Os turistas residentes no Reino Unido foram os que mais contribuem para as receitas turísticas portuguesas, com 17,3% do total, ainda que na hotelaria se verifiquem quebras de hóspedes e dormidas desse mercado emissor, respectivamente em 7,1% e em 8,7%. Até Outubro, os turistas angolanos tinham contribuído com gastos na ordem dos 244,69 milhões de euros.

Segundo a Angop, as cidades de Lisboa e Porto (Portugal) constituem as principais preferências de passageiros nacionais, em particular, saídos da capital angolana, durante o mês de Dezembro, essencialmente para férias natalícias e por motivos de saúde.

Só a TAAG tem uma frequência semanal de 14 voos para Lisboa e três para o Porto, para além de sete para Windhoek (Namíbia), onze para Joanesburgo e quatro para Cape Town (África do Sul), bem como cinco para Maputo. Por sua vez, a TAP transporta diariamente (de segunda a sábado) pelo menos 475 passageiros da capital angolana para Lisboa e Porto.

Dados do Banco de Portugal recolhidos pelo PressTUR indicam que de Janeiro a Outubro foram contabilizados 2,5 mil milhões de euros de gastos no país por turistas residentes no Reino Unido, que assim superaram os gastos dos turistas residentes em França, o segundo maior emissor, que até têm o maior aumento em valor absoluto, com mais 238,8 milhões de euros, para 2,39 mil milhões. Seguem-se os residentes em Espanha, com 1,8 mil milhões de euros, e depois os alemães com 1,64 mil milhões.

Estes quatro emissores representaram, assim, 57,6% do total de receita turísticas portuguesas nos primeiros dez meses do ano, com um aumento médio em 9,6%, o que significou um incremento de 730,4 milhões.

Os dados mostram aumentos de gastos de 8,7% ou 200,8 milhões de euros por parte dos residentes no Reino Unido, 11,1% ou 238,08 milhões no caso dos franceses, 7,4% ou 124,22 milhões dos espanhóis e 11,3% ou 167,3 milhões dos alemães.

O 5º maior emissor para Portugal em montante despendido no país pelos seus residentes são os Estados Unidos da América, com 849,41 milhões de euros, em resultado do aumento mais forte do período, em 19,4%, que significou uma subida de 137,8 milhões de euros.

Depois vêm os residentes na Holanda, com 596,48 milhões de euros, no Brasil, com 554,96 milhões, na Bélgica, com 427,65 milhões, na Irlanda, com 417,14 milhões, na Suíça, com 356,43 milhões, em Itália, com 335,94 milhões, em Angola, com 244,69 milhões, e Luxemburgo, com 187,42 milhões.

Os turistas residentes na Irlanda são os que fizeram o maior aumento de gastos em Portugal neste período, com mais 65,59 milhões de euros (+18,7%), e os residentes em Angola são os únicos a baixarem os gastos em Portugal, com um decréscimo em 22,5% ou 71,14 milhões.

Depois de França, Reino Unido, Alemanha, EUA, Espanha e Irlanda, os maiores aumentos de gastos em Portugal foram de turistas residentes no Brasil, com mais 57,7 milhões de euros (+11,6%), na Bélgica, com mais 55 milhões (+14,8%), em Itália, com mais 43,77 milhões (+15%), em Holanda, com mais 36,7 milhões (+6,6%), Luxemburgo, com mais 17,98 milhões (+10,6%), e Suíça, com mais 17,54 milhões (+5,2%).

Por cá, em Novembro de 2014 foi noticiado que e estruturação da oferta turística de Angola deveria passar por uma aposta na atracção de navios de cruzeiro para os portos do Lobito e do Namibe, segundo disse na altura o director do instituto público do sector, Eugénio Clemente.

De acordo com Instituto de Fomento Turístico (Infotur) de Angola, o registo de mobilidade nacional apontava para mais de 570 mil turistas que visitaram o país em 2013, número que, defendeu Eugénio Clemente, apresentava uma grande margem de crescimento.

“O movimento pode crescer se continuarmos a trabalhar na estruturação da oferta turística nacional, preparar o país como um destino. Por exemplo, em vez de Angola ser apenas um ponto de travessia para os cruzeiros turísticos, ser também paragem, de logística e atracção dos turistas. Não só Luanda como o Lobito e o Namibe”, apontou o director do Infotur.

O primeiro navio de cruzeiro a escalar Angola atracou no porto da capital, Luanda, a 9 de Fevereiro de 2013, vindo da África do Sul, com cerca de 300 turistas a bordo. Nesse mesmo ano seguiram-se mais quatro navios de cruzeiro.

O Infotur, tutelado pelo Ministério da Hotelaria e do Turismo de Angola, pretendia articular com os operadores de navios de cruzeiro o desenvolvimento desta área de promoção turística, aproveitando, nomeadamente, os recursos naturais das províncias mais a sul – casos de Benguela (Lobito) e do Namibe -, mas também a maior capacidade de mobilidade e de segurança nestas duas regiões, para potenciar a primeira visita a Angola e o regresso destes turistas no futuro.

“Fazer com que as pessoas não passem só uma vez, mas que queiram regressar, porque se identificam com o destino”, enfatizou Eugénio Clemente.

No caso do Namibe, o objectivo passava por tirar partido do vasto deserto que se estende pela província, enquanto em Benguela as praias e baías da província constituem principal destaque turístico.

Já no reinado de João Lourenço

No dia 19 de Dezembro de 2017, o ministro de Estado do Desenvolvimento Económico e Social defendeu a criação de parcerias internacionais, antecedida de medidas que vão facilitar o processo, como a simplificação na emissão de vistos, para a atracção de mais turistas.

Foi, na boa tradição do MPLA, pouco mais do que um arsenal de pólvora seca descoberto pelos peritos escolhidos por José Eduardo dos Santos. Perdão, por João Lourenço…

Manuel Nunes Júnior falava na abertura da 1ª reunião ordinária da Comissão Multissectorial da Hotelaria e Turismo, na qual participaram os titulares das pastas da Cultura, Ambiente, Juventude e Desportos, Agricultura, Interior, Finanças, Relações Exteriores, Saúde, Telecomunicações e Tecnologias de Informação, Comércio, Comunicação Social, Transportes e Energia e Águas.

O governante referiu ainda que a necessidade de se proceder ao mapeamento, cadastramento e organização dos recursos turísticos existentes em Angola, bem como segmentar os mercados emissores de turistas e categorizar os produtos turísticos angolanos.

Para Manuel Nunes Júnior, deve dar-se continuidade aos projectos de implementação dos polos turísticos de Cabo Ledo e Calandula e elaborar uma estratégia de promoção internacional do projecto KAZA Okavango-Zambeze.

Nesse sentido, ao Estado cabe a tarefa de criar condições institucionais, macroeconómicas e de segurança, para que a indústria turística arranque, contando para o efeito com o apoio do sector privado, associações de especialidade e operadores turísticos.

Segundo o ministro de Estado, é importante que a comissão multissectorial se reúna com a periodicidade desejada e que trace um programa concreto de atracção de turistas para o país, para que o seu número acompanhe os investimentos que forem sendo feitos no sector.

“Este é o desafio que lanço ao concluir esta minha intervenção, esperando resultados que indiciem um firme compromisso com a arrecadação de receitas e criação de empregos e cada vez maior mobilização do investimento privado nacional e estrangeiro para o sector turístico”, considerou.

Curiosidades da… pólvora

Recorde-se que o Governo anterior, do qual João Lourenço foi ministro da Defesa, garantiu em Outubro de 2016 que iria “aligeirar” a concessão de vistos de turismo e com isso captar receitas, tendo para o efeito criado um grupo de trabalho que apresentou, ainda em 2016, propostas ao Presidente da República.

A informação constava de um despacho presidencial de 20 de Outubro que criou este grupo de trabalho “para aligeirar o sistema de atribuição de vistos para turismo”, coordenado pelo então ministro do Interior, Ângelo da Veiga Tavares, e que integrava, entre outros, os directores dos serviços de Inteligência Externa, de Inteligência e Segurança do Estado e de Migração e Estrangeiros.

A dificuldade e burocracia envolvendo a concessão de vistos para entrada em Angola, nomeadamente com turistas a necessitarem de documentos de chamada para poderem entrar no país, era uma das principais críticas de empresários e de responsáveis do sector, em específico.

Aquele despacho presidencial reconhecia a “necessidade de melhorar e agilizar o sistema de atribuição de vistos de turismo”, para que os destinos turísticos angolanos “fiquem à disposição dos turistas nacionais e internacionais”.

Admitia também a “existência de alguns factores que devem ser removidos para que os programas sejam concretizados”, especialmente “no âmbito da captação de receitas, que é um dos objectivos do Plano Operativo do Turismo, como estratégia para saída da crise e diversificação da economia” angolana, face à quebra nas receitas do petróleo.

O grupo integrava ainda, entre outros elementos, os ministros das Relações Exteriores e da Hotelaria e Turismo, e tinha como atribuições a realização de “um estudo sobre o sistema de vistos de touros países que dominam o turismo” e “criar um sistema de concessão de vistos de turismo em Angola, que permita aligeirar o processo actual, com base na legislação em vigor”.

O sector do Turismo em Angola empregava em 2015 cerca de 192.000 trabalhadores, representando então mais de 530 mil visitas anuais.

Numa estratégia de diversificação da economia, que continua dependente das exportações de petróleo, e das suas receitas, a meta do executivo angolano da altura passava por atingir um milhão de trabalhadores e 4,7 milhões de turistas (acumulado) até 2020.

Angola conta actualmente com cerca de 180 unidades hoteleiras de várias dimensões, totalizando à volta de 8.000 camas, segundo dados do Governo.

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