O ministro das Relações Exteriores angolano exonerou o director para África, Médio Oriente e Organizações Regionais, e o ministro conselheiro da embaixada de Angola em Telavive por terem “lesado a imagem” do país, noticiou hoje o Jornal de Angola.

Em despachos separados, Manuel Augusto, sem avançar mais detalhes, justificou as exonerações com a “inobservância dos procedimentos da cadeia de tomada de decisão interna e que lesou o bom nome e imagem de Angola com países com os quais mantém uma histórica relação diplomática”.

O Jornal de Angola noticiou na sua edição de hoje que “trata-se da participação do ministro conselheiro João Diogo Fortunato, na inauguração da embaixada dos Estados Unidos da América em Jerusalém, com a anuência de Joaquim do Espírito Santo, até então director para África, Médio Oriente e Organizações Regionais do Ministério das Relações Exteriores”.

Os Estados Unidos da América transferiram, na semana passada, a sua embaixada em Israel de Telavive para Jerusalém, o que gerou uma onda de protestos e uma escalada de violência na faixa de Gaza.

Entretanto, fonte do Ministério das Relações Exteriores de Angola disse à Lusa que a exoneração de Joaquim do Espírito Santo tem alegadamente a ver com a situação que enfrenta a embaixada de Angola no Quénia, que tinha levado ao encerramento forçado das instalações devido a um litígio com o proprietário do imóvel, mais concretamente uma dívida relativa ao arrendamento.

Recorde-se que Angola esteve entre os 32 países que participam das celebrações, nesta noite de 14 de Maio, por ocasião da transferência da embaixada norte-americana para Jerusalém.

Nas cerimónias, além de representantes de Angola estiveram presentes a Albânia, Áustria, Birmânia, Camarões, Congo, Costa do Marfim, El Salvador, Etiópia, Filipinas, Geórgia, Guatemala, Honduras, Hungria, Macedónia, Nigéria, Panamá, Paraguai Peru, Quénia, República Checa, República Democrática do Congo, República Dominicana, Roménia, Ruanda, Sérvia, Sudão do Sul, Tailândia, Ucrânia, Vietname, Tanzânia e Zâmbia.

De facto, alguma coisa foi mal no reino do MPLA/Estado. isto porque Governo angolano condenou “veementemente a violência exercida pelas forças israelitas, que causou dezenas de mortos entre a população palestiniana”, recomendando que se volte às negociações.

Em comunicado, o Governo de João Lourenço apelou às partes envolvidas a fazerem prova de contenção e a retomarem as negociações.

A posição frisa que Angola tem acompanhado “com muita preocupação” os últimos desenvolvimentos da situação no território da Palestina, caracterizado por uma espiral de violência.

Segundo o Governo de Angola, estes actos de violência, “põe em perigo os esforços da comunidade internacional para um processo negocial, baseado nas resoluções das Nações Unidas, que estabelecem a existência de dois Estados, como única solução justa e duradoura”.

Israel e Angola

As relações diplomáticas entre Angola e Israel tiveram início em 1993. Dois anos depois, em 1995, Israel abriu a sua Embaixada em Angola e, em 2000, o Governo de Angola abriu a sua Embaixada em Telavive.

Após o Memorando de Entendimento e o Processo de Reconciliação Nacional no país, o Governo de Angola fez um apelo consolidado de ajuda humanitária. É assim que o Estado de Israel mudou a sua atitude e começou através das suas empresas a trabalhar nas áreas civis, reforçando assim a cooperação com o Governo de Angola.

No quadro das relações de cooperação com o Governo de Angola, a Embaixada do Estado de Israel em Angola tem enviado a Israel, anualmente, cerca de 20 candidatos angolanos para frequentarem cursos em diversos domínios, especialmente na agricultura e em áreas da administração hospitalar – cooperação com o MASHAV (Centro para a Cooperação Internacional do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel).

Em Dezembro de 2016, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, proibiu os seus ministros de viajarem, ou reunirem com governantes dos 12 países que votaram a favor da resolução na ONU contra a construção de colonatos israelitas na Cisjordânia e Jerusalém.

A decisão de Benjamin Netanyahu, anunciada por um porta-voz diplomata de Israel, foi uma retaliação à votação do Conselho de Segurança das Nações Unidas, aprovada por 14 votos e nenhum contra. Os EUA, com poder de veto, abstiveram-se.

Além de Angola, a suspensão estendeu-se à Rússia, França, Espanha, Reino Unidos, China, Japão, Egipto, Uruguai, Ucrânia, Senegal e Nova Zelândia. Malásia e Venezuela, que também promoveram a resolução, não mantêm relações com Israel.

No livro “Jonas Savimbi – Angola para todos, os angolanos um símbolo, uma bandeira e uma pátria”, o seu autor diz: “Estou absolutamente convicto, e tive acesso a relatos de pessoas que o acompanharam, que os Estados Unidos, juntamente com israelitas, e utilizando um sofisticado meio de detecção de satélite, conseguiu descobrir a coluna de Savimbi e indicaram às Forças Armadas Angolanas (FAA), no terreno, as coordenadas”.

Legenda: Em 2015 o embaixador de Israel em Angola, Raphael Singer, com o então ministro angolano da Defesa, João Lourenço.

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