As autoridades da província do Cuanza Sul estão preocupadas com o avançado estado de degradação de dois hospitais locais e já pediram a intervenção urgente do Ministério da Saúde, receando o desabamento das estruturas. Que chatice. Como é que isso é possível? Lá terá o Presidente da Angola do MPLA de pedir ajuda aos países da… Francofonia.

Por Zacarias Anhara (*)

Em causa está o estado de degradação do Hospital Geral do Cuanza Sul e do Hospital Municipal de Porto Amboim, construídos ainda durante o período colonial. Isto porque, é claro, o Governo do MPLA (que está no poder desde 1975) ainda não teve tempo nem dinheiro para resolver o problema.

O director-geral do Hospital Geral do Cuanza Sul, Agostinho Cardoso, considerou que a situação daquela unidade “é preocupante”, referindo que o edifício apresenta actualmente fissuras e infiltrações de águas devido à degradação da cobertura. E, como todos sabemos, arranjar estas anomalias custa um balúrdio de kumbu que o Estado/MPLA não tem.

“Estamos a falar de uma estrutura da década de 50, nunca foi alvo de uma reabilitação, como tal apresenta de facto várias fissuras. Fizemos há dois anos alguns trabalhos paliativos e que não resultaram”, explicou.

As paredes do hospital “ainda estão intactas”, mas “o problema grave” prende-se com o estado das telhas e da cobertura, “que estão em avançado estado de degradação”.

Se o problema estivesse na alçada da Lusofonia talvez os colonizadores pudessem dar uma ajudinha. Mas como a aposta é na Francofonia, será difícil convencer os franceses e os belgas que Angola precisa de hospitais. Se fosse para a República Democrática do Congo, sua antiga colónia, ainda seria possível.

“Já começaram a ceder e toda a água das chuvas que entra no hospital não escoa, temos de fazer sucção de forma regular”, disse ainda Agostinho Cardoso.

Um cenário que foi agravado por um incêndio recente, que afectou a sala de enfermagem do hospital, conforme constatou o governador da província do Cuanza Sul, Eusébio de Brito Teixeira, ao visitar o local. Provavelmente o governador vai responsabilizar Portugal pelo sucedido, devendo por isso apresentar a conta ao primeiro-ministro português, António Costa.

“Este hospital não foi dimensionado para o número de populares que temos hoje. Temos hoje mais de 800 mil pessoas a viverem aqui, máquinas novas, instalações velhas, tecto velho que entra água. Estamos há bastante tempo a solicitar a construção de um novo hospital aqui”, disse o governador.

Ainda de acordo com Eusébio de Brito Teixeira, o hospital municipal do Porto Amboim é outro que se encontra nas mesmas condições.

“Não carecem mais de remendos, mas sim estruturas novas para o bem dos pacientes e funcionários que neles trabalham”, apontou.

O governador diz mesmo que reparar já não é solução para estes hospitais: “Já não sabemos mais como falar, infelizmente pagamos tudo, paga o Governo, paga o governador, enfim, porque a reparação não é solução. Porque remendar aqui e acolá uma calça velha, depois acaba por rasgar”.

Segundo Eusébio de Brito Teixeira, desde 2013 que os dois hospitais estão incluídos no Programa de Investimentos Públicos (PIP) do Ministério da Saúde, mas até agora sem qualquer obra. Convenhamos que de 2013 até agora ainda só passaram cinco anos. Portanto, o melhor mesmo é esperar que os hospitais caiam…

“É lamentável. Um doente também se sente curado quando as instalações também são boas”, referiu.

O hospital geral do Cuanza Sul, segundo a sua administração, conta actualmente com 150 camas para todos os serviços de internamento. Atende no serviço ambulatório cerca de 400 pacientes por dia e mais 150 no banco de urgência.

O que vale é que a província tem um Eusébio aos comandos do governo. Quem não se recorda do caso em que o General Eusébio de Brito Teixeira requereu ao Governador do Cuanza Sul, Eusébio de Brito Teixeira, autorização para açambarcar milhares de hectares, no Cuanza Sul?

Pois é. O Governador do Cuanza Sul, Eusébio de Brito Teixeira, deu deferimento ao pedido apresentado pelo General Eusébio de Brito Teixeira, autorizando o açambarcamento de milhares de hectares no Cuanza Sul. Os cidadãos residentes nessa área, que passou a ser propriedade do General Eusébio de Brito Teixeira, foram desalojados, por ordem do Governador do Cuanza Sul, Eusébio de Brito Teixeira.

Confuso? Não. Apenas o regime do MPLA no seu melhor.

Eusébio de Brito Teixeira que foi reconduzido no cargo pelo General Presidente João Lourenço, impoluto paladino da ética, de moralidade, da transparência e da luta contra a corrupção e o nepotismo.

Legenda: Cuanza Sul. Hospital Pediátrico inundado. Foto (de arquivo) de Inácio Sabino

(*) Folha 8 com Lusa

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