A Assembleia Municipal de Lisboa, mais um antro putrefacto de servilismo e bajulação ao regime do “querido líder” José Eduardo dos Santos, reflexo fidedigno do restante Portugal político e partidário, chumbou o voto de solidariedade com activistas angolanos.

Por Orlando Castro

O voto apresentado pelo Bloco de Esquerda previa “prestar solidariedade aos activistas políticos angolanos, repudiando o processo judicial e os atropelos aos direitos humanos, e apelar à sua libertação”.

Coisa estranha. Provavelmente o PS terá perguntado ao embaixador residente do regime, Marcos Barrica, ou ao itinerante (Luvualu de Carvalho) se esses activistas eram pessoas ou, como os considera o regime, uma subespécie de angolanos. “Escravos sem direitos”, terão certamente dito os sipaios de José Eduardo dos Santos. E isso bastou aos socialistas e eunucos similares.

O voto hermafrodita apresentado pelo Partido Socialista propunha aos deputados “lamentar a situação a que se assiste, esperando que sejam respeitados os princípios fundamentais da democracia e do Estado de Direito, desejando que, prevalecendo os mesmos, a situação seja corrigida com urgência”.

É um verdadeiro atestado menoridade apresentado aos portugueses e, é claro, uma tentativa de gozar com a nossa chipala e provocar um orgasmo nas lides esclavagistas do reino de José Eduardo dos Santos.

Este documento foi aprovado por maioria, tendo merecido votação favorável do PS, da maioria da bancada do PSD, dos Cidadãos por Lisboa (independentes eleitos nas listas socialistas), do Parque das Nações por Nós (PNPN), do PAN, do PEV e do BE, e os votos contra do CDS-PP e do PCP, enquanto um deputado municipal social-democrata se absteve.

Já o voto apresentado pelo Bloco de Esquerda previa “prestar solidariedade aos activistas políticos angolanos, repudiando o processo judicial e os atropelos aos direitos humanos, e apelar à sua libertação”.

Este documento contou com 23 votos contra (do CDS, do PCP e do PSD) e 21 favoráveis (BE, PEV, Cidadãos por Lisboa, sete deputados do PS, PNPN e PAN), enquanto os restantes deputados socialistas e um deputado do PSD se abstiveram.

Ambos os documentos lembram que a 28 de Março um tribunal de Luanda condenou a penas entre dois anos e três meses e oito anos e seis meses de prisão efectiva, os 17 activistas angolanos que estavam desde 16 de Novembro a ser julgados por co-autoria de supostos e nunca provados actos preparatórios para uma rebelião e associação criminosa.

Durante a sessão, o bloquista Ricardo Robles considerou que Angola “precisa destes jovens e não precisa de os condenar”, afirmando ser necessário “ter capacidade de análise sobre o que são estes regimes” e referindo que “em Angola não há uma democracia, há uma ditadura”.

“O regime político angolano não se inibiu de levar por diante a encenação judicial e concluir com penas de prisão todo um processo que violou recorrente e deliberadamente a própria lei angolana e o direito internacional”, lê-se no voto apresentado pelo Bloco.

Considerando que o processo que envolve estes activistas se baseia “em, alegadamente, mera discussão de ideias sobre democracia, com base no livro ‘Da ditadura à democracia’”, o voto apresentado pelo PS vinca que “é um princípio básico e fundamental da democracia e de qualquer Estado de direito democrático que os seus cidadãos se possam reunir e exprimir livremente as suas opiniões”.

Ver o PS falar, referindo-se ao reino de Eduardo dos Santos, de Estado de direito democrático permite-nos dar como plausível que digam o mesmo da Coreia do Norte ou da Guiné Equatorial. De facto, se a dignidade de Portugal (país com muitos séculos de história e que deu luz ao mundo) se medisse pela honorabilidade dos seus políticos, este bando misto de hienas e mabecos amesquinhava-o de uma ponta à outra.

Já o comunista Carlos Silva Santos fez uma declaração de voto na qual afirmou que “cabe às autoridades judiciais angolanas o tratamento deste e de outros processos”. O PCP, acrescentou, “não acompanha uma campanha que visa pôr em causa normal funcionamento das instituições angolanas”.

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