A direcção do MPLA (quantos com as mãos frescas de sangue) continua a assassinar em Maio, através da omissão, extrema arrogância e mentira a memória de milhares e milhares de ex-militantes, órfãos, viúvas e sobreviventes, daquela que foi a maior purga, no interior de um partido político, depois da II Guerra Mundial.

Por William Tonet

Hitler e Neto, pela dimensão dos crimes cometidos, com as devidas distâncias, tinham muitas semelhanças, quanto à severidade no extermínio de cidadãos e adversários políticos, que discriminavam.

Os dados da chacina de Maio 77 flutuam no ar, mas entre aqueles que estiveram enclausurados, nas fedorentas masmorras do regime, que presenciaram os assassinatos, as torturas e toda sorte de crimes hediondos, a estimativa anda na bitola dos 60 a 80 mil, dirigentes e militantes, todos, absolutamente, todos do MPLA, mortos.

A maioria eram verdadeiros nacionalistas e patriotas do MPLA, que acreditavam num ideal socialista e de esquerda participativa, foram injustamente presos, torturados, assassinados, sem nenhuma garantia jurídica, como rezava, à época, a própria Lei Constitucional partidocrata, aprovada em 10 de Novembro de 1975 (exclusivamente, pelo Comité Central do MPLA e assinada pelo seu presidente), no art.º 23º: “Nenhum cidadão pode ser preso e submetido a julgamento senão nos termos da lei, sendo garantido a todos os arguidos o direito de defesa”.

Infelizmente, para Agostinho Neto isso não passava de letra morta, inaplicável a quem considerava inimigo ou com maior capacidade intelectual, ao ponto de, diabolicamente, carimbar a expressão: “Não vamos perder tempo com julgamentos”.

E, numa clara demonstração de pequenez intelectual e masoquismo, não perdeu tempo, foi assassinando, mandado assassinar, pela simples presunção, excluindo factos e provas, militantes e dirigentes honestos que poderiam fazer de Angola e dos angolanos, um país com menos corrupção e roubalheira.

Agostinho Neto, que num dado tempo cheguei a idolatrar, não passava, afinal, constatei em 1977, de um farsante político, um líder covarde e ditador invertebrado, que gostava de ser bajulado. Para mim, além de ser o negro mais complexado, para o exercício da liderança do MPLA, demonstrou-o nas crises de 1964 (Revolta Activa), 66, 74 e 1977, foi um médico profundamente assassino.

O crime daqueles que ele assassinou, torturou e prendeu, foi o de quererem a materialização do sonho de um país, com menos corrupção e roubalheira nos corredores do poder. Mas, no corredor do poder, andava-se em sentido contrário, ao ponto de, publicamente, falarem de socialismo e igualdade, mas a farsa cairia com a criação, pelos seus lugares tenentes, das famosas LOJAS DO POVO (EMPAS) e das LOJAS DOS DIRIGENTES, que marcariam, não só, o desvio da linha ideológica socialista, a discriminação entre os cidadãos, como as brechas da corrupção institucional.

Se quisermos ser sérios ante a memória dos nossos camaradas, barbaramente assassinados, pelas balas e baionetas covardes de Agostinho Neto e sua clique, não podemos continuar calados e a esconder a realidade dos factos. Temos de exigir justiça com maior ruído, organizar manifestações públicas, elaborar denúncias nacionais e internacionais, para responsabilização dos covardes, alojados na direcção do MPLA, que devem substituir a arrogância pela humildade, dando voz a quem consideram vencidos.

Se houver elevação e higiene intelectual, desnecessária se torna imaginar um I ENCONTRO PARTIDÁRIO SOBRE AS ORIGENS E CAUSAS DO 27 DE MAIO DE 1977, com uma caça às bruxas na agenda. Todos têm noção, pelo menos, do lado dos considerados vencidos, não voltar o passado, mas seguramente, a importância do presente e futuro, para amainar as feridas e os sentimentos incubados, que trilham os corações e “carreiros interiores” de muitos e muitas lesada(o)s.

O país acolheria de bom grado e a história registaria se houvesse o assumir de “mea-culpa” e pedido de desculpas de algumas pessoas que, voluntária ou involuntariamente, são apontadas e por alguns de nós reconhecidos como os arquitectos do golpe, aqueles que infiltraram Toni Laton (assessor de gabinete de Onambwe), junto das hostes de Nito Alves, para este sacrificar a vida do comandante Bula, Sayde Mingas, Garcia Neto, Nzaji, Dangereux, Eurico e outros, para com este derramamento de sangue, atribuindo o acto a Nito Alves e Zé Van Dúnem, para justificarem a carnificina, que se seguiria.

Muitos destes homens estão aí, em vida, têm noção das mentiras e da responsabilidade cometidas, pelo que libertarem-se deste fardo, obtendo o perdão das vitimas, faria bem às respectivas almas e abriria uma nova página no MPLA e no país.

O desafio que lanço vai, neste primeiro acto a: Artur Pestana Pepetela, Henrique dos Santos Onambwe, Luandino Vieira, Manuel Rui Monteiro, Ludy Kissassunda, Tino Pelinganga, maos conhecido por Tino Kabuatu, Miguel de Carvalho Wadjimbi, Cansado, Kiosa, entre outros, para não partirem sem a devida penitência.

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