A UNITA reagiu hoje, em comunicado, às declarações que qualifica de “insultuosas” de João Lourenço, às forças políticas na oposição em Angola e em Moçambique, por ocasião da visita que efectuou àquele país do Índico, no passado domingo.

Em Comunicado distribuído aos meios de comunicação social, a UNITA condena nos termos mais enérgicos tais declarações e diz que João Lourenço não tem direito de tratar de “malandros” as forças políticas credíveis que em Angola e em Moçambique, concorram legitimamente para o exercício do poder político.

“João Manuel Gonçalves Lourenço foi infeliz, revelou a sua mesquinhez política, bem como o seu espírito arruaceiro, ao pronunciar-se nos termos em que o fez. Ainda bem que assim tenha sido, pois mostrou que não está à altura de dirigir os destinos de Angola e dos angolanos”, avança o documento.

A UNITA relembra ao cabeça-de-lista do partido que sustenta actualmente o poder que, nos termos da Constituição da República de Angola, (artigo 17º) “os Partidos Políticos concorrem em torno de um projecto de sociedade e de programa político para a organização e para a expressão da vontade dos cidadãos, participando na vida política e na expressão do sufrágio universal, por meios democráticos e pacíficos com respeito pelos princípios da independência, da unidade nacional e da democracia política”.

Mais adiante, a nota da UNITA refere que os membros do MPLA foram muito mal representados em Moçambique, por um João Lourenço intolerante que quis, sem pejo, transmitir esse vírus de discórdia aos irmãos do Índico.

“A UNITA reconhece e agradece a pronta e pontual reacção dos Parlamentares Moçambicanos, que repudiaram as insinuações do MPLA, considerando-as perniciosas aos esforços e processos de paz e reconciliação em curso tanto em Angola como em Moçambique, recordando que nem o MPLA é Angola, nem a FRELIMO é Moçambique”, prossegue o Comunicado da UNITA.

Segundo a UNITA, os dirigentes do MPLA, incluindo João Lourenço, não têm moral para se arvorarem “legítimos representantes do Povo angolano”, porque, recorda-nos a História, tomaram o poder pela força das armas, em 1975, com a ajuda das forças comunistas e reaccionárias de Portugal, do corpo expedicionário cubano e dos imperialistas da ex-União Soviética, e têm-se mantido no poder graças às sucessivas fraudes eleitorais.

Prosseguindo, o comunicado da UNITA sublinha que “as únicas batalhas relevantes contra a presença colonial portuguesa, foram realizadas pela Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) e pela União Nacional pela Independência Total de Angola (UNITA), o que justifica, aliás, que o MPLA nada realce relativamente às batalhas da luta de libertação nacional”.

Mais adiante a UNITA refere que “Angola precisa de dirigentes íntegros, credíveis e sem envolvimentos em escândalos financeiros, nem de corrupção. Para a sua liderança, Angola precisa de dirigentes de grandeza moral inquestionável e, sobretudo, congregadores, cuja conduta tenha como base o respeito pelas normas de convivência pacífica. João Lourenço está muito longe de ser isso”.

Ao mesmo tempo que compreende o desespero que se apossou daqueles que constituíram as suas as riquezas, roubando o erário público de Angola, a UNITA não pode entender que quem pretende ser Presidente de um país como Angola, divida os angolanos entre supostos “bons” e “malandros”. Essa posição é demonstrativa do total desprezo que os dirigentes do MPLA dão à reconciliação nacional genuína, ressalta a UNITA no seu Comunicado, aconselhando os moçambicanos da FRELIMO, a ficarem sozinhos com o seu saudosismo monopartidário, e recordando que apenas aos angolanos cabe o direito de escolher quem deve conduzir os seus destinos. Angola não é Moçambique e o inverso também é válido.

“A UNITA recorda que a Mudança em Angola tornou-se um facto inevitável e reitera o seu empenho numa governação virada para todos os angolanos, sem distinção, incluindo aqueles que, como João Lourenço, participaram e ainda participam na delapidação do erário público”, afirma finalmente o documento da UNITA.

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