 21 anos, ele um divorciado e pai de família com quase 40.

Com a prisão do marido, assume a liderança da luta ao apartheid e do Congresso Nacional Africano (ANC), mas divide pelo estilo autoritário, com membros do partido a acusarem-na de tortura e incitamento ao ódio.

Em 1991 é julgada e condenada a seis anos de prisão, posteriormente comutados numa multa, pelo rapto de um jovem militante, Stompie Seipei.

Em 1998, a Comissão de Verdade e Reconciliação, encarregada de julgar os crimes políticos no apartheid, considerou Winnie “politicamente e moralmente culpada de enormes violações dos direitos humanos”.

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