O Governo, eventualmente para esconder os seus fracasso, continua a acelerar nas promessas. Desta feita, o ministro da Construção e Obras Públicas, Manuel Tavares de Almeida, prometeu hoje que pelo menos quatro mil quilómetros de estradas serão restaurados a partir de 2019.

Por Paulo C. Queirós

Em declarações à imprensa à margem do “Fórum de participação dos jovens e crianças nas políticas de obras públicas”, realizado em Luanda, o governante referiu que a implementação desta medida, denominada “Programa de Salvação”, visa impedir que as estradas se danifiquem por completo e evitar uma intervenção mais profunda.

O ministro disse ter sido feito um levantamento minucioso (nem outra coisa seria de esperar) por todo país sobre o estado de conservação das estradas e esse estudo está previsto no programa de investimento público de 2019.

“Fizemos um levantamento da situação de todas as estradas do país, quilómetro por quilómetro, constatamos que há muitas estradas boas, mas com pequenos troços que criam grandes constrangimentos, sendo nossa intenção resolver esses problemas e torná-las operacionais”, acrescentou.

Há dez anos, exactamente no dia 26 de Junho de 2008, o então ministro das Obras Públicas, general Higino Carneiro, disse que o governo do MPLA iria construir ou reconstruir cerca de 1.500 pontes e reabilitar mais de 12 mil quilómetros da rede nacional de estradas até 2012.

Fazendo contas (mais ou menos à moda do MPLA), do dia 26 de Junho de 2008 até ao dia 31 de Dezembro de 2012 foram 1.650 dias (contando feriados e fins-de-semana). Dividindo esses dias pelas 1.500 pontes temos… 0,9 pontes por dia.

Se dividirmos os tais 12.000 quilómetros de estradas pelos 1.650 dias dá uma média de 7,27 quilómetros ao dia. Portanto tudo foi simples, a cada dez dias o MPLA deveria presentar 9 novas pontes e 72,7 quilómetros de estradas…

Falando em Junho de 2012 no Comité Central do MPLA, José Eduardo dos Santos recuou até às promessas para as eleições de 2008, confortavelmente vencidas (até com os votos dos mortos) pelo MPLA, que obteve cerca de 80% dos votos, considerando que o balanço foi positivo, dando como exemplo as “realizações e os empreendimentos inaugurados quase todas as semanas”.

“O país está de facto a mudar para melhor e há avanços e crescimento em todos os domínios”, mas para o MPLA, defendeu, importa que “o desenvolvimento social seja tão dinâmico como tem sido o crescimento económico”.

O então dono do país disse que “muito ainda está por se fazer”, mas mostrou-se convicto da “nova Angola” que está a surgir, “pronta para iniciar uma nova etapa da sua história, na qual todos os nossos esforços estarão voltados para os mais desfavorecidos, aqueles que mais sofrem porque têm pouco ou quase nada”.

Por outras palavras e porque o MPLA é Angola e Angola é o MPLA, o partido só precisará de estar no poder aí mais uns 82 anos para que, como dizia Agostinho Neto, o importante volte a ser a resolução dos problemas do Povo.

Sem se comprometer com metas (assim recomendavam os seus assessores brasileiros e portugueses), como sucedeu nas promessas de criação de empregos ou a construção de um milhão de casas, feitas em 2008, José Eduardo dos Santos disse algo mais vago mas dentro das bitolas dos estados de direito (coisa que Angola não é). Isto é, o futuro passa por um Programa de Estabilidade, Crescimento e Emprego. Uma tão eloquente visão poderia, aliás, ser dita por hoje por João Lourenço (se que não a disse já).

“Através dele vamos unir, ampliar e acelerar as iniciativas destinadas a garantir mais empregos, aumentar a oferta de água e energia, melhorar os serviços de Educação e Saúde, a estimular a produção nas zonas rurais e a incentivar a criação e o fortalecimento das micro, pequenas e médias empresas angolanas”, explicou Eduardo dos Santos.

E, como não poderia deixar de ser, o presidente garantiu que o MPLA “fará a sua parte para a manutenção de um clima de paz, tolerância, harmonia e confiança”.

E desde 1975 que o MPLA tem feito a sua parte… a favor da parte que é do MPLA.

O MPLA só não resolveu os problemas do Povo porque as sucessivas maiorias “batotadas” nos simulacros eleitorais sempre foram…. insuficientes. Será preciso o quê? 110%? Se é isso basta dizer!

Recordam-se que o MPLA garantiu no dia 6 de Outubro de… 2008 que o Governo ia aplicar mais de cinco mil milhões de dólares num programa de habitação que inclui a construção de um milhão de casas?

A construção de um milhão de casas para as classes menos favorecidas de Angola e jovens foi, aliás, uma das promessas da então campanha eleitoral mais enfatizadas pelo MPLA.

O presidente do MPLA, modesto como é, afirmou que “não seria um exercício fácil”, tendo em conta que o preço médio destas casas, então calculado em cerca de 50 mil dólares. Apesar de tudo, com a legitimidade eleitoral de quem só não passou os 100% de votos porque não quis, o MPLA assegurou que “já se estava a trabalhar” nesse sentido.

“O objectivo dessa estratégia é proporcionar melhor habitação para todos, progressivamente, num ambiente cada vez mais saudável”, disse Eduardo dos Santos. Não sabemos se ainda alguém se recorda disso… Mas se não se recorda, a mesma história foi repetida pelo MPLA de João Lourenço.

Legenda: Fotomontagem com duas Personalidades Politicamente Expostas.

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