ANGOLA. O Sindicato de Professores (Sinprof) da província do Bengo divulgou hoje que a greve iniciada na segunda-feira regista uma adesão de cerca de 90%, falando igualmente em “intimidações e coacções” a alguns dos docentes grevistas.

“Devemos denunciar que as autoridades civis e religiosas estão a forçar os professores a entrarem para as salas de aula, em convénio com os inspectores municipais da Educação. Numa das comunas, o nosso representante foi intimado pela polícia pelo facto de estar a colar os panfletos da greve”, disse Mbaxi Paulino, porta-voz Sinprof do Bengo.

O sindicalista afirmou que apenas a sede de um dos seis municípios da província “furou a greve” e que na quinta-feira as partes voltaram à mesa negocial, contudo a paralisação das aulas prevalece.

“Está tudo paralisado. Na verdade ontem (quinta-feira) houve uma conciliação, vem uma equipa do Ministério da Educação e também do secretariado nacional do Sinprof para mediar junto da entidade patronal local”, observou.

O pagamento de dívidas de 2016, o pagamento da quota sindical e a readmissão de doze coordenadores de disciplina exonerados por terem aderido às duas fases da greve nacional de professores, que decorreram em Abril, são os três pontos que dividem o Sinprof e a direcção provincial de Educação do Bengo.

Ainda segundo o sindicalista, as “contrariedades persistem” porque a direcção provincial de Educação diz que apenas restaram dois pontos a serem solucionados, quando está em curso apenas o pagamento da dívida, mas com algumas “lacunas” que as autoridades admitem solucionar encaminhando-as ao Ministério das Finanças.

A dívida em atraso desde 2016 afectava 2.569 professores da província, mas nos últimos dias “já foram pagos 650 docentes”, disse o director provincial de Educação do Bengo, António Quino, que garantiu nova ronda negocial na segunda-feira, tendo por outro lado lamentado a paralisação das aulas.

“Na verdade, continuamos as negociações com o sindicato, continuamos a pensar que não há razões para adesão da greve. O que está a acontecer é que fundamentalmente nas escolas da capital da província o nível de adesão a greve é maior, mas a nível dos outros cinco municípios da província não temos esse nível de adesão”, disse.

António Quino rebate os números do sindicato e fala num nível de adesão à greve na ordem dos 40%, acrescentando que a actual situação é prejudicial sobretudo para os alunos.

“Devemos voltar a conversar na segunda-feira, para ver se há cedências para o regresso às aulas”, concluiu.

O ano lectivo de 2017 em Angola arrancou oficialmente a 1 de Fevereiro, com quase 10 milhões de alunos nos vários níveis de ensino, decorrendo as aulas até 15 de Dezembro.

Lusa

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