Faz amanhã 15 anos que Jonas Savimbi foi morto em combate. Mau grado a vontade, os avisos e as pressões dos quadrúpedes ruminantes, com ou sem gibas sobre o dorso, que em Angola e Portugal nasceram a saber tudo e são donos divinos da verdade, continuarei a dizer que o fundador da UNITA é, conjuntamente com Agostinho Neto e Holden Roberto, um dos nossos heróis.

Por Orlando Castro

O Povo Angolano, Angola, África e todos os que pugnam pelos ideais de liberdade e democracia no Mundo, recordam esta data com dor e luto, mas também com a esperança que levava Jonas Savimbi a dizer: Angola não se define – sente-se.

Jonas Malheiro Savimbi, Presidente da UNITA, tombou heroicamente em combate! Tão heroicamente que as Forças Armadas de Angola (ou pelo menos parte delas) tiveram necessidade de o humilhar… mesmo depois de morto. Trataram-no como um cão raivoso, como um troféu de caça.

Até na morte Jonas Savimbi atemorizou os militares de José Eduardo dos Santos. Depois de morto continua a aterrorizar a mente anã dos políticos do regime. Isso prova a sua valia, sem fazer esquecer igualmente os erros que cometeu.

Os adversários, ou até mesmo os inimigos, merecem respeito. E isso não aconteceu. As FAA não humilharam Jonas Savimbi, humilharam uma grande parte do Povo Angolano. Os políticos do regime, a começar por José Eduardo dos Santos, não humilharam Jonas Savimbi, humilharam (e continuam a humilhar) uma grande parte do Povo Angolano.

Por mais decibéis que ponham nos seus urros, os sipaios do regime não conseguem alterar o facto de que, com a morte de Jonas Savimbi, África perdeu um dos seus mais insignes filhos, cuja vida e obra o situam na senda dos arautos da História Africana como N’Krumahn, Nasser, Amílcar Cabral, Senghor, Boigny e Hassan II.

Jonas Malheiro Savimbi tombou em combate ao lado das suas tropas e do Povo mártir, apanágio só concedido aos Grandes da História.

Deixou-nos como maior e derradeiro legado a sua coragem e o consentimento do sacrifício máximo que pode conceder um combatente da liberdade, a sua Vida.

Fiel aos princípios sagrados que nortearam a criação da UNITA, Savimbi, rejeitando sempre e categoricamente os vários cenários de exílios dourados, foi o único dos líderes angolanos que sempre viveu e lutou na sua Pátria querida. A ela tudo deu e nada tirou, ao contrário de outros, ao contrários dos que estão no poder desde 1975, ao contrário de José Eduardo dos Santos que está no poder há 38 anos sem nunca ter sido nominalmente eleito.

Fisicamente Savimbi morreu. Fisicamente foi e continua a ser humilhado, a ponto de o regime não permitir que a família lhe faça um funeral digno. Mas uma coisa é certa. Não há exército que derrote, mate ou humilhe uma cultura, um povo, uma forma eterna de ser e de estar.

Jonas Savimbi continuará a ter quem defenda essa cultura, esse povo, essa forma eterna de ser e de estar.

“Há coisas que não se definem – sentem-se”. Foi isto que em 1975 me disse, no Huambo, Jonas Malheiro Savimbi. É isto que José Eduardo dos Santos nunca compreendeu.

Angola não se define – sente-se. Jonas Malheiro Savimbi não se define – sente-se. Angola não se define – sente-se.

E porque se sente, e não há maneira de matar o que se sente, é que Jonas Malheiro Savimbi continuará vivo no coração de muitos angolanos a ponto de, desde sempre, ser um “fantasma” que não larga a mente dos que, ao contrário dele, não vivem para servir o Povo.

Savimbi continua vivo no esforço pela paz em Angola, vivo pela dignificação dos angolanos, vivo pela liberdade, vivo pela coerência… vivo porque os heróis não morrem nem são humilhados.

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