Algumas dezenas de trabalhadores da Empresa Nacional de Pontes (ENP) de Angola marcharam na tarde de hoje, em Luanda, protestando pelos 57 meses de salários em atraso e pediram a intervenção do Presidente da República na resolução da situação.

“Tristeza, trabalhadores da empresa de pontes 57 meses sem salários”, “o sofrimento continua”, “pedimos ajuda do senhor Presidente da República e à sociedade em geral” ou ainda “socorro, estamos a morrer” eram as frases estampadas nos cartazes exibidos pelos manifestantes.

Promovida pela Central Geral de Sindicatos Independentes e Livres de Angola (CGSILA), a marcha de protesto contra o não-pagamento de salários há quase cinco anos partiu do largo do cemitério da Santa Ana e terminou no Largo das Escolas, centro de Luanda, e contou com a “protecção” da polícia.

“Para nós, cujos esposos não trabalham, estamos a sobrevier, muitos filhos não estudam por falta de condições e não há meios para nos sustentarmos”, contou Lurdes Narciso.

“Esperava uma reforma, porque já ultrapassei os 35 anos de serviço, mas não posso ir para a reforma porque a empresa não pagou os impostos na segurança social”, acrescentou.

Para a funcionária, de 58 anos, a situação pela qual passam os cerca de 400 trabalhadores daquela empresa pública é “desumana”, pedindo por isso a intervenção do Presidente João Lourenço.

“Estamos aqui a pedir às pessoas de direito que resolvam o nosso assunto o mais rápido possível, porque os filhos deles estão a estudar e eles não estão a sofrer como nós estamos a sofrer. Isso é desumano, não pode ser. Queremos mesmo que o Presidente João Lourenço olhe para o nosso caso”, atirou.

Clamores também foram manifestados por Teresa Manuel Gunga, de 60 anos, que diz estar a sobreviver graças à boa vontade de familiares.

“Não tenho dinheiro, sou viúva, para comer dependo da boa vontade da minha irmã, para sustentar as crianças não tenho comida”, afirmou.

No final da marcha, o 1.º secretário da comissão sindical da empresa estatal, Mateus Alberto Muanza, procedeu à leitura da “Declaração da Marcha”, clamando pela “intervenção urgente” do Presidente João Lourenço.

“Neste contexto, face à nossa situação, exortamos o Presidente da República, como chefe do executivo, a intervir de forma urgente e rever esta situação que está a acontecer na Empresa Nacional de Pontes”, observou, sublinhando que os trabalhadores já endereçaram cartas ao chefe de Estado e outras entidades oficiais do país.

“Mas, infelizmente, até hoje não obtivemos qualquer resposta”, lamentou.

Por sua vez, o secretário-geral da CGSILA, Francisco Jacinto, referiu que, depois da marcha realizada hoje, a central sindical vai dar outros passos no sentido de ver solucionada a situação dos atrasados.

“O que prevalece é esta marcha ter saído [para a rua]. Queremos acreditar que este é o primeiro de muitos passos que daremos e de alguns que estão já em marcha, para que, pelo menos, os salários dos trabalhadores sejam pagos”, sustentou.

“Mesmo que não seja na sua totalidade, mas que se definam prazos para o pagamento paulatino”, concluiu.

No início deste mês, o ministro da Construção e Obras Públicas de Angola, Manuel Tavares de Almeida, anunciou que a empresa estatal de pontes vai ser privatizada, e sem avançar um horizonte, garantiu apenas que decorriam trabalhos para “relançar a firma e liquidar os atrasados”.

Lusa

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